Parem com essa paranoia da beleza. Sério!

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Não vou mentir: sempre tive uma relação conturbada com a minha auto-imagem. A verdade é que, durante longos anos, lutei em busca de algo que eu não sou e jamais serei. Durante anos sonhei em ser baixinha, magrela, nada de peito, de bunda e da perna fina. Mas não era um sonho meu: eram um sonho dos outros que eu achei que deveria realiza-los. Era o sonho da minha professora de ballet que dizia que eu era muito alta para o resto da turma quando eu tinha 10 anos e 1m63. Era o sonho das pessoas que estudavam comigo aos 11 anos, em que as meninas ainda iam para a escola sem sutiã enquanto eu usava um sutiã 42. Era o sonho da minha mãe, que achava que eu tinha que emagrecer para usar calça cintura baixa. Era o sonho das minhas melhores amigas da adolescência, que usavam manequim 38 e almejavam um 34/36, enquanto eu usava 40/42 e me sentia a mais gorda das criaturas aos 15 anos, 1m70 e 62kg. E era o sonho de todos ao meu redor que eu fosse menininha, delicadinha, meiguinha, quando na verdade sempre fui desastrada e estabanada, sobretudo, por conta da altura (hoje já aceitei que é um traço da minha personalidade mesmo).

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Crescer nos anos 90 e comecinho dos 2000 teve seu lado bom e também, seu lado ruim e cruel. Se hoje existem milhares de bandeiras hasteadas nos dizendo que temos que nos aceitar como nós somos, naquela época isso era algo absolutamente raro. Na verdade, era ao contrário: dizer que gostava do que via no espelho era quase um pecado e você automaticamente ganhava o apelido de “tassia-achando” ou era considerada como metida e esnobe. E que eu, sem fazer parte do “padrão” que “eu” sonhava, comecei a admitir que eu era feia. Se as pessoas me elogiavam, diziam que elas eram cegas e eu era feia. Foi uma forma que eu encontrei de balancear minha “ausência de beleza” para parecer ser legal para as pessoas e poder chamar a atenção de outro jeito, ainda que eu estivesse me massacrando por dentro. Nessa época, ser modelo era a profissão dos sonhos e as revistas para adolescentes não falavam sobre outra coisa -e você poderia não querer ser, mas era induzida a parecer uma. A lógica do peso era a seguinte: no mínimo 20kg a menos do que os centímetros da sua altura. Por anos, sonhei em pesar 45kg, na minha cabeça perfeitos para o meu 1m70. Dietas malucas, ginástica em casa com os vídeos da Solange Frazão… tudo em vão.

O fato de eu ter criado uma “baixa auto-estima de estimação” nunca me impediu de gostar de me arrumar, de comprar roupas ou de usar maquiagem, pelo contrário: me ajudou a criar uma casca de antes (~~~~feia~~~~) e depois (~~~~arrumadinha~~~~). O problema é que chegou num nível que eu só me sentia bem quando estava maquiada e a ideia de sair de casa sem pelo menos uma base ou corretivo de casa era aterrorizante –mesmo com os vários anos de tratamento contra acne, algumas manchas ficaram misturadas as minhas sardas de sol, isso sem falar nas minhas olheiras e alergias de contato.

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Precisei de alguns anos aprendendo a lidar com a minha insegurança e minha baixa auto-estima para superá-la e, sendo sincera, ainda tenho um bom caminho pela frente. É um processo longo, uma coisa que nós vamos construindo dia após dia, até percebemos que o que é importante é nos sentirmos a vontade com a gente mesmo, e não para os outros. Afinal, quem carrega essa pele e se olha no espelho todos os dias não são as pessoas ao nosso redor, e sim nos mesmos. Se alguém está definindo como você deve ser, é porque tem algo de MUITO errado.

