Moda, o “must have”, consumismo e nossa falta de estilo

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Sempre fui o tipo de pessoa apaixonada por moda, e isso é desde que eu me entendo por gente. Lembro que ainda pequena, preferia ganhar roupas e sapatos í  bonecas e brinquedos. Barbie? Só se fosse para ir nas feirinhas hippies e comprar roupas novas para vesti-las.

Na adolescência, não tinha Internet e meu único meio de me informar das “tendências” era pelas revistas mesmo. Aprendi com a minha tia, que também sempre gostou de moda e chegou até a ter uma confecção, a montar uma pasta com recortes para ter como referência das peças que eu gostaria de ter no meu guarda-roupa. E vou além: confesso que até cogitei fazer faculdade de moda, e se as coisas aqui no Brasil não fossem tão complicadas, talvez tivesse feito já que meu primeiro sonho dourado, o de fazer veterinária, deixei de lado por causa da minha zero vocação para qualquer coisa que envolva sangue e corpos.

Os anos passaram e o acesso í  informação de moda, bem como seu consumo, se tornou algo extremamente democrático e acessí­vel graças a Internet. Se antes demorávamos a próxima edição da revista após uma semana de moda para saber o que seria tendência na temporada seguinte, hoje essa informação é quase instantí¢nea: acaba o desfile e alguns minutos depois, já tem alguma resenha das apostas que veremos em vitrines e araras em alguns meses. Tão rápido quanto o acesso a informação, é a disponibilidade das tendências. Se até uns dois anos atrás demorávamos meses para ter uma peça que virou moda na gringa, hoje é coisa de semanas, quando não dias ”“tá aí­ a Zara que não me deixa mentir. E tem para todos os gostos, bolsos e (nem sempre para não dizer nunca) tamanhos.

MASSIFICAí‡íƒO DA MODA E A FALTA DE ESTILO: PQ DEIXAMOS DE SER Ní“S MESMOS?

A verdade é que ao mesmo tempo que eu comemoro essa democratização do acesso a “informação” de moda e o fácil acesso í  essas tendências, afinal, todo mundo tem direito de se vestir bem, tenho me sentido na contra-mão de tudo isso. Acho que nunca me senti tão bodiada de moda, não me importando qual é a tendência da vez ou qual é a peça must-have do momento. Sabe aquela sensação de quando você vai í s compras, olha todas as lojas e não encontra nada com a sua cara? í‰ assim que eu me sinto com a moda atual, mas o tempo todo. Dessas últimas “tendências”, confesso que as últimas identificaçíµes que rolaram foi essa coisa meio rockinho, meio glam com muita roupa preta, cinza, jeans, couro, ombreiras, xadrez, camisetas surradinhas e brilho, mesmo porque grande parte já fazia parte do meu estilo desde sempre -e são temas dos poucos posts de moda aqui do blog.

Não sei vocês, mas eu tenho a necessidade de tudo, quando possí­vel, ser do meu jeito, ter minha cara. E com meu guarda-roupa, não poderia ser diferente. Não é a toa que vira e mexe algum amigo fala “nossa, vi uma blusa x que era sua cara” ou “tem um sapato em tal loja que você iria amar”, e olha vou te falar que eu adoro isso. Digo isso porque tenho observado que cada vez mais as pessoas estão perdendo seu estilo, sua identidade fashion. Não basta gostar de uma peça, se identificar com ela: TEM QUE ser tendência, TEM QUE estar na moda, TEM QUE ter no guarda-roupa porque é must have. Mas cadê o estilo? Aquela brincadeira de se vestir de acordo com humor? Para ser alguém de fato preciso me vestir com o que a moda diz? Cadê o livre arbí­trio de poder me vestir da forma com que combina mais comigo? Para mim, o mundo fashion virou um grande depósito de vasos, com todos andando com as mesmas roupas, obedecendo um mesmo estilo.

