Fazer 30 anos foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo

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Disclaimer: este post não tem objetivo de ser autoajuda, muito menos mais um daqueles “a incrível geração que”. Trata-se apenas de uma reflexão pessoal compartilhada e se você se identificar com algo, que bom: me dá um abraço aqui, você não está sozinho(a) <3

É engraçado a forma com que a gente trata certas idades como um grande marco das nossas vidas. Aos 15 anos debutamos, com toda aquela pompa, brilho e comemorações que enaltecem a nossa adolescência. Aos 18, comemoramos o ápice da nossa juventude e o direito de dirigir, beber, entrar em certos lugares e outros pequenos prazeres até então proibidos para nós. Aos 21, idade que muitos se formam e começam a dar os primeiros passos da carreira, acreditamos por alguns instantes que somos maduros o suficiente a ponto de saber muito sobre a vida, quando na verdade colecionamos algumas dezenas de erros facilmente justificados com o lemas YOLO (na linguagem xóvem, “you only live for once”) ou “live fast, die young”.

Dos 22 aos 29, é como se a caminhada para os próximos anos de vida fosse a mesma de um condenado a caminho do seu leito de morte. É sensação de que a cada vela soprada nos parabéns também apagasse a leveza de viver, transformando sonhos e planos em cinzas enquanto o pavio é queimado pelo fogo. O que antes era sinônimo de comemoração, sorrisos e abraços, torna-se um fardo com na jornada até os 30.

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Eu já estive lá. Já fiz parte do time de jovens que acreditavam que aos 30 seriam adultos responsáveis e pais de família. Que respondiam no caderno de enquete do colégio que aos 30 estariam no auge de suas carreiras, casados, com alguns filhos e vivendo uma vida digna de comercial de margarina dos anos 90. Mas tudo isso sem antes, colecionar carimbos no passaporte, conhecer o Mickey antes dos 15, viver alguns meses ou anos em algum país distante, tirar carta e dirigir assim que completar a maioridade, frequentar o bar e as festas da faculdade. Situações que nem sempre condiziam com a nossa realidade, sonhos muitas vezes impostos por padrões sequer questionados, exemplos seguidos quase em piloto automático, sem que ao menos tivéssemos a chance de nos questionarmos sobre as reais necessidades e ouvir nossos próprios desejos.

Ao longo da caminhada aos 30, fui vendo alguns destes planos traçados em piloto automático e planejados folha após folha no caderno de enquete, estavam cada vez mais distantes da minha realidade. Cometi o erro inúmeras vezes de comparar a minha vida aos 25 com a dos meus pais na mesma idade, lá na década de 80, quando já estavam casados e planejando o primeiro filho. Me peguei pensando muitas vezes em como seria minha vida se ela tivesse saído exatamente como eu havia planejado aos 14 e não sabia sobre absolutamente nada da vida. Se tivesse ignorado meu coração e seguido carreira da minha primeira formação mesmo não me vendo trabalhando ali durante muitos meses. Ou ainda, se tivesse arrastado um daqueles relacionamentos meia bocas que eu colecionei ao longo destes anos todos em prol da construção da família ideal antes dos 30. Sempre saia deste círculo vicioso exausta e principalmente, frustrada por não atender às expectativas do que julgavam como o ideal, enquanto me diziam que eu não tinha foco o suficiente. Fazia um autoflagelamento mental, achando que eu não era boa, bonita, inteligente ou incrível suficiente para cumprir todos os requisitos, gerando uma ansiedade desnecessária por conta desses sentimentos de insatisfação e inadequação aos olhos alheios.

A virada de chave começou quando sai da bolha, expondo e confrontando meus próprios medos e principalmente, observando ao redor e percebendo que eu não estava sozinha. Notar que algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço passaram pelas mesmas aflições e medos fez com que eu começasse a refletir e entendesse que estava ok em não seguir esse plano pré-definido de vida, em protelar alguns sonhos, em ter que abrir mão de outros no meio do caminho e que ainda assim, no final dele, estaria tudo bem. Perceber que não só o mundo, mas que eu também havia mudado, foi libertador.

