Uma carta aberta ao meu antigo eu

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O que você faria de diferente na sua vida? Quais conselhos você gostaria de dar para você mesmo anos atrás? Quais escolhas você tomaria?

A primeira blogagem coletiva do mês do Rotaroots foi quase um soco no meu estí´mago. Quando a Paloma sugeriu essa ideia no grupo, inspirada na TAG original do Hypeness, jamais achei que fosse ser tão impactante. E foi. í‰ como uma viagem no tempo e quase uma terapia, principalmente para reforçar alguns dos aprendizados do nosso “eu” hoje e nos ajudar a traçar novas diretrizes daqui para frente.

Convido você a ler esta carta aberta ao meu antigo eu e que ela inspire não só a pessoa que quero ser, mas também outras pessoas. Para começar a experiência, dê o play aqui:

“Oi Victoria, tudo bem?

Eu sei que você odeia ser chamada assim, até porque eu sou você daqui alguns anos ”“para ser exata, 10. Mas, mesmo sabendo que neste exato momento você deve estar bufando porque eu não estou te chamando de Vic ou Vivi, resolvi optar por uma abordagem mais séria. Ou mais ou menos isso. Mas fica tranquila, vim em missão de paz.

A vida passou rápido daí­ pra cá e, conhecendo você melhor do que ninguém, sei que esse jeito desligado vai fazer com que você nem perceba quando chegar aonde eu estou hoje, cada vez mais perto dos 30. Não estou aqui para te dar um spoiler do que vai acontecer daqui para frente, mas te dar conselhos de alguém que já percorreu esse caminho para que talvez, você possa fazer algo diferente.

Ní“S, SEPARADAS POR ALGUNS ANOS E MUITAS EXPERIíŠNCIAS

Ní“S: SEPARADAS POR ALGUNS ANOS, MUITAS EXPERIíŠNCIAS e UM DESCOLORANTE

Para começo de conversa, esqueça os roteiros. Sim, esqueça deles. A vida não será exatamente como aquela que você planejou nas enquetes do colégio, ou nas brincadeiras feitas com papel sulfite e dobradura. E antes que você se desespere com isso, saiba que isso vai ser legal. Confie em mim.

Não sofra por antecipação. Aliás, pare de sofrer. Pare de transformar todo e qualquer acontecimento em um roteiro digno de novela mexicana. Pense mais, respire, relaxe. Lembre-se que tudo na vida se resolve, mesmo que nem sempre o desfecho seja aquele que nós gostarí­amos.

o tenha medo de errar. í‰ eu sei que você odeia errar, mas não tenha medo, muito menos se envergonhe disso. Tropece, uma, duas, três vezes. Escolha um caminho, se não gostar, faça o retorno dele e recomece. E também não se cobre tanto. Eu sei que você quer dar seu melhor, que você não quer decepcionar as pessoas, que você não quer se decepcionar, que você tem medo de se auto-frustrar. Seja menos perfeccionista, seja mais humana. Você não é uma máquina. Você é uma humana, e tem todo e qualquer direito de falhar.

Não se culpe. Não se flagele. Remoa menos mágoas. Se precisar chorar, chore. Se precisar gritar, grite. Você sabe qual o melhor jeito de se sentir melhor, de botar aquele sentimento ruim para fora. Seja mais gentil com você mesma.

Preocupe-se menos com que as pessoas pensam. Faça o que você tem vontade, diga o que você pensa, pare de engolir sapos. Aliás, a cada vez que você pensar em engolir um sapo, lembre que você tem fobia í  anfí­bios. Coloque um filtro imaginário em seus ouvidos e nos seus olhos, absorva apenas aquilo que é relevante e importante para você como pessoa.

Ame-se mais. Ao contrário do que diziam para você na adolescência, se olhar no espelho e se sentir bem com o que vê no reflexo não te torna uma pessoa pior. Eu sei que você se esconde atrás de uma parede de timidez, mas não precisa ser assim tá?.

Aceite-se mais. Você não precisa ser como as pessoas gostariam que você fosse. Mudanças são sempre bem vindas e eu sei que você adora isso, mas não faça isso pelos outros e sim por você. Não deixe que isso consuma sua energia e sua força.

Não tenha vergonha de ser você mesma. Ouça as músicas que fazem seu dia mais feliz (inclusive aquelas que seus amigos fãs de rock alternativo consideram vergonha alheia), ria das piadas mais sem graças, admita que você assiste programas de TV toscos quando ninguém está assistindo, vista o que você sente vontade. Acredite em mim: um dia isso será absolutamente normal e você estará cercada de pessoas que entenderão esse seu lado B.

