Precisamos falar mais e mais sobre ansiedade

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Disclaimer: esse não é um post triste. É um post sobre esperança, incentivo e reedescobrir a si mesmo.

O ano era 2007. Eu tinha 21 anos, estava no quarto e último ano de uma faculdade na qual eu havia me arrependido ainda no final do quarto semestre. Se a pressão para arrumar um emprego antes de acabar a faculdade era grande, imagina para quem não havia conseguido sequer um estágio e de quebra, não se via exercendo aquela profissão? Mas como desgraça pouca é bobagem, no meio tempo ainda tive uma perda familiar –essa, um dia antes de apresentar meu TCC, feito com muito custo e sempre acompanhada de barras e barras de chocolate para aguentar a tortura mental de estar terminando algo que eu não queria seguir e de desapontar meus pais. Alguns meses, choros a qualquer hora (e lugar) do dia, nós na garganta, dor de barriga e vômitos sem nenhum motivo aparente, decidi buscar ajuda.

Cresci ouvindo que eu era “muito ansiosa”, o que durante muitos anos me fez acreditar que tudo era um traço da minha personalidade. Ouvi também que eu era tímida demais, que eu tremia ou gaguejava quando conhecia alguém ou precisava apresentar algo na frente de todos, que eu deveria me sentir mais segura (o que, diga-se de passagem, nunca aconteceu). Meus amigos diziam que eu era paranoica quando temia que algo de ruim acontecesse com alguém que eu gostasse –aliás, perdi a conta de quantas vezes me peguei batendo 3x na madeira da carteira escondida cada vez que esse pensamento me assombrava. Perdi a conta também de quantas vezes me senti culpada por algo que eu não fiz, das carapuças que vesti sem que coubessem em mim, das centenas de vezes que eu pedi desculpas sem ter feito nada de errado e sentia que só assim, meu coração teria aquela sensação de alívio. Das vezes que eu desisti de sair em cima da hora para ficar em casa, enquanto todos achavam que eu tinha furado porque estava com preguiça. Dos textos escritos e jamais finalizados por não achar que eles estavam bons o suficiente ou pelo medo do julgamento. Dos trabalhos que eu refiz milhares de vezes e ouvia de quem estava ao meu redor de que eu era perfeccionista demais. Das vezes que o coração disparava, a garganta fechava, o ar faltava, a pele arrepiava, os músculos tencionavam e eu chegava ao final do dia com dores nas bochechas porque eu estava mordendo-as por dentro. De não conseguir pegar no sono ou relaxar porque minha cabeça simplesmente não para de funcionar. Das outras milhares de vezes que, bastava algo dar errado para eu estar caçando pela casa um doce –e da vez que eu, num ato de desespero por não ter nada parecido em casa, comi uma colher de açúcar.

Há 10 anos descobri que toda essa angústia tinha nome e sobrenome: transtorno de ansiedade. E então, tudo aquilo que eu havia vivido durante toda minha vida e o que eu viveria em seguida, começou a fazer sentido. Foi libertador, como um pássaro que sai da gaiola depois de viver preso a si mesmo. Porém, ao longo destes anos, fui entendendo que ser ansioso é travar uma batalha diária consigo mesmo e muitas vezes iremos fraquejar e perder esta guerra.

A ansiedade é como aquele zumbido em volume mínimo que você não sabe da onde está vindo, mas sabe que existe e incomoda. Até um dia que o volume aumenta, o zumbido vira uma sirene, ecoa na sua cabeça, ensurdece e você para. A vida fica limitada à tal sirene ecoando na sua cabeça, enquanto você corre de um lado para o outro do labirinto tentando encontrar a saída, ou melhor, reencontrar a si mesmo. E nem sempre a gente acerta a saída de primeira, muito menos na segunda, ou na terceira. Por isso, reconhecer que você tem um problema e buscar ajuda para encontrar o caminho de volta a si mesmo é essencial.

Durante estes anos, tive alguns picos de ansiedade aonde a sirene ecoou mais do que o normal, muitas vezes, sem nenhuma causa aparente, mais ou menos como Britney cantarola em Lucky: “If there’s nothing missing in my life, then why do these tears come at night?”. Mesmo quando as coisas parecem ir muito bem, obrigada, ela insiste em aparecer. Porque quem vive com a ansiedade não se acha merecedor o suficiente das coisas boas que acontecem na vida, sempre esperando a notícia ruim ou que o mundo vai ruir a qualquer momento. E daí a cobrança de não valorizar as pequenas e grandes conquistas. E assim por diante, como em um looping eterno.