DIÁLOGO ENTRE JUNE E CHLOË EM DON'T TRUST THE BITCH IN APARTAMENT 23, MAS QUE PODERIA SER ENTRE EU E UM AMIGO

Diálogo entre June e Chloê em Don’t Trust The Bitch In Apartament 23, mas que poderia ser entre eu e qualquer amigo(a) na crise dos 30

A chegada dos 30 me ajudou a desconstruir este padrão de perfeição e felicidade que é imposto desde o momento que a gente nasce, reconhecendo que existem outras mil maneiras de me sentir confortável com quem eu sou e com o que eu quero da minha vida. Devolveu a leveza de viver, de não seguir ou precisar me adequar a certos protocolos, de ser mais gentil comigo mesma e de ligar o modo “foda-se” para as coisas que não agregam. Me fez entender que a vida é dessas mesmo, cheia de surpresas, mudanças, falhas, tombos e conquistas, mesmo que a gente não as reconheça na correria do dia a dia. Mas a lição talvez mais importante de tudo foi entender, de uma vez por todas, que a vida não é só feita de escolhas, mas também de perdas e que nem sempre querer muito algo é o suficiente para poder e conseguir.

Se eu me trocaria pela Victoria dos 20? Não, mesmo com o metabolismo funcionando a passos cada dia mais lentos, com os primeiros fios de cabelo branco nascendo, disposição não sendo mais a mesma de anos atrás e a pele cada vez mais flácida. Que bom que erramos, aprendemos, amadurecemos e envelhecemos –e talvez esteja aí a magia da vida.

24 comentários em “Fazer 30 anos foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo”

  1. Natália Oliveira às 11:40

    Vic, quer ser minha amiga? kkkk
    Mesmo estando “longe” dos 30 essa pressão existe na minha vida. Porque pra namorar por 5 anos, casar e ter filhos aos 25 eu já deveria ter achado meu príncipe há muito tempo. E eu também já deveria ter uma poupança suficiente pra dar entrada num apê e já deveria ter certeza que o curso que eu escolhi na faculdade vai me permitir ter a profissão que eu amo.
    Acho que me faltam amigos que estejam nessa mesma página, tão perdidos quanto eu, pra gente se livrar dessa neura junto. Sério, eu sou uma pessoa boa, sou interessante, mas sou diferente do padrão de felicidade imposto. Não que eu seja o exemplo de felicidade, não sou. Mas o que é uma vida sem uma bad?
    Enfim, fico muito feliz que você tenha encontrado essa segurança e que ainda tenha disposição pra vir aqui e contar pra todo mundo que a gente pode ser feliz do jeito da gente. Beijão

  2. Mareska às 23:51

    Ainda tô tentando lidar com/lutar contra a ideia de MDS EU TENHO 30 E CAGUEI MINHA VIDA porque tive um maravilhoso combo de faculdade errada + depressão logo depois, e não tem muito mais de uns 3 anos que eu descobri mais ou menos qual o rumo que eu quero pra minha vida, sendo que OBVIAMENTE não é o rumo mais fácil. Considerando que parte das minhas Grandes Decisões Cagadíssimas foram tomadas pelo meu eu de uns 20 anos, também não trocava não. Agora, apesar dos pesares, pelo menos eu sei o que eu quero fazer.

  3. Luana às 21:20

    Exatamente hoje eu tava ali chorando no cantinho por causa dessa angústia louca do “tô velha, tô deixando o tempo passar e não tô fazendo tudo o que deveria”. Eu tenho percebido que não é algo meu, mas isso não faz as coisas serem mais leves, eu preciso aceitar que:
    1 – Não tô velha
    2 – Mesmo que estivesse ainda tô viva e bola pra frente fazer a vida acontecer como quero
    3 – Se não fiz coisas X eu fiz coisas Y e ainda não descobriram um jeito de fazer tudo ao mesmo tempo
    É bom escrever isso em algum lugar pra deixar claro que: calma, vai dar tudo certo. Na verdade tá dando já porque não tem nada errado.
    É bom também ver post novo por aqui <3

  4. Maria José às 19:28

    Vic, que texto emocionante!
    Tenho 26 e já estou enfrentando essa crise dos 30, nem sempre consigo ligar o botão do “foda-se”, mas quando aperto meu dia melhora muito.
    É bom saber que não sou a única que passa por isso!
    Parabéns pelos 30! Saúde e sucesso, sempre!
    E não demore muito a atualizar novamente o blog!
    Beijos!
    http://mundodemj.blogspot.com/

  5. Carolina Rosinelli às 22:58

    Tamo junto, Vic \o/
    Tenho 28 e hoje me sinto mais feliz, porque realmente é como uma amiga aí de cima mencionou: Aos 20 compramos brigas desnecessárias, aos 30 aprendemos a dar valor ao que realmente importa!

    Amei o seu texto!

    Beijos!