Outro bode que eu ando da moda é essa onda de re-batismo das peças. Aquela calça boca-de-sino que nossas mães usaram na década de 70 virou flare -e não venham me dizer que ela é menos ampla do que a que sua antecessora porque não me convence de que é só uma versão revisitada para se adaptar facilmente a moda atual. Belt Purse para mim é puro e simples eufemismo da cafona pochete só para você não ser xoxado pelos amigos ”“e não, não tem Louis Vuitton que me faça usar essa coisa cafona. Rasteirinhas e sapatilhas viraram flats e o salto anabela, Wedge. Também tem as clutches, que na minha época eram chamadas de bolsas de mão ou carteira. Isso porque nem entrei nos méritos das coisas que a pouco tempo eram julgadas como cafonas e over e agora são hypadas, como os óculos com lentes espelhadas -não tem modismo que me faça achar aquilo bonito, sério.

PELO DESEJO DE ACORDAR TODOS OS DIAS E ESCOLHER UMA ROUPA PELO MOOD DO MOMENTO

Faço todas essas indagaçíµes e nem é só por essa onda fashion victims, mas principalmente para as lojas. Antes nós torcí­amos para que as “tendências” chegassem logo até nós a preços mais amigos. Já hoje, temos esse acesso quase que imediato como eu disse ali em cima, mas não encontramos nada além do que a “principal” tendência. Não existe a opção de estilos ou pelo básico, só os extremos: ou você vai encontrar o último grito da moda da última semana ou aquela roupa com cara de senhora, que ficaria ótima para sua bisavó. Não existe um meio termo. Desafio você, caro leitor, a ir em uma dessas lojas e voltar com um jeans com lavagem tradicional e corte reto e uma camiseta branca lisa, peças consideradas por anos como item básico para se ter no guarda-roupa. Se você achar, por favor, compartilhe comigo, porque para mim virou artigo em extinção.

Tudo isso não me fez deixar de gostar de moda, mas acho que passei a encará-la de uma forma mais rí­gida e dura. Peguei bode das peças da moda, preguiça de acompanhar as tendências. Semanas de moda? Só acompanho por pura obrigação profissional afinal, mesmo que o blog não fale mais sobre moda de maneira direta, trabalho em um site que fala justamente sobre o assunto, mas deixei de acompanhar por curiosidade, paixão por moda. Por algum tempo tentei acompanhar lendo e consumindo este tipo de conteúdo de forma mais pessoal, mas confesso que não é para mim. Eu preciso escolher aquilo que combina comigo de verdade e por isso, voltei ao ponto inicial de sair colhendo referências, não mais em revistas ou sites, mas muito mais no que eu vejo em algumas lojas, nas ruas e do meu humor.

Enquanto admiradora da moda, acho triste ver que a democratização não despertou o interesse e a valorização da diversidade fashion, mas só um desespero pelo consumo e a zero preocupação pelo estilo e pela liberdade de ser você mesmo.

Fica aqui meu convite, nessas semanas aonde araras serão tomadas pelas “apostas” do outono/inverno que você pense duas vezes antes de comprar uma peça com a justificativa do “must have”, e invista naquilo que traduza o seu estilo e o que você é de verdade. Porque como já diria a Pitty: “o importante é ser você, mesmo que seja bizarro”.

PS: leitura recomendada dos dois posts da Lia sobre livros de estilo. Já li alguns deles, e acho bacana para abrir um pouco a mente e também conhecer mais sobre seu guarda-roupa e gostos em uma época que nós somos tão bombardeados de informaçíµes e tentaçíµes :)

28 comentários em “Moda, o “must have”, consumismo e nossa falta de estilo”

  1. Era Ribeiro às 01:36

    Olá Victoria, gostei muito do seu texto e me identifiquei bastante.
    Me cansa e me torna fake essa coisa de tendência, de seguirmos a risca toda e qualquer tipo de ditadura do consumismo. Não curto seguir blogueiras viajadas, que não avaliam a proposta de post e sim como ele vai ficar no layout e o status que terá na blogosfera. Sou pela moda assim como a moda é pelo conforto, elegância, liberdade, prazer e paixão. Se eu não encontrar pelo menos treis dos quesitos acima em uma opção de roupa, make, dicas eu descarto de imediato.
    Antes de qualquer tendência para mim vem o conforto e a liberdade em poder ser quem sou, e bancar ser como sou, e não estou falando em bancar financeira mente, pq criatividade tá aí para isso!!!