Nos últimos 4 anos, eu ignorei os sinais porque oscilava entre momentos que eu me sentia confortável e tranquila e em outros, que a ansiedade ia para níveis estratosféricos justamente por me sentir uma fraude, por não me achar boa o suficiente, apenas aguardando o momento que uma bomba fosse cair no meu colo. Por alguns meses do ano passado, cheguei até a acreditar que enfim havia domado-a quando consegui emagrecer alguns kilos que tinha engordado nos dois anos anteriores e conseguido ficar 1 mês sem comer doces. Ensaiei voltar para a terapia, até conversei com alguns psicólogos, mas sempre arrumava uma desculpa diferente para mim mesma. Até que uns meses atrás, a tal sirene mental me paralisou e eu decidi que era hora de buscar ajuda para enfim parar com este quase auto-flagelo emocional.

A terapia, neste momento tem sido essencial para mim, mais do que na minha primeira crise de ansiedade 10 anos atrás. Se lá tive o alívio do diagnóstico, agora sei absorver melhor cada sessão. Acredito que a maturidade foi fundamental para aprender a confrontar meus próprios defeitos e também, os gatilhos que fazem as crises acontecerem ao invés de simplesmente ignorar que eles existem. Confrontá-los, inclusive, têm sido um exercício diário para mim. Me cobrar menos, ser mais gentil comigo mesma, me afastar e coisas/pessoas tóxicas e principalmente, entender que eu não posso controlar ou salvar o mundo. Em paralelo a isso, a meditação (obg tecnologia pelos apps de meditação guiada!) e os florais têm sido paliativos importantes neste processo enquanto não arrumo tempo suficiente para ter uma válvula de escape para descarregar a energia. Óbvio que ainda não encontrei a saída do labirinto, que tem momentos que fico perdida dentro dele, mas ao menos consigo ver a luz indicando a saída. Como diria Beth Ditto, “I have faced my fears now I can move in the right direction”.


Mais do que um desabafo, esse post é um desafio de me abrir mais (vejam, demorei DEZ anos para falar sobre isso no meu próprio blog!) e incentivar outras pessoas a buscarem ajuda. Precisamos falar sobre ansiedade, desmistificar os transtornos mentais e entender que saúde mental é tão importante quanto a física. Não precisa me desejar melhoras -estou ótima (de verdade!), aprendendo a domesticar meus próprios demônios e sei que a cada dia que passa, serei a melhor versão de mim mesma. Ninguém precisa viver com nó na garganta e aperto no peito. De verdade, a gente não merece viver assim.

Se você tem um amigo que está apresentando indícios de ansiedade, incentive-o a começar a terapia. Se você está passando por isso, lembre-se: você não está sozinho. Busque ajuda. A gente sabe que terapia ainda não é uma coisa acessível para todos, mas alguns convênios já oferecem psicólogos na própria rede, outros dão um bom reembolso, além de lugares que atendem por um preço mais acessível. E se quiser conversar, me manda um e-mail, deixa aqui nos comentários –juntos, nos fortalecemos <3.

34 comentários em “Precisamos falar mais e mais sobre ansiedade”

  1. Mike Sousa às 17:20

    Tô chorando e não consegui escrever nada além disso aqui. :( bj

  2. Daniele às 22:48

    Gente do céu, parece que essa postagem foi feita para mi, ou melhor, me descreveu perfeitamente, como se fosse eu escrevendo, rs … Eu sempre fui muito ansiosa desde pequena.. Comecei a faculdade cedo, e no segundo ano de faculdade me arrependi, mas, não quis trancar, coisa que me arrependo até hoje, estou no ultimo ano da faculdade, no terrível tcc. Eu trabalho na aréa, mas não gosto, e não é nada legal fazer algo que não gosta.. Eu penso muito, e quero pular etapas, isso as vezes me destrói. Eu preciso me controlar, e estou fazendo isso, depois que meu ex, por causa da ansiedade comentou tomar remédio controlado e fazer tratamento com psicologo e psiquiatra. É preciso ter cuidado com a ansiedade, porque, ou dominamos ela, ou ela nos domina.