Nesta minha caminhada, já aprendi duas coisas importantes. A primeira é que, o fato de me sentir bem comigo mesma não impede de mudar o que me incomoda ou de recorrer a outros artifícios, como a maquiagem, dieta ou tratamentos estéticos, desde que seja uma mudança por motivos puro e simplesmente pessoais, e não externos. A segunda é que as minhas escolhas só importam à mim mesma, sobretudo, quando o assunto é aparência. Já tinha falado um pouco sobre isso neste post e devo reforçar que não existe nada mais libertador do que ser você mesma.

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Foi por estes e outros motivos que eu abracei a campanha do #StopTheBeautyMadness antes mesmo da Ari ter me convidado para publicar minha foto sem maquiagem. Nem todo mundo admite para si mesmo que é afetado por estes milhares de padrões de beleza e conduta, e muitas vezes, é por não perceber como isso o afeta. Desde que a campanha chegou por aqui, li alguns comentários dizendo que “só é afetado quem se deixa afetar” ou que é uma hipocrisia mulheres que usam maquiagem diariamente, sobretudo as ligadas em blogs de beleza e maquiagem, estarem aderindo a campanha e postando fotos sem maquiagem ou incentivarem outras mulheres a deixarem a maquiagem de lado, tudo isso em meio a tantos comentários positivos sobre a iniciativa e muitos depoimentos de pessoas que se sentem afetadas por estes padrões. Isso sem falar que com o passar dos dias e do crescimento da campanha, a proposta tem sido distorcida: se por um lado muitas meninas estão passando a mensagem para frente e incentivando amigas e seguidoras a fazerem isso, outras tem colocado isso como uma aposta valendo um prêmio, como se um rosto lavado e real fosse um castigo -e indo contra justamente, a proposta da campanha.

Alguns psicólogos consideram a imposição ao padrão de beleza como uma violência silenciosa contra a mulher, uma vez que o valor de um corpo perfeito ou do rosto impecável são padrões constantemente associados com a felicidade e sucesso na vida, em contrapartida de que uma pessoa acima do peso ou com algum traço que não corresponda ao “padrão ideal” é considerada uma perdedora -basta uma voltinha no Instagram para perceber que se, você não gosta de academia ou não faz uma dieta é considerado um fracassado. Para se ter uma ideia do quanto a ditadura da beleza afeta as mulheres, um balanço divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo em 2013 apontou que, a cada dois dias, uma pessoa é internada por complicações devido anorexia ou bulimia no SUS. Outro número assustador que 77% das entrevistadas na cidade de São Paulo estão propensas a desenvolverem algum destes distúrbios.

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No caso do #StopTheBeautyMadness, acredito que a questão do movimento vá além da maquiagem e sim, sobre como nós nos posicionamos no meio destes padrões. É ouvir um pouco mais da nossa voz interior, não as vozes externas que nos ditam que uma hora peito grande é legal, mas dali 5 anos, virou ~out~ e a moda agora é ter peito pequeno. É respeitar nossos limites quando as as mudanças passam a ser mais pelos outros do que por nós mesmas. É usar maquiagem porque ela valoriza o que você tem de melhor e não virar uma escrava dela. É adotar uma dieta saudável e seguir uma rotina de exercícios, ainda que para emagrecer, mas sem virar uma paranoia em busca de um corpo que os outros dizem ser perfeito. É comer de forma saudável mas não ficar noiada se comer um brigadeiro no final de semana ou recorrer a dietas estúpidas, altamente prejudiciais para a saúde. É entender que se aceitar não é se conformar, mas entender quem você é, o que você quer ser e quais objetivos você quer alcançar para se sentir bem consigo mesma. É adotar a vaidade como uma opção e não uma obrigação. Como eu já disse em outro momento, a vida é muito curta para a gente não ser feliz com a gente mesma, de não viver a vida como deveríamos viver por não preenchermos um requisito que alguém disse que é o certo. E sim, eu faço dieta para emagrecer, e sim, eu continuo amando usar maquiagem. A diferença é que hoje eu faço isso por mim, porque eu quero me sentir bem e não pelos outros. Tem dias que eu me sinto “feia” e volto a me sentir a vontade só quando me arrumo? Sim, se eu disesse que não tenho meus dias ruins e de recaída, estaria mentindo. Se é fácil? Não é, nem ferrando. Mas se fosse fácil, chamaria miojo e não vida.