    Parabéns…

    Bjocas

  2. Mari às 20:39

    Eu não ligo muito pra isso de renomear as coisas… Isso vem desde que minha mãe colocava calças de cotton em mim que ela chamava de fuseau e blusas curtinhas que ela chamava de bustiê, aí quanto virei adolescente, as calças viraram leggings e as blusas viraram tops, só trocando o francês pelo inglês.

    Mas eu já reparei em todo o resto. Eu me abasteço em loja de departamento mesmo (além de não ser rica, adoro comprar sem ngm em cima) e lembro de uma vez que eu fui com a intenção de gastar mesmo, mas encontrei a loja inteira em tons pastéis e floridos. Eu até acho bonitinho, mas eu não tenho essa leveza, não funciona comigo. Eu gosto de um pouco de cor, mas mais preto, cores escuras, jeans, quase nada de estampa… Saí frustrada de lá, pq eu queria comprar, de verdade, mas não tinha nada com a minha cara.
    Fora as vezes que eu fico meses pensando que eu quero comprar uma peça básica X, sem conseguir achar. E com custo/benefício bom. E que sirva. Difícil. Mas isso nem é recente. Desde que eu me entendo como "adulta", o q tem uns 10 anos, blusinhas simples e casaquinhos lisos tem me dado trabalho. A internet ajuda a ter mais acesso, mas não poder experimentar não ajuda

  3. Elaine às 20:14

    Otimo texto, eu nunca leio textos enormes e raramente me identifico com um mas esse mereceu um favorito ou uma impressão e colagem na minha agenda. Uma vez vi uma foto da Demi lovato com uma calça de renda sem forro, achei aquilo a coisa mais feia e vulgar que alguem podia usar, mas advinha as pessoas estavam aclamando é tendencia.

  4. Marina Laterza às 18:01

    Não poderia deixar de concordar mais com suas palavras, mas tenho algumas ressalvas, por assim dizer. A moda nunca foi democrática, por assim dizer. Sempre tinham aquelas peças que faziam mais sucesso e se você as usava estava na moda, e se usasse algo da coleção passada não estava mais. Consigo ver que nos dias de hoje, ainda que a pessoa não tenha um estilo convencional, consegue ser elogiada por seu estilo próprio, e isso quer dizer que a moda está se democratizando, justamente por essa acessibilidade que ficou tão grande.
    Por outro lado, concordo com você que não faz sentido renomear as peças. Calça boca larga é calça boca larga e pronto, sempre vou usar a palavra sapatilha e carteira. Concordo também que hoje em dia é dificil ver essa mesma democratização que disse, exposta nas araras das principais lojas, que acabam perdendo elas mesmas um pouco de sua individualidade e se tornando todas iguais.
    O negócio é investir em achados! Procurar lojas de rua, alternativas, que vão te dar algo diferente pra complementar o look e que certamente terão o preço BEEEEEM mais amigo, rs.

    Amei ter descoberto o seu blog! =)

  5. @renata_ian às 23:40

    O post mais lúcido que li nos últimos tempos. Parabéns! Concordo com vc completamente.