    Dezesseis

  3. Amanda às 13:27

    Vivi,
    eu tenho estresse pós-traumático. crises de ansiedade incluídas. desenvolvi +/- há pouco mais de um ano e meio. tô me tratando há um ano. na última sexta-feira, foi a primeira vez que consegui me deslocar à noite sozinha em mais de um ano. no início do ano passado, fiquei meses sem sair de casa. não consigo sair de casa à noite. não consigo. não vou a inúmeros lugares, porque não consigo. perdi um monte de trabalhos por causa disso. ninguém entende, principalmente porque não falo disso. ver os amigos? “não posso, tô enrolada, trabalhando muito, sabe como é, não vai dar… desculpa.” e todo mundo só tem pra te dizer é o quanto você é negligente com eles, egoísta, que não valoriza os amigos, a família, as pessoas que ama. isso me doía demais. eu sempre fui a pessoa que nunca faltava a compromisso nenhum, que “tava em todas”. de repente, eu começo a deixar de estar e o motivo só pode ser óbvio “não valorizo” ou, claro, “meu namorado não deixa” (porque, né). nenhuma das pessoas ao meu redor em nenhum momento parou pra se perguntar se tinha algo acontecendo comigo, já que mudei tão abruptamente? não, a resposta foi só me culpar mesmo. e isso doía absurdamente. eu mesma me culpava ainda mais e só piorava as coisas pra mim. essa ainda é a pior parte. porque agora, com a ajuda da terapia, i dont give a fck. mas eu ainda me culpo absurdamente. pelas coisas que perco, os momentos, pelos meus amigos, pelos trabalhos. meu sobrinho tá crescendo e eu não consigo vê-lo como gostaria. e sinto que tô perdendo isso, algo que nunca mais vai voltar, que nunca vou recuperar e isso dói tanto. porque eu sei, mas não consigo. as pessoas acham que depende só da gente, e às vezes a gente tb coloca esse peso “se vc realmente quiser, vc consegue”. mas não é bem assim, né? eu mantenho isso “em segredo”, porque não quero o julgamento das pessoas e pelo estigma. acho que a primeira vez que sequer mencionei isso on-line foi esse fds no twitter. e agora aqui. a única vez que expliquei com sinceridade por que não tinha aparecido pra um compromisso (que foi o mais doloroso perder nesse tempo), porque eu amava demais as pessoas envolvidas pra dar outra desculpa qualquer que não a verdade (pra que elas pudessem entender que não tinha nada a ver com eu não estar dando importância), sabe o que eu recebi em troca? dúvida. “será que é verdade mesmo?”, “ué, mas vc fez isso”, “mas vc foi em tal lugar”. como com a ansiedade, há bons e maus dias. e também há os piores possíveis. e as pessoas não entendem isso. acham que se vc tem algum transtorno de humor ou psicológico, vc fica 24h por dia em posição fetal, no escuro e sem tomar banho. mas eu sou quase completamente funcional (quase!): sozinha, me desloco, vou ao banco, aos médicos, atendo a alguns compromissos, faço visitas, trabalho fora de casa (tudo de dia); e consigo sair de casa à noite acompanhada (ou pra lugares novos/que não sejam tão familiares, que sozinha eu ainda não consigo, mas vou chegar lá). e se você me vê nessas horas, a minha doença é algo invisível, eu sou uma “pessoa normal”. por isso, concordo com você que precisamos desmistificar isso. então, foi por isso que resolvi deixar um comentário público e resisti à vontade de ter enviar um e-mail privado. uma pessoa pode ser “normal” e ter um transtorno. nós somos normais. levou um tempo bem dolorido pra entrar na minha cabeça, mas eu não sou pior do que ninguém por isso. ou fraca. eu fiquei tão emocionada lendo isso. obrigada, de verdade, por se abrir. e por fazer eu conseguir me abrir também. muito embora seja algo diferente, me sinto menos só. obrigada.

  4. Paty às 15:16

    Caramba, Vic! Que saudade que eu estava dos seus posts. E, como sempre, me identifiquei p/ caramba com tudo que você escreveu. Eu já passei por 3 terapeutas/psicanalistas e sempre interrompo o tratamento. Tem coisas sobre as quais não consigo falar com ninguem e parece que aumenta a minha ansiedade. O mais engraçado é que tem gente que acha que ser ansioso tem, tão somente, a ver com não conseguir ficar parado, não conseguir esperar por nada… Só que é tão mais que isso… e até pior quando associado à depressão, que é o meu caso. Fiquei muito feliz me ler o seu post… dá aquele quentinho no coração ver o progresso de outras pessoas na mesma situação que eu! Um beijão!

    1. Victoria Siqueira às 06:49

      Oi Paty! Fico muito feliz em ler comentários como o seu, que me incentivam a voltar a postar e principalmente, falar sobre.