O #StopTheBeautyMadness pode não ser a solução de todos os problemas, mas é um primeiro passo. Pode não acabar com a paranoia em busca da beleza perfeita, mas é o início de um debate. Não vai fazer com que uma pessoa que já esteja em um círculo vicioso perceba que ela precisa de ajuda, mas fazer com algumas meninas perceberam que para tudo existe um limite saudável. Não vai fazer com que a mídia deixe de massacrar-nos com exemplos de pessoas perfeitas, mas é mais uma bandeira levantada em prol da beleza real. É para ajudar a construir um mundo melhor e mais justo com as mulheres para minhas filhas, netas, bisnetas e taratanetas. E acredite: se ninguém der o primeiro passo e ficar no conformismo, isso nunca vai mudar. E é por isso que eu não só apoio como acredito pra caramba nesse movimento, como uma pessoa que foi massacrada pelos padrões e que agora luta para se sentir bem com a própria pele.

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E essa sou eu por debaixo da franja, do primer, de base, corretivo, pó, delineador, blush e batom. Antes de uma pele cheia de sardas, manchas de sol/acne, olheiras e alergias, uma pessoa comum que em busca da felicidade além do que os olhos alheios enxergam e de um corpo/rosto perfeitos. Que aprendeu que de nada adianta buscar um objetivo estabelecido pelos outros se eu não me sinto feliz comigo mesma. Como eu disse ali, continuo amando maquiagem (e fazendo coleção de batons), continuo fazendo minha dieta porque quero e preciso emagrecer, mas agora aprendi a lição e espero que outras também aprendam.

Outras amigas lindas fizeram posts sobre o assunto e fica a recomendação de leitura: Lia Camargo, Dani Cruz, Bia Lombardi, Joyce Nunes, Fê Pineda e Julia Guedes.

PS: a playlist no começo do post são algumas das canções do pop que já falaram sobre esse assunto e trechos de algumas delas ilustram este post :)

33 comentários em “Parem com essa paranoia da beleza. Sério!”

  1. Viviany às 14:41

    Adorei seu texto, ainda mais a frase " não existe nada mais libertador do que ser você mesma." (sim voltei no texto só pra pegar esta frase hehe). Adorei as imagens com letras de músicas que falam de ser você mesma, neste estilo de música "be yourself" gosto da who you are da Jessie J e todas que você colocou nas imagens, só não conhecia a "unpretty" mas estou ouvindo agora rs. Beijos, adorei seu blog.
    simplesitgirl.blogspot.com.br

  2. estela às 19:01

    Me identifiquei muito com seu post…pois tive minha adolescência nos anos 90 e eu ao contrario de vc sofria por ser muito baixinha (tenho 1.40) e sempre era zuada e vista como criança pelos meninos q eu gostava….
    Hj não tenho problema nenhum com a minha altura, mto pelo contrario! Como vc disse…nada como a maturidade!

  3. Maria Cecília às 20:52

    Esse texto era exatamente o que eu estava precisando ler! É a primeira vez que entro aqui e já virei fã! Que lindo esse layout!
    Eu fui criada pelo meu pai, o que sempre me fez chegar atrasada nos quesitos moda e maquiagem, mas isso nunca me preocupou muito sabe?
    Porém, sempre tem dias em que acabo me sentindo menos especial do que realmente sou, e suas palavras me ajudaram a lembrar de que cada pessoa é linda da sua maneira.
    Beijos!