Não se entregue nem se dedique tanto aos outros. Eu sei que atrás dessa personalidade forte tem um coração mole com cobertura de caramelo e cravejado com açúcar. Não tenha medo, nem sinta culpa de dizer não. Não espere reciprocidade das pessoas, a maioria delas são ingratas. Faça o que seu coração manda, mas não espere que as pessoas façam o mesmo por você.

Não deixe que erros e traumas do passado dominem e conduzam sua vida. Seja menos medrosa e mais persistente. Controle a ansiedade, seja menos impulsiva. Pense 2, 3, 4, 5, 20x se for preciso.

Cerque-se das pessoas que te fazem bem, que te apoiam incondicionalmente e que façam você sorrir. Afaste-se das pessoas e situaçíµes que lhe fazem mal. Não permita que ninguém roube seu sorriso e sua alegria de viver. Tenha poucos e bons amigos. Sabe aquela história de contar em uma palma da mão com quem você pode contar? í‰ isso.

Não se envergonhe de gostar de ser uma pessoa solitária. Você cresceu assim. E não há nada de errado com isso. Não tenha vergonha de ficar sozinha em casa no sábado a noite, ouvindo o CD da sua banda favorita ou assistindo um filme na TV. Aliás, aproveite que você gosta de ser sozinha e pare de depender dos outros na hora de viajar ou de ir a um show que você quer muito ver.

Corra atrás dos seus sonhos, realize suas vontades, faça o que te faz feliz. Faça as aulas de guitarra que você sempre quis fazer, volte a fazer aula de canto porque te faz feliz. Deixa a preguiça de ir para a academia depois da faculdade. Comece a praticar algum esporte que você goste.

Foque nas suas paixíµes, dedique-se a elas. Escreva mais. Leia mais,ouça mais músicas, assista mais filmes. Saia mais, curta mais, viaje mais. Busque muitas referências para sua vida, saia do mundinho de mais do mesmo.

Ouça mais seus pais. Eles sabem mais da vida do que você. Acredite nos conselhos, ouça as broncas, confie nas intuiçíµes deles.

Por fim, jamais permita que os outros definam quem você é e o que vai fazer da sua vida. A vida é curta demais para você viver para os outros. Pouco tempo demais para ser desperdiçado com que e com quem não vale a pena.

Um beijo do seu eu aos 28,
Victoria.

PS1: já que vim do futuro, aproveito para deixar 2 músicas para você que estão logo no começo desta carta. Elas vão te ajudar nos momentos mais difí­ceis.
PS2: você fica melhor loira do que morena, invista nisso.”

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29 comentários em “Uma carta aberta ao meu antigo eu”

  1. tracy às 22:10

    chorei lendo sua carta!
    me reconheci em algumas linhas …
    to aqui mexida, e pronta pra escrever a minha.
    beijos.

  2. Mariana às 22:26

    Ótima carta Vic! A parte de não ter vergonha de ser vc mesma foi ótima! É exatamente assim que eu vivo. Tenho gostos estranhos, e nem por isso, me sinto diferente. Um xero

  3. Neli Carpinter às 00:41

    Olá Vic!

    Essa parte: "Não se entregue nem se dedique tanto aos outros" vem direitinho para mim. Já sofri muito por causa disso. Hoje em dia me endureci um pouco em relação a isso.
    Amei a sua carta, Sem spoilers e com muito conteúdo aproveitável para cada uma de nós.
    Bjus

  4. Rani às 14:41

    Victoria que carta mais linda! <3

    Até agora essa foi a blogagem que mais mexeu comigo, ideia incrível!

    Dar conselhos para nós mesmos parece uma coisa absurdo, mas é demais! Perceber o quanto mudamos em apenas 10 anos.

    Adorei o conselho de não se sentir solitária, peguei para a vida.

    Beijos.

  5. Jhessy às 18:58

    Adorei, tantos conselhos! Essa parte de querer viver ara outros é muito EU, mas aprendi a me amar mais e a fazer o que gosto! Adorei sua carta!

  6. Luiza às 18:36

    Vic, sei que a carta é de você pra você, mas não consegui deixar de me identificar.
    Me emocionei com alguns trechos, de verdade. Pareceram pra mim, hehe.
    Beijos!