      Acho que encontrar uma psicóloga que você se sinta a vontade e confortável em falar sobre essencial para o tratamento. A terapia tem me ajudado muito a encontrar coragem para enfrentar a ansiedade e meus gatilhos (aliás, farei um post sobre isso). Acho que vale você fazer uma nova tentativa de profissional, pq se abrir é um passo muito importante desse processo <3

      Força pra gente!

  5. Malu Frazão às 12:00

    COMO EU ESTAVA PRECISANDO DESSE TEXTO! Desculpa a caixa alta, mas to realmente gritando isso dentro de mim! Vivo com esse sentimento de fraude, só que quase sempre ele me paralisa antes mesmo de eu chegar a fazer as coisas. É um medo sem explicação de dar errado, de ser criticada.. e aí acabo estagnada. E desde que me formei no começo do ano passado num curso que também terminei só pra agradar a família, as coisas só pioraram. Faço terapia, mas só ela não está dando conta. Essa semana comecei a ir atrás de outras coisas paralelas pra me ajudarem. Comecei o pilates e fiz a primeira sessão de fisioterapia ayurvédica. Resolvi que por enquanto não vou me cobrar resultados, produtividade. Vou cuidar de mim, me reconstruir, parar de me ignorar esperando o problema sumir só porque eu entendi ele. Como você disse, a gente tem que começar a fazer pequenas coisas por nós. Saber do problema é um começo, mas sem esses esforcinhos diários (só quem sofre entende que a palavra é esforço mesmo), não dá. Preciso também começar a trabalhar me abrir mais com os outros, porque todo mundo me enxerga como a engraçadona de bem com a vida, mas não sabe da missa o terço. Preciso parar de ter vergonha de mim mesma. Obrigada por compartilhar isso com a gente. <3

    1. Victoria Siqueira às 23:47

      Malu, eu me identifiquei muito com seu comentário e fico muuuuito feliz de saber que meu post fez você se sentir bem. Eu passei pela mesma angústia de ter me formado muito mais para agradar os outros do que a mim mesma, de me sentir uma fraude e muitas vezes, sentir que eu fico estagnada por medo de ser criticada ou fazer algo errado, mas como todo mundo me acha engraçadona do rolê (sagita, né), ficam surpresos quando descobrem “meu outro lado”. Aos poucos tô conseguindo me livrar desses karmas e tentando fazer as coisas por mim, tentando deixar as paranoias que a ansiedade insiste em plantar na minha cabeça de lado. Não é um processo fácil (inclusive, esse post faz parte disso e ninguém sabe que eu passei as horas seguintes mordendo a bochecha e tomando floral porque tava nervosa em ter me exposto tanto), mas é necessário. Faz as atividades em paralelo, sim. Se você achar que a terapia não está funcionando, tenta conversar com outra, que adote uma filosofia que melhor se enquadre à sua necessidade. O primeiro passo a gente já deu. Agora é só aprendermos a lidar com ela. E conte comigo, quando quiser desabafar e conversar, os comentários e inboxes estão sempre abertos <3

  6. Beatriz Cavalcante às 11:40

    Victoria, hoje eu tô buscado blogs para eu me inspirar e conhecer postagens diferentes para montar um conteúdo diferente no meu que é mais focado em livros. Lembrei que eu lia muito o seu e nunca mais tinha visitado e dei de cara com esse post. Já tem um tempo que eu acho que posso ter algum prolema como depressão ou ansiedade. Na adolescência eu era muito fechada e teve uma época que eu não queria nem ir para a escola. Ficava o dia todo no computador e 0 vontade de viver. Na época da faculdade foi a mesma coisa. Não gostava do que eu estava fazendo mas meu pai estava pagando e eu precisava de um emprego então não podia desistir. Hoje eu tô fazendo outro curso que não curto muito mas naquela mesma coisa de conseguir um emprego. Consegui um estágio agora e ta sendo uma barra. :( Pelo menos é um começo, né? Mas ultimamente eu tenho me sentido muito ansiosa porque tenho estágio, inglês, curso a noite e as vezes bate aquele desespero que já ter 22 anos e um estágio que paga pouco e mais nada… Agora que eu também estou namorando mês pais e família fica o tempo todo insinuando coisas como: cuidado para não estragar sua vida com um filho e nossa isso me deixa pior ainda. Sempre que rola alguma coisa mesmo com todo cuidado eu fico pensando nas possibilidades e fico naquela neura ali todo mês. E acho que pior dessa ansiedade toda é que ela acontece em TODOS os aspectos da vida. É no trabalho, é nos estudos, namoro, família e até as coisas mais bestas como as tarefas do dia a dia. Tem dia que eu monto até uma listinha de coisas que eu tenho que fazer e fico passando aquilo na cabeça até conseguir realizar todas. É bem complexo isso mas estou pensando em procurar alguma ajuda profissional pq eu deixo de fazer muita coisa só pensando no pior que pode acontecer. :(

    Mas foi incrível voltar aqui depois de tanto tempo e me identificar assim. ?