  4. Isa às 20:14

    Seu post ficou maravilhoso e a playlist deu um toque especial pra todo esse tema. Eu concordo com você e super apoio essa campanha mais pelo motivo de sermos felizes com o que nos faz feliz. Como você disse, a maquiagem te faz feliz, fazer academia/exercícios/dietas.. Se essas coisas fazem a gente feliz, ótimo! Mas vale lembrar que não precisamos de muita coisa para sermos felizes e nos sentirmos lindas e bem! E Vic, você é linda com e sem maquiagem! =)

  5. camila lacerda às 14:08

    Falou tudo o que estava engasgado em mim..
    Me da nojo de ver meninas gastando rios de dinheiro com produtos de beleza que só mascaram o que elas são… Cada mulher é única e tem sua beleza, sem exceção;
    Falta amor próprio, apenas isso….
    Não gosto de make e uso sempre o básico!! Existe vaidade demais e esquecem de cuidar do interior…
    http://www.chadecalmila.com

  6. Dayane às 22:21

    Sabe o que acho triste? É que online tudo é lindo, as pessoas são livres de preconceitos, as pessoas postam fotos de cara limpa e dizem que não sentem vergonha de quem são, que se aceitam, que via a diversidade uhuuu!
    Mas ai você está numa sexta-feira se arrumando no quarto com as amigas para uma festa e aí você lida com toda aquela merda de "nada me serve", "tô gorda", ou vai almoçar com as colegas do trabalho e começa a putaria de "não posso comer muito", "nossa como eu tô gorda" (e olha que a única gorda de verdade sou eu, e a única que não reclama dessas merdas).
    Com estas coisas eu fico pensando o que posso fazer para ajudar estas pessoas a mudarem também na vida real, porque no online é fácil ir na onda dos outros, mas na verdade elas ainda são cheias de complexos e seguem padrões cegamente….
    Enfim, foi mais um desabafo pois acabei refletindo sobre o tema.
    E seu post ficou maravilhoso. As imagens bem escolhidas, frases fodas :)

  7. Luly às 15:55

    ADOREI o texto, Vicky! Você simplesmente falou tudo o que muitos de nós quer falar, mas que fica agarrado aqui dentro por faltarem palavras.
    Com tudo isso que tá rolando eu comecei a ler bem mais cuidadosamente o que as pessoas têm falado sobre o assunto. Ainda ontem fui ler os comentários no Facebook de um amigo que postou sobre a grande polêmica da semana das fotos da Jennifer Lawrence… Enquanto muitos caras estavam lá admirando a garota esse simplesmente soltou algo como "essas artistas têm que aprender que na hora de tirar foto sem roupa precisa usar maquiagem também".
    OI? Fiquei chocada em saber que existem pessoas babacas o suficiente para achar que uma pessoa não pode ser ela mesma de "cara lavada" nem mesmo nos próprios momentos íntimos que, aliás, nem eram pra ter saído na internet afora. Cheguei a escrever umas poucas e boas pro cidadão, mas no fim apaguei tudo porque no fim das contas ele ia responder com mais grosseria e paciência tem limites.
    Estou pensando seriamente em fazer um post sobre isso também. Para que as pessoas parem de achar que para ser bonita é preciso maquiagem e também para parar isso de que mulher que usa maquiagem é fútil. Tudo uma grande baboseira. A gente tem que continuar divulgando certo, isso sim, para tentar fazer com que a ditadura da beleza diminua e no lugar dela a "ditadura" do sorriso, da saúde, da aceitação!

  8. yasnaya às 15:01

    Muito bom ler isso sabe.

