Sobre expectativas, ligar o foda-se e ser você mesmo

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Entrei nos 28 anos e em 2014 com um pensamento único: a de que eu seria uma pessoa melhor. Não só melhor para os outros ou para o meio ambiente, mas principalmente para mim. Sabe, chega um momento da nossa vida que a gente cansa de abaixar a cabeça, de engolir sapos, de fazer algo por obrigação, de dar satisfaçãoo, de censurar nossa opinião, de muitas vezes em cima do muro para evitar a fadiga do desgaste. De viver em função do que as pessoas querem e esperam da gente, de nos definirmos a partir das expectativas alheias mesmo que a gente não perceba ou admita. Não deveria ser, mesmo, mas acontece. Comigo, com você, com seu vizinho ou com aquela pessoa que mora do outro lado do mundo.

truly

A gente cresce fazendo um auto-flagelamento a nossa coragem e amor próprio. Aprendemos que responder alguém é feio. Meninas aprendem que tem que se dar o valor, enquanto meninos aprendem o tempo todo que para ser ~macho~, tem que ser pegador. Crescemos lidando com os medos e frustrações daqueles que nos cercam, com os julgamentos dos coleguinhas de escola, principalmente se você não atender aos padrões que eles consideram como “certos”. Por outro lado, aprendemos que se olhar no espelho e se achar bonito é feio, que é coisa de “gente que se acha”. Crescemos o tempo inteiro achando que temos que ser perfeitos o tempo todo, que não podemos falhar, que precisamos necessariamente agradar todo mundo. Sem perceber, essas pequenas chicotadas diárias fazem com que a gente perca o brilho próprio, a vontade de viver, a nossa força interior.

Coincidência ou não (na verdade, acredito que não seja), ontem passando pela timeline resolvi assistir um vídeo compartilhado por um amigo no Facebook. O ví­deo era uma apresentação de Lizzie Velasquez, que ficou conhecida na Internet como “a mulher mais feia do mundo”, para o TEDx, uma organização sem fins lucrativos que tem como objetivo disseminar ideias que merecem ser espalhadas.

Lizzie sofre de uma síndrome genética que faz com que seu corpo não retenha tipo de gordura. De tão rara, existem apenas 3 registros de pessoas com esta sí­ndrome em todo mundo. Tudo isso seria motivos suficientes para que ela se isolasse do mundo, certo? Errado. Lizzie transformou as ofensas e o bullying que sofreu durante a infância, adolescência e através da Internet em força para lutar, superar seus traumas e preconceito das pessoas. Provou o que todo mundo deveria saber: você não precisa ser linda ou ter um corpo estonteante para ser um humano incrível.

Convido você a tirar 15 minutinhos do seu dia para assistir o vídeo abaixo. Lencinhos e coração aberto são altamente recomendados:

Independente de padrões, aspectos fí­sicos ou comportamentais, a história de Lizzy é um tapa na cara de todos aqueles que permitiram, ainda que inconscientemente, serem definidos pelos padrõµes e desejos externos, pela projeção do que as pessoas esperavam de você -inclusive na minha. E de todo mundo que precisa, de alguma forma, acordar para a vida real.

PS: ainda dentro do tema “foda-se essa porra toda”, leitura altamente recomendada.

6 comentários em “Sobre expectativas, ligar o foda-se e ser você mesmo”

  1. @maaayself às 17:40

    Esse vídeo é incrível mesmo. Parabéns pelo blog, gostei bastante.

  2. Cams às 18:13

    Li um post sobre os anos 90 aqui no seu blog e AMEI! Mais, por favor!!

  3. galdinohp às 09:57

    Lindo post e lindo vídeo; faz a gente refletir o que realmente importa pra gente. ;D

  4. Loma às 16:05

    Assisti o vídeo quando você compartilhou e, mais importante do que a reflexão sobre o que você está fazendo com sua própria vida e consigo mesmo, fica uma motivação danada para dar o seu melhor. Vendo esse vídeo me bateu aquela pergunta: porque eu não começo a correr atrás do que eu quero AGORA? O que eu to esperando (ou dando desculpas, né?) para começar a lutar por mim mesma e meus ideais? Seu post ficou lindo, reflexivo e uma bela de uma inspiração para ser: autêntico, espontâneo e positivo!
    E eu espero que nosso 2014 tenha muito destas 3 palavrinhas maravilhosas…

    Obrigada pelo post, Vic. Me motivou ainda mais…

  5. mulhervitrola às 11:47

    Pra começar: sim, você pode fazer posts assim. Quero dizer no sentido de: se bater vontade, faça. Se te ajuda, faça. O mais certo é você ficar satisfeita e de quebra, ajudar pessoas que você conhece, e outras que você nem conhece.

    Bem, eu já dei uns pulinhos nessa fase da aceitação, já foi pior. Hoje, claro, não me considero perfeita e longe disso, mas tô bem. e fico mesmo brava quando alguém comenta coisas, mas mais pelo motivo de "Se EU não estou me importando com isso, CÉUS, pq te incomoda tanto?". É um misto de dó e raiva da pessoa.

    Eu já entrei muito em conflito com uma pessoa muito próxima de mim, que se cobrava muito,e por consequência, me cobrava também. Foi uma fase punk, pq se já é difícil SE aceitar, imagina fazer entender as pessoas que você se aceita, tá bem, tá feliz assim? As pessoas simplesmente não aceitam isso! Você TEM que ter vergonha de estar gordinho, TEM que ter vergonha de gostar de dançar, de cantar, de gostar do brega… e por aí vai.

    Quando leio coisas assim, fico feliz e motivada. E espero sinceramente que, as pessoas que lerem, comecem a pensar um cadinho com bastante carinho nisso :)

    Um beijo,
    Re

  6. Marcela às 11:30

    Oi, Vic, tudo bom?
    Meu Deus, que texto incrível. E MEU DEUS que vídeo maravilhoso dessa moça. Foi, realmente, um tapa na cara da sociedade (e meu também). Passei recentemente por uma experiência semelhante, que me fez pensar o que vai definir a minha vida, as minhas escolhas ou o que os outros pensam de mim. Infelizmente, perdi muito tempo levando em consideração os outros e deixando de lado os meus sonhos, as minhas vontades e desejos. Mas acredito que agora isso está mudando.
    Se for tudo bem com você, gostaria de usar o seu texto como base para escrever um no meu blog. Tudo bem?

    Beijos,
    Maki http://www.maniasdemoca.com

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