    1. Victoria Siqueira às 13:53

      É bem isso, Cá. A gente vai deixando o que não importa pelo caminho e reescrevendo nossa história. É mágico! <3 <3 <3

  6. Paty às 19:19

    Vic, como é bom te ver de volta! Como é ler o que cê escreve… menina, te falar: lembro de como você influenciou minha vida! Me fez entender que era super ok gostar do Creed, BSB, Spice Girls e Paris Hilton; usar saltão, unha vermelha por aí pela vida… Acompanhar o teu estilo (desde a época saquem layout “My Wall”, eu acho) me fez, aos poucos, descobrir o meu… E sim, cê não tá sozinha! Acabei de fazer 28 e tô numa puta crise de identidade… Mas muito feliz por aos poucos estar descobrindo cada vez mais quem eu sou! Amo tu!

    1. Victoria Siqueira às 13:52

      AI MEU DEUS QUE COMENTÁRIO MAIS AMOR BEM NA MINHA VOLTA <3 Poxa Paty, fiquei muito feliz e emocionada em ler isso, de verdade. Principalmente porque eu passei muitos anos da minha vida tentando aceitar meu estilo, em ser uma pessoa de muitas facetas e gostos, enquanto era pressionada a “aceitar'” só um lado. A vida tem tantas facetas, o mundo tem tantas oportunidades, porque deveríamos nos contentar só com 1 deles? Vou até escrever um post sobre isso! hahaha <3

      E os 30 serão maravilhosos, você vai ver! :D

  7. Thiago às 18:47

    Estou com 25 anos e às vezes me bate um desespero de tentar entender o que estou fazendo da minha vida… Mas, como você mesma disse, acho que essa é a graça da vida! Adorei o post e que bom que você voltou!!!

    1. Victoria Siqueira às 13:48

      Thi, vai passar. Acho que todo mundo nessa fase dos 22-29 se questiona e passa pelo momento “qq tá aconteceno?”. Mas passa e é maravilhoso, juro <3

  8. Camila Amorim às 10:58

    É exatamente essa a graça da vida <3

    1. Victoria Siqueira às 13:48

      <3

  9. Zilah às 10:29

    Há um ano to me perguntando que magia é essa dos 30! Hahaha você descreve bem o que senti também.

    1. Victoria Siqueira às 13:47

      30, melhor idade <3

  10. Suzi às 02:26

    Garota, que bom que voltou. Bem vinda de volta.
    Passar dos 30 é bem mais do que virar a chavinha mesmo. É ter maturidade para entender que não sabia de nada do que tínhamos tanta certeza, mas reconhecer o quanto aprendemos na caminhada. E ainda ter a garantia que tem muito pela frente. E que a vida… bem… ela continua com suas imperfeições e sonhos a realizar.
    Vem cá, me abraça e bora ser feliz que, no final das contas, é o que queremos mesmo.
    Beijão

    1. Victoria Siqueira às 13:46

      Exato, Su! Reconhecer tudo que passamos é um passo muito importante nesse processo. Tenho sido muito grata pela oportunidade de envelhecer, de ter aprendido com meus tropeços e de estar cada vez mais liberta dos padrões para viver como eu acredito. *abraça*

  11. Cristina Nishihara às 01:38

    Miga, antes de tudo, você é incrível!

    Muito do que você disse nesse texto são reflexões que tenho há alguns anos. Acho que todas mulheres que cresceram nos anos 90 responderam a algum caderninho cheio de perguntas naqueles dias. Apesar de não ter muita noção da vida, me permitia pensar que minha história seria fácil e cheia de marcos como casamento, casa, carro, filhos. Hoje estou subindo nos ombros dos meus sonhos e correndo atrás de maneiras para me sustentar. Nada de carro, filhos, marido. Luta, entretanto, é o que não sobra!

    Ainda não tenho trinta, faltam cinco para eu chegar lá. Até o começo do ano estava carregando o mundo nas costas… Me achava velha demais e tinha pressa para tudo! Minha vida costuma mudar rápido, minha percepção também. Poucos meses depois me acho tão nova, com tanto para viver e que aprendi a respeitar o tempo. Sei que nada é para sempre, bem mesmo nossas percepções ou nos mesmos. E é incrível pensar no quanto ainda podemos mudar e fazer.

    E essa sou eu aqui de madrugada comentando no teu blog, com meu punhado de cabelo branco que cultivo desde a adolescência, e finalmente exteriorizando: é maravilhoso envelhecer e a cada dia aprender melhor quem somos, aprender melhor a como viver.