    Temos nossos próprios dilemas e ainda ter que suportar imposições dos outros é um saco.
    Além da beleza, também na sua vida profissional, ou seja, o camarada (gente chata, a mídia) se mete em tudo meo… Bem, mas é de iniciativas assim que eu me sinto mais leve sabe haha, tipo #tamojunto #nãosouobrigada então tudo fica melhor :)

  9. gabbe às 12:26

    Me identifiquei demais com seu texto, a vida inteira eu fui e sou louca no meu peso, eu quero ter 45kg a tempos, já passei dias sem comer, ainda tenho essa paranoia até hj :z

    vi seu blog numa indicação e amei seu cantinho, passa lá no meu blog, tem post novo e fanpage pra curtir ;)
    Blog: Wow, Lovely!

  10. Julia às 10:24

    Vic!
    Me identifiquei muito com o seu texto. A adolescência foi uma época meio traumática tendo em vista espinhas em excesso, sobrepeso e pessoas sem noção a minha volta. Mas a maturidade vem e muda as coisas. Beijo grande.

  11. lari às 11:32

    que legal que você voltou!

    1. Victoria Siqueira às 14:41

      Voltei Lari ;D

      E agora é pra ficar <3

  12. Viviane Silva (Anny) às 10:46

    Sabe Vic vc consegue expressar tão bem acho o que na maioria muitas meninas pensam, o padrão de beleza ideal no meu ver é aquele em que vc se olha no espelho e gosta do que ver, esse negocio de que tem que ser magra para ser bonita na minha opinião é uma p…ta palhaçada. Eu sempre fui magra e nunca me senti bem com o meu corpo, sempre comi feito uma louca e tomei vitaminas e complementos, para engordar e me senti bem comigo mesma. Mas foi nessa que eu me toquei que eu não fazia isso por mim, mas pelas pessoas ao meu redor que ficavam buzinando no meu ouvido que se eu engordasse alguns kilinhos que ia ficar linda de corpo. Sofri com piadinhas de mal gosto na escola, mas graças a Deus o tempo passa, e a maturidade vem, hoje digo a você que eu sou uma pessoa linda kkkk (pois é), mas não por beleza externa, mas porque passei a me aceitar da forma que eu sou.
    Nossa dava um post no meu blog esse comentário rsrsrs

    Bjs

    1. Victoria Siqueira às 21:21

      A maturidade ajuda muito a gente né? Olho pra trás e vejo o quanto eu mudei e o quanto eu fiquei mais segura sobre o que eu penso e o que eu espero da vida.

      Beijo lindeza!

  13. Mari Cruz às 08:02

    temos histórias bem parecidas em muitos pontos… tb sempre me achei a mais alta e a mais gorda… sempre sonhei em pesar o que minhas amigas pesavam e vestir 34 ou 36… mas nunca consegui e nem vou, porque essa não é minha estrutura… mas só hoje eu vejo isso, por ano eu sofri MUITO.
    eu tb fiz um post sobre isso >> http://marianacruz.com.br/stopthebeautymadness/
    beijos :)

    1. Victoria Siqueira às 21:23

      É duro, Mari. Anos depois eu realmente engordei bastante e hoje tento correr atrás do tempo perdido, mas agora me contento de voltar pro 40. Tenho bundão, peitão, coxão, nunca vou conseguir ser magrela. Antes ficaria triste, agora tá tudo bem -mas confesso que as vezes tenho recaídas.

      Vou ler o seu tb! <3

      1. Mari Cruz às 22:09

        ahhhhhhh… 42 pra mim tava mais do q bom :P

  14. Cris Nishihara às 00:33

    Fique emocionada enquanto lia o texto, porque nossas feridas se assemelham.

    Temos quase a mesma idade e crescer nos anos 90 foi uma GRANDE MERDA. O ambiente escolar sempre é bem hostil, as crianças são cruéis, fora que o padrão de beleza, magruinha, cabelos lisinhos e piercing no umbigo perdurou por toda a década.

    Tive depressão, por duas vezes. A aparência esteve envolvida em ambas as causas de modo indireto. Cheguei a não querer sair de casa, com maquiagem ou sem. Hoje, apesar de superar, me aceitar e me amar, ainda sinto que as cicatrizes estão bem sensíveis.