  6. Débora Campos às 14:39

    Já posso assinar embaixo. rs.. Lendo isso eu só me lembro de quando eu ia comprar roupas com a minha mãe. Ela sempre tentava me empurrar alguma coisa que não tinha nada a ver comigo com a seguinte justificativa: "tá se usando muito isso". Como se a gente tivesse obrigação de usar qualquer coisa só porque o resto do mundo resolveu usar. Pelamooooorrr… Claro que é ótimo se sentir na moda, mas desde que a moda se encaixe ao nosso estilo próprio, não o contrário. Quer dizer.. até ontem todo mundo achava salto de acrílico a coisa mais ridícula, daí a marca X resolve mostrá-los na última coleção e, magicamente, todas as fashion victims acham isso lindo e gastam mini fortunas pra comprar o seu. E o hype dura uma temporada e o trambolho vai pro fundo do armário. Daqui a uns anos você vê tal peça numa foto e sente vergonha por já ter colocado seus pezinho naquilo. Não, obrigada! Melhor gastar nosso rico dinheirinho naquilo que a gente gosta e não no que nos mandam usar. Tô contigo nessa, Vic! ;D

  7. Joyce às 12:02

    Adorei a sua reflexão. Ando me sentindo exatamente assim nesses últimos tempos. Sempre gostei de moda, mas por tudo isso que você explicitou venho criando uma certa resistência a esse mundo. Chega a ser triste ver as pessoas perderem sua identidade pra ficar igual ao outro, porque só conseguem entender e ver beleza naquela certa imagem. E pior, não conseguir aceitar a diferença. Isso tudo revela o quanto somos limitados, o quanto nos perdemos de nós mesmos em nome de uma pseudointegração, o fazer parte nos deixou cego em relação ao que nós somos e realmente queremos. Claro que entendo que algumas pessoas realmente querem ser "gado" e são felizes assim! Enfim, gostei do seu texto, também ando tendo sérios problemas em achar peças "simples", "normais" e "básicas".rs… bjo.

  8. Thais Moro às 11:49

    Achei a reflexão muito boa e concordo com você. Porém é muito fácil encontrar o básico. Em qualquer lugar é possível encontrar roupas comuns, bonitas e que não tenham nada a ver com a minha bisavó. Sério mesmo, mensalmente compro roupar comuns, calças jeans comuns, regatas, camisetas, vestidos simples, não sei que tipo de lugar você frequenta…mas gosto muito da Hering, Bazar Jardins, AMP e até da Renner, onde sempre encontro peças básicas. Sem falar nas lojas de bairro, simplonas.
    No mais é muito triste constatar esse tipo de comportamento e infelizmente isso existe desde que o vestuário foi criado. Faz parte do ser humano se inspirar, copiar e se espelhar em pessoas que ele julga mais inteligentes, superiores e com um status mais elevado no meio social. Em toda a história da moda e do comportamento de consumo, principalmente o feminino, as pessoas seguirem a "onda" por desejo de aceitação ou simplesmente por se identificarem com "estilos" que até então elas nunca haviam conhecido antes. É a cultura do novo que já faaz parte do comportamento humano e agora impuslionada ainda mais pela internet.

  9. Bruna Damiana às 17:06

    Belo post!

    O "another brick in the wall" feeling sempre foi um dos meus principais problemas com a moda. E era uma das coisas que eu detestava no What not to wear, tanto na versão dos EUA quanto na versão brasileira. Diferente dos episódios ingleses (em que a Trinity e a Suzanna não ignoravam – tanto – o estilo pessoal da pessoa, mas o modificavam para se adequar ao corpo, a cor da pele etc), os demais transformavam todas em pessoas idênticas. A versão brasileira chegou ao cúmulo de até o corte de cabelo e cor que aquele cabeleireiro super gracinha ia fazer nas moças serem previsíveis! Tudo em nome da tendência. Adorei quando o Arlindo (?) sugeriu a uma moça uma sapatilha com um frufru enorme em cima, um super pompom com franjas, e ela respondeu "Ah, então ISSO é que é bonito?".

    Acho fundamental que a mulher se sinta bonita, seja vaidosa (com moderação, claro). Assim como os homens. Auto-estima lá no alto é algo maravilhoso e a moda ajuda a proporcionar isso. Mas utilizada como ferramenta, não como sistema de escravidão.