    1. Victoria Siqueira às 13:45

      Primeiramente, fora Temer. Segundamente, retribuindo o elogio: miga, você também é incrível QUE MULHER AF <3

      Acho que esse sentimento é mais forte quando se é mulher, né? Tem toda essa romantização da mulher, do sonho do casamento, do sonho da maternidade, do príncipe encantado. É tudo tão pré-definido e jogado no nosso colo que nem sempre a gente para pra pensar se quer isso mesmo. Eu nunca quis casar na igreja e de branco (aliás, odeio branco pois sou gotik), mas durante muito tempo idealizei isso pq me diziam que era assim que tinha que ser. Filhos a mesma coisa: achava que casaria aos 25, teria filho aos 26 e até os 30 estaria com pelo menos mais 1. A geração dos nossos pais já foi mais open mind na questão da mulher trabalhar fora, de ter uma formação. A nossa, cabe quebrar esses esteriótipos e mostrar que tudo bem você querer casar/ter filho antes dos 30, mas tudo bem você deixar isso para depois dos 40 ou sequer ter filhos/casar. Estamos seguindo menos o rebanho e pensando mais na nossa felicidade, romantizando menos a vida e enfrentando os perrengues de frente. Vamos ser mais felizes, e a geração seguinte, provavelmente, vai derrubar outras barreiras <3

      Envelhecer é mágico, é maravilhoso, é incrível. Recomendamos muito! hahaha

  12. Fernanda Rodrigues às 22:42

    VIC, ME ABRAÇA!
    SÉRIO, MUITO, MAS MUITO SÉRIO!
    *Fê pula na Vic*

    Você conseguiu organizar em um post aquilo que ando sentindo desde os 27 e não sabia bem como expressar! :)
    Meus 30 chegam daqui a uma semana e eu estou empolgadíssima com essa ideia de poder ser eu sem a pressão que tinha aos 20. E sabe, agora que eu começo a ver com tranquilidade as mudanças de planos. O que você diz aqui faz sentido, porque é impossível viver uma vida planejada na adolescência, quando não se sabe nada sobre o mundo. Aos 14, 15, a gente ainda não se deparou com a dureza da vida real. Aos 20, a gente compra brigas desnecessárias. Aos 30, acho que a gente começa a dar importância apenas ao que importa de verdade. Essa é a verdadeira magia! :)
    Que essa nova década seja incrível para nós! :D
    Beijos,

    1. Victoria Siqueira às 12:48

      *sai correndo e faz abraço-montinho*

      Eu fiquei exatamente assim, Fê. Ano passado, na véspera dos 30, eu tava sentindo como se eu tivesse me libertando dessa pressão dos 30. Todos meus amigos que passaram por ele falavam a mesma coisa, que os 30 era a melhor idade/década e que eu ia aproveitar muito mais do que na adolescência/juventude. E é verdade:a gente começa a dar menos importância pra que não agrega, valoriza o que faz bem e passamos a ser mais gentis conosco. É maravilhoso <3

      E por uma década com muito BSB pra gente seguir e fazer M&G HAHAHA :p

  13. sininhu às 22:40

    Maravilhosa!
    Que bom que voltou a postar no blog (e chegou arrasando ainda). <3

    A minha 'crise dos 20 e poucos' passou quando fiz 27 anos, tipo mágica. Agora estou com 28 e mal vejo a hora de chegar nos 30!
    Relatos como esse teu ajudam muito as pessoas a perceberem que não precisamos de um padrão ultrapassado para ser feliz e que é normal se sentir assim frustrado com certos aspectos que nos incutiram serem os certos para cada etapa da vida. Na real, a nossa geração talvez seja a primeira a ter essa noção de individualidade e a liberdade de não precisar mais seguir o "rebanho" da sociedade. Cada um faz do seu jeito e ao seu próprio tempo, focando no que é melhor para si.

    Beijos

    1. Victoria Siqueira às 12:45

      É bem isso, Sy. Nós somos a primeira geração que tá quebrando esses padrões e provando que tudo bem não casar e ter filho antes dos 30, são escolhas. Tem quem diga que estamos ficando mais egoistas, mas eu realmente acredito que estamos ficando cada vez mais independentes e sendo felizes com a gente mesmo. Como eu sempre defino: a gente tem que ficar bem com a gente, pq estaremos na nossa pele até o momento da morte. Não adianta viver uma vida querendo seguir o rebanho, buscando uma felicidade que alguém disse que era plena e chegar com 80/90 anos sem ter vivido o que a gente tanto queria.

      Beijo, maravilhosa! <3

  14. Edson às 22:26

    Praticamente a mesma coisa que passou pela minha cabeça quando completei meus 30 anos. Agora com 32 ainda me vejo perdido porém menos assustando e vivendo um dia por vez porque é assim que a vida é.

    1. Victoria Siqueira às 12:41

      Exato! Acho que a nossa percepção de vida muda, né? A gente começa a se importar menos com o que não é relevante,se assusta menos e tenta ser mais racional. É maravilhoso! <3

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