    Mas vamos falar de coisa boa: Você é linda DEMAIS! *________*

    1. Victoria Siqueira às 21:28

      Sabe o que isso significa? QUE PRECISAMOS SER AMIGAS! HAHAHAHAHHAHA

      Mas falando sério: crescer nos anos 90 foi uma bosta pela pressão e por não ter esse conhecimento sobre o bullying. Crianças e adolescentes são muito cruéis e se você saísse um pouquinho que fosse do padrão, já era o suficiente pra ser alvo da zoeira.

      Eu tenho TAG controlada, que foi diagnosticada qnd eu tinha 21. Na adolescência, tive bulimia. Eu entendo melhor que ninguém a dor de ir atrás de uma perfeição que é pros outros, e não pra mim. Hoje eu faço dieta acompanhada de nutricionista pq quero emagrecer, por mim, e não pelos outros. Mas né :~~

      E olha quem fala. Suas fotos ficaram DEMAIS. Preciso voltar pra comentar, pq vi os posts do celular hoje :~~~~

      Beijo!

  15. Fernanda às 21:46

    Seu post foi um dos melhores que eu li sobre o projeto do #StopTheBeautyMadness desde que ele começou.
    Acho que não conheço nenhuma mulher que nunca tenha sofrido com a questão do padrão que a sociedade impõe sobre nossos corpos. A começar por mim mesma, quando eu tinha por volta dos 14, 15 anos, eu me achava super gorda porque diziam pra mim que eu era (sendo que eu tinha 1,58m e pesava uns 50kg, ONDE ISSO É SER GORDA?). Eu entrei em depressão bem novinha mesmo e fiquei um bom tempo super pilhada com essa e outras questões (como o meu cabelo, por exemplo, que é crespo).
    Sei lá, tenho aprendido muito sobre mim mesma e sobre a imagem que eu quero pra mim. Estou como você, trilhando um loooongo caminho em busca de fugir dessa obsessão pela aparência, pelo corpo perfeito, etc.
    Me identifiquei muito com o seu texto!
    E você é linda!
    Beijos :)

    1. Victoria Siqueira às 21:45

      Nhoim Fernanda, obrigada <3

      Então, eu te entendo bem. Eu não era gorda, mas me diziam que eu era. Eu tentava entrar numa loja de ~grife~ pra comprar um jeans e não tinha número 42. Ou quando tinha, era pequeno. Triste né?

      Mas fico feliz de ver que eu, você e outras meninas não nos deixamos nos abater por conta disso. E fico ainda mais feliz com campanhas como essa <3

      Beijo!

  16. isaribeiroliv às 14:26

    NOSSA! AMEI! Parabéns mesmo!

    1. Victoria Siqueira às 21:45

      <3

  17. Natália Oliveira às 19:27

    Sofri com você durante o texto. Se hoje, que temos todas essas campanhas de auto-aceitação, as pessoas não param de julgar a "feiura" das outras, imagina nos 90's? Eu também tinha vários problemas de auto-estima. Nunca me achei bonita e tenho plena noção de não ser um projeto de Barbie, mas aprendi a enxergar o que eu tenho de melhor além da beleza. Sabe, aparência não é tudo; e eu tenho pena das pessoas que acham que é, porque a velhice tá cada vez mais perto (apenas inevitável).
    Acho super legal blogueiras que, como você, têm esse ponto de vista e se preocupam em transmitir isso pras leitoras.
    <3

    1. Victoria Siqueira às 21:47

      Nhoim, obrigada Natália. Não me sinto sozinha lendo comentários como o seu.

      A gente aprende a destacar nosso melhor. E eu aprendi que quem fica procurando nos outros a perfeição não merece meu respeito -apenas meu desprezo hehe.