    Força para nós!

    1. Victoria Siqueira às 23:54

      Oi Bia! Poxa, fico muito feliz de ter voltado e ler um comentário como o seu. Deixa o coração quentinho e me motiva a continuar escrevendo <3

      Sobre a ansiedade, procura a ajuda de um especialista, sim. Ela vai poder te diagnosticar e também, te dar direções para qual caminho seguir. Acredito que você esteja muito pressionada e de certa forma, com medo do que pode acontecer -do trabalho, com relação ao namoro/consequências (que eu super te entendo, meus pais sempre foram assim comigo tb e eu sempre fico noiada, até hoje com quase 32!), e em outros aspectos da vida. Como eu disse no post: ninguém merece ficar nessa angústia, nessa pressão, vivendo no limite. Te dou todo o apoio!

  7. Fernanda Rodrigues às 00:03

    Vic, já disse lá no facebook, mas quero deixar registrado no arquivo do Borboletando tbm:
    te acho extremamente corajosa por dar a cara e falar sobre isso aqui. Imagino o quanto seja difícil pra você, mas tbm vejo o quanto isso é inspirador para todo mundo que passa por esse problema. Esse post é como se você estivesse pegando na mão das pessoas e dizendo: “Vamos juntos?”. Nos sentimos acolhidos pelas suas palavras. Isso é lindo! ?
    No que precisar de mim, se eu puder ajudar, estou aqui ? :D
    Beijos e volte mais vezes pro seu blog, pq ele é fantástico e a gente sente saudades! :D

    1. Victoria Siqueira às 22:06

      Ai Fe, esse seu comentário me deixou com o coração tão quentinho que nem sei <3. Eu encarei como um ato de coragem mesmo, porque eu sempre tive pavorzinho de me expor, mesmo sendo meu espaço. A psicóloga me convenceu a tentar escrever sobre e eu encarei o desafio. E fiquei mais feliz em ver que muita gente se sentiu abraçada e encorajada a buscar ajuda ou enfrentar isso. Obrigada pelo comentário, pelo incentivo e pelo apoio <3

  8. Amália às 22:36

    É exatamente assim que me sinto!
    Semana passada foi bem foda pra mim e ler isso agora me fez pensar que eu devo continuar com a terapia e aprender a reconhecer os momentos da sirene. Quando você falou do labirinto me veio justamente a imagem do GIF e quando olhei, lá estava ele. Foi a melhor descrição sobre a ansiedade que já encontrei. A sensação que temos ao viver com a ansiedade é a de que estamos sozinhos nessa.
    Obrigada por compartilhar com a gente algo tão importante.
    Um abraço bem apertado. <3

  9. Ariana às 18:32

    Me peguei mordendo as bochechas enquanto lia. Aqui as sirenes andam altas! Até hoje peno quando isso acontece!

  10. Tamara às 13:53

    Eu me identifiquei com muitas partes do seu texto, principalmente na sensação de libertação por descobrir que coisas que antes acreditava serem traços da minha personalidade, que me traziam culpa, tinham uma explicação.
    Fui diagnosticada com ansiedade generalizada há uns quatro anos. No começo achei que não precisava de ajuda e poderia lidar sozinha com isso.
    Há um ano eu percebi que as coisas apenas pioravam vi que precisava de ajuda. Enrolei, arrumei muitas desculpas para deixar para depois.
    Mas foram posts como o seu, especialmente no janeiro branco que me deram motivação.
    Amanhã é meu primeiro dia na terapia e já estou orgulhosa de mim mesma por ter chegado tão longe.
    Obrigada pelo seu post. Dá um conforto saber que tem mais gente passando pelo mesmo e eu não me sinto tão sozinha, esquisita e essas coisas.

  11. Vívian Freitas às 00:12

    Acho que nunca um texto veio em tão boa hora. Me identifiquei tanto, até na música da britney eu costumo pensar quando me dá crise. Infelizmente não tenho como fazer terapia, mas ler esse tipo de depoimento Juda bastante.