    E isso de "é a sua cara!" é fantástico. É o que as pessoas precisam aprender a valorizar. Adoro quando passo em uma vitrine e vejo algo que eu sei que é a cara da Jo, por exemplo. Fico feliz que isso aconteça. Afinal, duvido que a cara de todo mundo seja mullets com estampa de onça. Sério.

  10. Loma Sernaiotto às 16:56

    Me lembro d eum post não tão antigo seu falando sobre essa necessidade de consumo e de 'ter que ter' as coisas e de como você estava brecando isso. Acho que faz uns 2 anos que não vou numa fast fashion e saio cheia de coisas. Compro 1 peça a cada 4 ou 5 meses que realmente cai no meu jeito e o resto eu vou recombinando o guarda roupa. Confesso que essa modinha de renda que se estendeu por 1 ano quase me pegou nas tentações, pq eu amoooo rendas e coisas girlies. Mas me segurei e hoje sou grata por não ir atrás de tudo que ditam ser necessário, ser trendy. O consumo ta cada vez mais apavorante e essa proximidade das marcas com leitores e blogueiras tá deixando a coisa muito exagerada. Não apenas na moda, né? Nas tecnologias, gadgets, games, acessórios… É muito desespero pra pouca coisa. Ainda bem que meu estilo é niponico demais pra nossa cultura, meu bolso (e minhas dividas) agradecem =D Adorei o post reflexivo, as usual ;D E mesmo sem te conhecer pessoalmente, ja vi muita coisa 'borboletando' por aí e lembrei na hora de tí HAHAHAHA

  11. Michelle Iglesias às 16:48

    Olha, tbm tô meio de saco cheio de algumas coisas, esse re-batismo é uma delas! Chorei de rir qndo vi as pessoas falando em peças "cropped", fala sério!

  12. Nary às 15:04

    O que eu odeio é isso de 'tem que ter', e que se vc n tiver você está 'out'. blé. Acho meio uma corrida em busca do nada.
    Outra coisa na moda que anda me deixando bem chateada é o reflexo dessa corrida louca, o desfile de inverno (que acontece no verão ne) acaba e na proxima semana as lojas já estão cheias das roupas de inverno, cores escuras, casacos e etc, em pleno verão. As loucas saem todas correndo pra comprar porque senão elas estarão fora de moda!!! E nossa, ainda é verão. Essa busca desenfreada, essa loucura pra ser IT, isso tudo me cansa.
    Escrevi mais ou menos sobre isso lá no blog há um tempo: http://chat-feminino.com/moda-tudo-tem-seu-tempo-… (ai que jabá, mas caracteriza o que eu penso e é grande pra colar aqui. rs)

    bjs

  13. Flavia @myricota às 14:40

    Esse post parece uma conversa que eu tive com minhas amigas semana passada (e que se parece com outras conversas nossas). A gente falou mais ou menos isso. Há muita informação, mas em vez de as pessoas se inspirarem e absorverem aquilo que combina com elas (e isso não é só por leitura de blog e revista, é com experiências da vida em geral mesmo), pq se conhecem bem e sabem bem o que pode ser incorporado ao seu estilo, elas simplesmente procuram copiar "literalmente" o que vêem. Daí ou você vê um bando de gente igual, ou um bando de gente frustrada porque não está vestindo igual a fulaninha de tal.

    Obviamente com o tempo, a gente muda um pouco, incorpora uns elementos e abandona outros. Isso é gradual e não chega a ser algo que faça mudar completamente o estilo, mas tem gente que muda a cada mês ou postagem de tendência nova. Logicamente que eu, quando era adolescente e no tempo de faculdade, não me vestia exatamente como hoje me visto, mas eu me reconheço nas minhas coisas (algumas eu tenho há tanto tempo que chega ninguém acredita).

    Eu que não vou deixar de usar algo porque não é tendência ou porque eu tenho faz tempo. Normalmente só deixo de usar uma peça ou pq não está mais vestindo bem, ou pq não combina mais comigo e com meu estilo de vida (eu não uso mais calças folgadonas como fazia quando tinha 13 anos), ou ainda porque rasgou e não dá mais para "salvar".