      Beijo! <3 <3 <3

  18. Maki às 16:38

    Adorei demais o texto. Expressou bem uma coisa que eu sinto bastante e me identifiquei demais com a sua história. Acho que a maturidade, o crescer, ajuda muito a perceber que não precisamos fazer nada para agradar ninguém, mas mais importante do que isso é todas termos a noção de que somos lindas independentes de qualquer coisa. Amor próprio tem sempre que vir em primeiro lugar.

    1. Victoria Siqueira às 21:48

      Nhoim, obrigada Maki <3

      A maturidade muda muito a gente e eu queria muito que as meninas que sofrem hoje pudessem saber que no futuro, tudo isso passa. Por isso, acredito que campanhas como essas possam ajudar nesse ponto.

      Beijo!

  19. Vanguedes às 11:46

    Adorei o texto. Já vinha pensando esses dias que o proposito da campanha estava se perdendo e virando uma grande piada. No fim das contas acaba funcionando, porque textos como esse surgem e acabam elucidando uma ou outra pessoa.

    Parabéns pelo texto e pela superação.

  20. Ericka Rocha às 10:16

    Seu texto ficou INCRÍVEL, Vic! Eu, ao contrário de você, sempre quis ser mais mulherão! Sofro até hoje com o padrão Panicat e acho que um corpo cheio de curvas é muito mais natural e saudável que um corpo magrelão. Confesso que mesmo querendo ter um padrão diferente do meu, sempre soube que mudar a nossa genética vai muito além de uma academia, dietas malucas e todas essas coisas que se apresentam pra gente como soluções simples, não são o caminho. É preciso encontrar a beleza se olhando no espelho, se aceitando, aprendendo a lidar com o que nos incomoda e viver em paz com isso! As maquiagens, a moda, os padrões precisam ser adaptados a vida real e isso é um processo que precisa acontecer na cabeça da gente – porque o mundo tende a ditar padrões, não tem jeito. Cabe a nós aceitarmos ou não essa imposição.

    Um beijão!! =D

  21. juliaguedes às 10:03

    você veja bem que eu deveria ouvir mais a debs, porque sempre vejo ela falando que você é uma querida mas nunca tinha entrado no seu blog. me identifiquei demais com o seu texto (só que eu era magrela, dentuça e míope até dizer chega) e amei as músicas e as imagens <3

    ah, e brigada por ter indicado meu texto :)

    beijão e a gente se vê mais por aqui, com certeza!

  22. Lidi Faria às 09:46

    Dias atrás escrevi um post sobre um tema parecido. Não era sobre a campanha em si, mas sobre a obrigação de se sentir linda todos os dias e não saber aceitar que há sim dias ruins e que eles nos ensinam muito.
    Se sentir linda vai muito além do externo, e que bom que estamos neste caminho de descoberta. :*

    ps.: amei a versão mobile do blog. Um espetáculo. <3

  23. Andressa às 09:44

    Vic, que texto foda! Achei legal você compartilhar sua experiência com a “paranóia da beleza” e concordei com tudo o que você disse sobre se sentir bem com a gente. Tenho passado uma fase chata de baixa auto estima e ver mulheres que eu admiro se posicionando contra essa loucura que é a ditadura da beleza/magreza. Dá uma acalmada no coração <3 Parabéns e obrigada por ser essa mulher linda e inspiradora!

  24. Janice Cordeiro às 09:42

    Nossa, muito legal o seu texto!!
    Podemos e devemos ser livres para usar ou não maquiagem, mudar ou não o cabelo, usar roupa da moda ou não, emagrecer ou engordar, enfim, cada um deve ser o que é ou o que quer e pronto.
    Chega a ser quase um "cada um que cuide da sua vida", porque quem é um ou outro para ditar o que é melhor para nós? Cada um sabe de si, de suas dores e alegrias.
    Se você não se importar, vou linkar seu texto no meu blog, porque de fato me identifiquei muito, e acredito que algumas de minhas amigas vão gostar e se identificar também.
    Beijos!

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