  12. Bela às 22:34

    Me identifiquei demais com seu texto. Já procurei ajuda com um psiquiatra, mas sempre esbarrei no preconceito. O pior foi um ex abusivo que dizia que tudo o que eu falava dos horrores que vivi com ele era mentira pois eu era “louca que tomava remédios controlados”. A ignorância das pessoas as levou a tomar a palavra dele como verdadeira, afinal quem faz tratamento psiquiátrico só pode ser doido, não?
    Larguei e retomei meu tratamento várias vezes e cada dia é uma batalha com aquela voz que diz que não sou boa o suficiente e a sensação de que uma tragédia está me esperando. Obrigada por compartilhar e espero que vc fique bem.

  13. Ivani às 21:23

    Nossa! Chorei do começo ao fim, realmente preciso de ajuda.

    1. Victoria Siqueira às 21:31

      Procura sim! Vai ajudar muito <3

  14. Loma às 21:22

    Eu nunca tinha conseguido definir em palavras o que eu sinto. E chorei lendo seu post, todinho. Esse cansaço constante de uma cabeça que não para nunca – e todo mundo acha que você pode controlar. Escuto direto do marido: você pensa demais, para de pensar um pouco. Se fosse tão simples. :(
    Eu tô ensaiando uma terapia há uns meses, mas sempre arrumo desculpas. A maior delas é o fato de viver em um país cuja língua eu domino nadinha. Minha mãe me deu a ideia de tentar uma terapia por skype. Teu post me motivou DEMAIS.
    Obrigada por ele. Por cada palavrinha. Você é incrível e uma vitoriosa (no puns intended hahahaha).

    Ah, você também tem sonhos loucos? Meu maior problema são eles. São bem reais e bem ativos, acordo mais cansada do que quando fui dormir, todos os dias. São sonhos bem desgastantes, que envolvem sempre situações de medo, risco, ação. Fico me perguntando se isso também faz parte desse quadro de ansiedade. Eu durmo muito mal :(

    Fico o dia todo exausta e acabo passando por “molenga, preguiçosa”. O que acaba me deixando ainda mais ansiosa hahahahaha

    Beijos, gata!

    1. Victoria Siqueira às 21:58

      Exatamente isso, Loma. Eu lembro que, quando tirei férias ano passado, eu fiquei 1 semana dormindo de tão mentalmente exausta que eu estava, por um acúmulo de coisas (eu nunca tinha tirado férias na vida :O). E tem dias que minha cabeça fica tão a mil que não importa o quanto eu durma, eu sempre vou acordar exausta e aérea no dia seguinte. Isso sem falar nos dias que eu tô fazendo mil coisas e de repente, eu desligo e não consigo nem me concentrar nem voltar focar. Comentei sobre isso com a psicóloga e ela disse que é meu cérebro “se preservando”, mais ou menos como um eletrodoméstico que desliga sozinho qnd superaquecido, sabe?

      Sobre sonhos, até que eu não tenho tantos malucos, só um que eu sempre caia da escada e acordava sentindo como se meu corpo tivesse caindo de bunda em cada degrau. Mas tenho um sono relativamente agitado, que faz com que eu acorde quebrada.

      Mas não adia mais, não. Fazer terapia vai te devolver a qualidade de vida, de sono, de tudo. Tem algumas que atendem via Skype justamente para as pessoas que moram no exterior.

      E conta comigo, Lominha. Se quiser conversar, desabafar, pedir ajuda ou só um abraço virtual, tô aqui <3

    2. Lycia às 22:09

      Eu tenho os sonhos loucos e são eles que dão gatinho na vida real. Ver motos (pq fui assaltada tbm), carros fechados e escuros passando devagar eeee o pior e mais ridiculo de todos é… Ladeiras! Sim, não consigo subir nem a menor ladeira =( e já deixei de sair para muitos lugares por isso. Ou seja, estou no limite mesmo.
      Estou adiando a procura de ajuda mas ao mesmo tempo sei que não deveria adiar. Adoraria dizer que o texto me ajudou a procurar porém o medo/desanimo é maior. Eu sou o tipo de pessoa que precisa de ajuda mas não vai pedir, talvez no próximo pico de estresse eu peça (pq nesses momentos tenho urticaria e perda total do apetite, o que me faz parar no hospital… Aconteceu 2 vezes, ainda bem). Escrever já ajudou a entender como estou pessíma, e por isso espero ter coragem logo. Obrigadinha Victoria