    Uma coisa que eu faço é aproveitar as oportunidades de escolha quando "está na moda" algo que eu já gosto e uso, porque tenho opções de todos os tipos e preços para aquilo que em em certas épocas é muito chato de encontrar (tipo calça com boca larga, que eu só estava com algumas remanescentes do tempo da faculdade ehehehehhe).

  14. Gabi Rebello às 14:37

    Nossa Vic… Achei que só eu sofria para achar roupas. Eu já sou meio chata porque sou muito, mas muito básica. Tanto que eu só uso jeans com corte reto. É o único que fica bom em mim. Uma vez fiquei quase 1h no provador da TNG porque o vendedor não sabia o que era isso. Experimentei, sem brincadeira, mais de 15 calças até achar a única que tinha corte reto.

    Nunca fui de acompanhar a moda, mas não entendo o desespero das pessoas em comprar Stella McCartney, Maria Filó, Juliana Jabour e cia, quando fazem ""parcerias"" com C&A, Riachuelo e outras lojas do gênero. É muito massificado! E no fim, está estampado ali que você está pagando a assinatura do estlista. É só comparar o preço destas peças com as peças regulares. E mais ainda: de repente tudo aquilo vira must have! O que é must have? Estilo de repente virou item de compra?

    Eu não sei mesmo o que acontece no mundo da moda. Só sei que, como você mesma disse, só existem extremos. Quem fica meio que no meio, como eu, fica a ver navios.

    Beijos!

  15. @BarbaraRighi às 13:32

    Muito legal. Ótima minha primeira impressão do blog! É mto reconfortante pra uma pessoa como eu, que não manja lhufas de moda, ver que entre pessoas que tem competência para opinar há um ponto de vista em comum!

  16. Lekkerdices às 12:12

    Discordo bastante – não da tese, mas da abordagem. O "mais do mesmo" domina o mainstream desde que mundo é mundo. E pensar diferente – às vezes certo – vira inconveniência pra massa errada, mas mainstream. Ok, vamos todos gongar as grandes marcas, elas merecem, estão destruindo o espírito da Moda e Mademoiselle Chanel está ofendida.

    Mas por que em vez de fazer isso, não vamos explorar opções? Afinal de contas, moda e estilo são parentes, mas distantes. A moda – ou suas tendências – não fazem estilo pra ninguém. Mademoiselle quem ensinou.

    Com tanto atelier independente – e fã do que você chama de básico – na nets, e com tantas lojas ilustremente desconhecidas – e de novo, com tudo que você conclama no post ali no estoque – por aí, por que dar tanta moral ao que é grande? Por que não explorar, trazer quem faz do seu jeito à tona e – tcharam – fazer a tendência, sem depender da indústria?

    Não seria mais legal convidar as pessoas a explorarem esse mundo perdido, e embarcar nessa viagem pra redescobrir as coisas? Não seria mais legal mostrar o que é diferente, em vez de gongar o igual?

    Enfim. Não ligue pra mim. Eu penso indie.

    (a pobre clutch sempre foi clutch, essa parte é culpa nossa. Adoramos falar ingreis em vez de respeitar o doce Vernáculo)

    1. Joyce às 12:25

      Até que ponto trazer o "underground" a tona não fará dele "mainstream" também? será que somente colocar coisas novas na roda não só ratifica o discurso vigente? o mercado se apropriando de tudo! Penso que a critica ao que esta posto é necessária, ela nos dá subsídios pra mudança (relativizo também essa questão de mudança e evolução, mas não entrarei nesse ponto aqui).

      Minha fala aqui vem mais contribuir com suas perguntas do que fazer uma critica real a elas.