  7. Camila Lucena às 16:18

    Nossa Vic, conselhos SUPER!
    Este aqui foi para mim, eu senti: "Não se envergonhe de gostar de ser uma pessoa solitária. Você cresceu assim. E não há nada de errado com isso" rsrs

    Adorei

  8. Raquel Arellano às 18:49

    Tua cartinha nem precisa ser endereçada à Vic de antigamente… vale perfeitamente para tantas "Vics" de 30, 40, 50 anos… Vale pra mim, pra você, pra todas nós! <3

  9. @immessagingyou às 15:18

    ahhh, me emocionei <3 é tão gostoso e libertador escrever essas cartas, né? parece que desaba um peso grandão depois que a gente termina! haha

  10. Cih às 00:07

    Vic, a maioria dos seus conselhos eu também escreveria para meu eu de 10 anos atrás!
    Adoreiiiii! Acho que são conselhos pra vida mais leve! ~.~
    Kiss

  11. Anna às 23:18

    Arrepiei já na música, porque Sweet Talk é um tsunami de feels.
    Adorei seu texto, Vic, achei muito verdadeiro e sincero. Dá pra ver que você sentiu cada palavrinha, e que são sabedorias construídas com anos e porradas da vida. Mas ei, a gente sobrevive no final pra contar a história, né, e é isso que eu mais gostei dessa tag.
    Beijones

  12. Camila Faria às 18:12

    Ai… maravilhoso isso! Se a gente pudesse mandar (e receber) de verdade! Quantos desses conselhos eu – de 10 anos atrás – também não precisei na época…

  13. Dayanea às 17:18

    Que de mais seu texto!E serviu muito pra mim HOJE, aos 24 anos!Me emocionou um bocado.

  14. Cecília Maria às 13:14

    Adorei sua carta. Mesmo tendo só 18 anos, fiquei muito animada com esse tema do Rotaroots e seu texto me inspirou bastante. Beijo

  15. Lidiane às 10:54

    Tô amando ler as cartinhas e o tanto de maturidade e carinho dos "eus" do presente com os "eus" do passado :)

  16. Marcelo às 07:03

    Só uma palavra: maravilhosa!

    Eu não me canso de dizer o quanto eu acho você fantástica e cada dia mais tenho curtido/me identificado com os seus textos.

    <3

  17. Priscila às 23:52

    Sensacional Vic! Amei :) ja vou fazer uma pra mim tb!

  18. Julis às 21:18

    Vic, chorei aqui. Muita coisa serviu pra mim e isso é um exercício maravilhoso, posso fazer tbm? Amei cada palavra

    1. Victoria Siqueira às 21:27

      Faz sim Ju, pfvr <3 <3 <3

  19. CDB às 20:34

    Uau! Amei o texto!

  20. Babi Lopes às 18:36

    Pra começar, que música FODA. GRITA nostalgia, e tem um ar de "tudo vai terminar bem". Gostei muito e vou baixar. :)

    Engraçado, em quase todas as cartinhas sempre vai rolar algo de "escute seus pais". Pena que a gente só dá ouvidos pra isso geralmente quando já é tarde demais…

    Acho que as coisas que você escreveu servem muito bem pra mim, Vic. Ansiedade, timidez, aceitação… História da minha vida e coisas que eu ainda luto muito contra :/

    Bêjim :*

  21. Viviane Silva às 17:54

    Ha Vic ficou demais.. to tão sensível esses dias que chorei!
    Pois é, a coisa aqui tá feia pro meu lado, estou aqui pensando na minha!
    Beijos, vc é d+

  22. Luh Testoni às 17:52

    AMEI! to fazendo a minha e olha…puta exercício <3

    1. Victoria Siqueira às 19:39

      Sim <3 chorei nonstop? CHOREI SIM <3

  23. Kim às 16:59

    Obrigado de novo…tava me sentindo um lixo.

    1. Victoria Siqueira às 17:30

      Não se sinta. E que bom que você se sentiu melhor depois de ler esse post :D

      Beijo!

  24. Kim às 16:50

    nossa brigado eu nem terminei de ler mas brigado mesmo

  25. @bpadthai às 16:46

    Gostei da sua cartinha, Vic. Tem tanta coisa aí que eu não conseguiria escrever para mim mesma, e sei que nem daqui a dez anos vai rolar. Inclusive esse lance de ser uma pessoa solitária, eu só consegui aceitar isso quase que agora. É complicado.

    Mas ei, não sabia que você queria aprender a tocar guitarra!! Também era meu sonho de adolescência, mas só fui evoluir mesmo nisso ano passado :) Beijos :**

    1. Victoria Siqueira às 19:39

      Bia <3

      Então, mas sabe que eu escrevi isso sem pensar muito, porque se eu pensasse, mais da metade das coisas não estariam aqui. Algumas coisas eu tenho aprendido a aceitar, como o lance de auto-estima e de gostar de ser uma pessoa solitária. Outras ainda estou trabalhando para que eu possa melhorar.

      E sim, sempre foi <3. Meu sonho oculto sempre foi ter uma banda, mas sempre foi frustrado pq 1) eu sempre fui tímida 2) achei que eu não tinha talento pra coisa! HAHHAAHA

      Beijo!

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