  15. Suzi Morais às 21:05

    Eu me lembro de um dia que estava em um evento que tinha vários blogueiros e uma colega me disse o quanto vc tinha sido arredia (na verdade disse metida mesmo!). Respondi que vc poderia ser muito tímida pessoalmente, diferentemente da forma que escreve. Ninguém sabe sobre o que se passa dentro do outro. Como ja te sigo há tempos, percebo essa diferença e vi que estava certa em não fazer coro em julgamentos.
    Te admiro pela coragem de se expor e me coloco a disposição, apesar de não me conheceres, para um bate papo, um ombro amigo e o que precisares.
    Beijo.

    1. Victoria Siqueira às 21:33

      É uma percepção que todo mundo tem de mim, porque me imaginam super divertida e engraçada, mas a real é que eu sou tímida e um pouco insegura quando estou em lugares estranhos ou quando eu conheço alguém. Direto ouço “te achei metida quando te conheci, mas aí com o tempo descobri que você só estava tímida mesmo”. Com o tempo eu me solto e aí viro a pessoa que todo mundo espera que eu seja, mas até lá, eu demoro para me soltar :/

      Obrigada pelas palavras e apoio, Su <3

  16. Babee às 18:59

    A sua definição de ansiedade é uma das melhores que eu já li/ouvi, ela é mesmo aquele zumbido bem baixinho que a gente não escuta quando estamos distraídos com outras coisas, mas ele aparece quando a gente está sozinho com a cabeça a milhão, e o volume dele aumenta. Eu já tive picos, mas nunca fui atrás, achava real que era coisa da minha cabeça até o ano passado, quando eu estava desesperada pra mudar de emprego, inclusive até conversamos um pouco na época. E dessa agonia de sair de lá, eu acabei descontando em algumas compulsões que já estou corrigindo com o tempo, mas que é difícil “aceitar” que sim, isso não é coisa da minha cabeça só, eu preciso de ajuda! E obrigada REAL por compartilhar isso, eu já estive do lado de quem não entendeu porque a Vic não apareceu, mas também estive do lado de achar melhor não ir porque algo me dizia que não era uma boa ideia :(

    Hoje eu consigo te entender e me entender melhor, e saiba também estou aqui <3

    1. Victoria Siqueira às 21:49

      Bah, acho que a ansiedade se manifesta quando a gente menos espera porque é justamente quando o zumbido vira a sirene. Sentir a gente sempre sente, mas vamos ignorando os sinais porque achamos que vai passar, que é um momento, que a gente é assim mesmo. Mas o importante é que a gente chegou até aqui e buscou ajuda. Vai ficar tudo bem e cada vez melhor <3

  17. Paula às 17:49

    Não sabia que a síndrome do impostor está correlacionada com o transtorno de ansiedade… tenho um caso próximo, mas por mais que eu sempre toque no assunto quando possível, a pessoa ainda não procurou ajuda por achar que “é assim mesmo”…

    1. Victoria Siqueira às 21:50

      Eu também não! Acho que uma coisa anda muito lado a lado, porque quem é ansioso nunca se sente merecedor ou bom o suficiente né? Mas incentiva a buscar ajuda, sim. Quem tem problema normalmente nega, por isso que é importante insistir e mostrar para a pessoa que a terapia pode ajudar e muito!

  18. Chell às 15:36

    Me vi em cada frase do seu post. Simplesmente eu não falaria melhor, e olha que eu tentei (https://www.youtube.com/watch?v=B2oLT25KMEk). To tentando a psicologa, que só vai me atender por 12 sessões pq “é do plano” porque é melhor isso que nada. Tamo junto! Vamos conversando, nos falando e tentando desmistificar essa coisa toda, porque por mais que doa, quanto mais a gente fala, melhor a gente fica =D E foi lendo relatos de outras pessoas que comecei a me abrir mais e ficar melhor comigo mesma.