      1. Lekkerdices às 14:12

        O problema do underground é que ele tem personalidade. Então ou vai, ou não vai. O mainstream é meio tofu. Você mastiga, mastiga, engole, toma um suco… E não sabe dizer o que sente a respeito. Se não estivesse no prato, você não notaria. E se estiver… Você não vai ligar muito, porque não tem o que dizer a respeito.
        Pelo menos do que vejo, o legal do underground é que ele não consegue ser "tofu", por mais que tentem. Dá pra ver isso na música. Aqueles artistas que passam anos escondidos, tocando músicas estranhas, se vestindo diferente… De repente, fazem um sucesso enorme e estão em todos os lugares. Mas ou você gosta muito – porque conhece desde os primórdios, ou porque gostou do que ouviu na rádio e foi pesquisar – ou você detesta, abomina e execra completamente. Exemplo disso é a Florence Welch, que virou queridinha agora, mas é como pimenta: ou você gosta, ou você não gosta. De cara. Quem gosta de verdade, acompanha os trabalhos desde as cantorias aleatórias pré-Ashok. Quem não gosta, tem vontade de atirar no rádio quando "Dog Days Are Over" começa.

    2. Mari às 20:19

      A sua opinião é legal… Mas eu acho q mesmo o consumidor médio que não liga tanto pra moda mas quer ficar bonitinho (a) deve sentir alguma falta do básico e do seu estilo. Tem gente que não vai ficar cavocando pelo underground pq não se importa o suficiente, aí leva o que está na moda imposta pela loja não pq é o que gostou mais ou pq queria ficar igual todo mundo, e sim pq era o q tinha lá e não tinha como levar outra coisa. E eu não acho que só pq a pessoa não se interessa suficientemente por moda que ela deva ser levada a consumir o que a tendencia obriga. Eu não acho que uma loja de departamento deva oferecer todos os estilos do mundo. Quem tem um estilo e sabe qual é, vai atrás (mesmo dando trabalho, e eu reconheço q não tenho paciência). Mas o básico, pelo menos, deveria estar aí fácil pra todo mundo.

  17. Stephanie às 11:26

    PARABÉÉNSSSS PELO POST MARAVILHOSO! Disse tudo que sinto com ótima indignação! We're not alone, beijos!

  18. Marina às 11:20

    Tendência é uma coisa meio difícil de se seguir por conta de dinheiro. Blusinhas simples da moda estão em loja de departamento por no mínimo R$40, enquanto aquele vestido da coleção passada está por esse preço.
    Fora que eu acho mega desnecessário seguir uma moda só por seguir, acredito que eu que virá roupa de doação ou estorvo no guarda-roupas, porque uma hora a moda vai passar, e se aquele não for o teu estilo de se vestir, já era!

    Beijo!

  19. Cy às 11:15

    Nossa, me impressionei com o post.
    Confesso que posts grandes não me conquistam, difícil eu ler inteiro, mas esse ficou realmente bom.
    Concordo muito com você.
    beijos e Parabéns!

  20. sininhu às 11:15

    Adorei a tua reflexão sobre o assunto, tenho uma opinião bem parecida, mas o bode por esse modismo da moda é o mesmo.

    Eu ainda acho que esse tipo de "vasificação" (huaha acho que acabei de inventar uma palavra) das pessoas, ou síndrome do rebanho, se deve ao medo de ser gongado por aqueles ditos "entendidos de moda" (que mais frequentemente aparecem como anônimos nos comentários de blogs e descobriram o Esquadrão da Moda ontem).

    Acho isso muuuuito chato! As pessoas acham que pq tu gosta de moda – tipo entende de desfiles, faz boas leituras sobre o assunto, tem imagens de inspiração e principalmente tem um blog – precisa obrigatoriamente vestir-se exatamente igual a essas coisas. Precisa estar na tendência, pelo contrário vc não pode falar dela ou de nada relacionado a isso. Tem que se enquadrar ao rebanho.

    Eu sempre fui julgada pelo meu estilo pessoal desde que eu resolvi voltar a ter blog, falando mais de moda e compartilhando aquilo que eu sempre gostei e "estudei" a vida inteira. Mas por mais que as críticas sejam fortes, não deixo e nem deixarei de ser quem eu sou. Gosto de vestido curto, roupa justa e etc. Posso até ser vista como periguete, mas o meu conhecimento de moda não faz jus ao tamanho da minha saia.

    O Brasil caminha lentamente nessa descoberta da moda, mas ainda está naquela fase de deslumbre – tipo estudante de moda no primeiro semestre da facul! Mas com o tempo, acho que as coisas vão se acalmando e essa obrigatoriedade de estar na "tendência" vai diminuir.

    Espero que mais pessoas aprendam que personalidade não é ser chique o tempo todo, ou copiar tudo o que é empurrado como "tem que ter/usar". Ter personalidade é se olhar no espelho, ser feliz com a roupa que quer, garantir-se mesmo perante algumas críticas e quando passar novamente pelo espelho continuar achando aquilo legal. Ser brega é tão legal! huaha Eu recomendo muito, nem que seja de vez em quando. :)

  21. Paula B às 11:07

    Eu acho que o rebatismo das peças é ótimo pra deixar meu marido e minha mãe confusos e sem saber do que eu estou falando… rsrsrs
    Mas concordo, tenho a mesma dificuldade de encontrar peças que sejam "a minha cara", até pq eu gosto de roupa mais básica e ela está em extinção, a gente só acha it-peças nas lojas – quando não imitações de iit-peças… Pra mim isso não é democratização da moda, e sim uma ditadura! Todo mundo obrigado a se vestir igual!

  22. @pespeich às 10:51

    Vic, acho super justa a sua reflexão. A questão vai além da moda, de fato…toda essa onde de "não me identifico com tal peça, mas ela TEM que estar na moda pra eu usar" só serve pra esconder uma coisa: insegurança. Pior ainda é quem se recusa a usar roupas que não sejam "de marca". Camiseta branca, jeans, isso tudo eu compro na Zara e até mesmo na Hering. Gosto, me sinto confortável e não vou sair por aí me vestindo pra tentar mostrar uma coisa que eu não sou. Pena que nem todo mundo pensa assim. Pelo menos esse povo me rende boas risadas.

    1. Victoria Siqueira às 11:08

      Pe, é esse o ponto! Eu amo moda, adoro acompanhar tendência, mas eu faço um filtro do que é bacana, do que eu gosto, do que fica bem em mim e o que combina comigo. O problema é que chegamos num ponto que a gente não tem uma liberdade de estilo, pq as lojas vão todas para o mesmo caminho, em pleno 2012. Isso sem falar que um dia fui na Hering comprar camiseta branca e veja, não achei. NA HERING. Tinha com tecido x, com corte Y, mas não tinha a fuckin camiseta branca básica. Fiquei assustada.

  23. Iris às 10:51

    Concordo! Não há tendência que me faça usar neon, sou fã do preto, azul marinho e pastéis. Gosto de estampas floridas, listras e xadrez, nenhuma outra. Uso saia e vestido longo porque gosto, prefiro vestidos e se alguém perguntar onde comprei minha flat pergunto se isso é de comer. Chamo bolsa carteira de bolsa carteira, porque jamais será clutch. Flare pra mim é boca de sino e continuo achando estranho. Odeio salto anabela e adoro quando uma amiga vai a uma loja comigo e vem saltitando com uma peça dizendo que é "minha cara" porque geralmente é. Pochete sempre será coisa de tio que botava pra quebrar nas discotecas nos anos 80 e tendência é tendência. Você tem que ter seu estilo, usar aquilo que acha confortável e colocar antes da moda. Porque a única coisa que nunca sai de moda é ser você. Se aquela peça hypada te agrada, use. Mas não use só pq é hype! Acho que é isso…

  24. bruflorencio às 10:29

    Cada post deste estilo que eu leio me faz voltar a acreditar que as coisas podem ser diferentes e que o problema não sou EU!
    Parabéns pelo post!

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