    1. Victoria Siqueira às 21:52

      Exato, Chell! Depois que eu consegui colocar para fora nesse texto, tudo ficou mais claro sabe? E achei que valeu mais ainda por ler que eu não estou sozinha e por incentivar outras pessoas a buscarem ajuda. Falar sobre é essencial, e agora estou vendo o porque. Vamos passar por isso e vamos sair mais fortes <3

  19. sininhu às 15:04

    Obrigada por esse post, Vic! ? Tenho certeza de que ajudará muitas pessoas.
    Quem sofre de transtornos de ansiedade geralmente se sente sozinho no mundo mesmo, mas se a gente analisar bem, isso é muito mais comum do que pensamos. Eu, por exemplo, tenho problemas com isso desde os 5 anos de idade e, mesmo com acompanhamento psicológico desde sempre, a minha ansiedade ia se transmutando e se transformando em algum novo transtorno conforme ia passando o tempo (já tive toc, ortorexia, síndrome do pânico, agorafobia, sii, hipocondria e etc). É uma situação crônica que a gente aprende a “domesticar”.
    Acho que psicoterapia é fundamental nesses casos e há tantos tipos que é importante incentivar a pessoa que sofre de ansiedade de não desistir se não gostou de algum método, pois há várias modalidades dentro da psicologia, basta encontrar aquela que melhor encaixe no seu perfil – psicoanálise freudiana, junguiana, cognitivo comportamental, etc. Já fiz tratamento com homeopatia (método FAO), que me ajudou um pouco durante um tempo tb, mas o mais eficaz sempre foi a meditação! A maioria acha que meditação é para esvaziar a mente, mas na verdade serve para organizar os pensamentos, controlar a respiração e relaxar o corpo, por isso prefiro as guiadas (as da Louise Hay são ótimas!). Dançar tb me ajudou muito e, quando estou me sentindo mais disposta, faço jump (é ótimo para aliviar as tensões haha). Sem contar a terapia canina (ou felina), né! Que é de longe a que mais acalma e enche de endorfina o corpo. ?

    Se algum dia tu precisar de um ombro amigo, pode contar comigo!
    Sei que somos apenas conhecidas de internet, mas te admiro bastante e às vezes é bom desabafar com alguém de fora do nosso círculo social. Pode me chamar por inbox do fb ou instagram sempre que precisar, viu!

    Beijão e espero que tu fique bem!

  20. Priscila (aka @psouva) às 13:21

    Vic, a gente se esbarrou numa Mixta (saudades Studio M) e desde então te acompanho nas redes sociais. Ou eu já te seguia no twitter e te vi na festa… Era aniversário de um dos meus melhores amigos, se eu não me engano.
    Eu só queria agradecer por compartilhar. De verdade. Tô em lágrimas aqui porque sei o quanto é dificil não se achar boa o suficiente e romper em lágrimas de nervoso porque algo simples deu errado. Sei como é dificil demorar pra dormir ou querer passar dias inteiros dormindo só pra não ter que pensar na vida.
    Eu havia voltado para a terapia mas precisei interromper por dois meses (junto férias e viagens a trabalho)
    Eu só queria que as pessoas tivessem um pouco mais de empatia, mas e tão dificil esperar por empatia quando a gente não tem coragem de expor algo que pra gente é uma fraqueza e tanto. Algo quase imperdoavel. A própria cabeça fica sabotando.

    Eu realmente precisava ler isso hoje.
    ps: qual app de meditação você usa? Eu sempre pensei em fazer, mas não tenho paciência pra meditar. Junte a essa ansiedade um signo chamado Áries e um ascendente chamado capricornio….

    Um beijo, fica bem.

    1. Victoria Siqueira às 14:38

      Pri, acho que é bem isso: a gente espera empatia, mas não se abre com medo do julgamento, das pessoas acharem que é uma fraqueza, que você está sendo paranoico, que é exagerado, etc. É complicado e por isso demorei tantos anos para falar sobre -no FB e tal, acabava falando porque é um número menor de pessoas seguindo e uma hora ou outra o post morre. Aqui foi a primeira vez e confesso que não está sendo fácil, até tomei uns shots extras de florais rs

      Eu perdi a conta de quantas vezes chorei porque não conseguia fazer algo simples, e isso incluía o blog (e talvez justifique o tanto de tempo que fiquei sem postar). Eu nunca me senti boa o suficiente em nada e isso fez com que eu me tornasse minha maior crítica. Procurar ajuda tem sido um life changing pra mim, até pq 2017 está cheio de novos desafios, oportunidades, coisas novas e eu decidi que não quero fugir delas porque simplesmente não sei lidar. Estou bem disposta a enfrentar esses gatilhos.

      Quando quiser conversar sobre, é só me chamar. E sim, mtas sdds Mixta <3

  21. Li Garone às 13:11

    Olha… Tocou lá no fundo e me vi em cada linha desse post :'(

    1. Victoria Siqueira às 13:49

      Estamos juntas nessa, Li <3

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