Victoria Siqueira

Fazer 30 anos foi a melhor coisa que poderia ter acontecido comigo

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Disclaimer: este post não tem objetivo de ser autoajuda, muito menos mais um daqueles “a incrível geração que”. Trata-se apenas de uma reflexão pessoal compartilhada e se você se identificar com algo, que bom: me dá um abraço aqui, você não está sozinho(a) <3

É engraçado a forma com que a gente trata certas idades como um grande marco das nossas vidas. Aos 15 anos debutamos, com toda aquela pompa, brilho e comemorações que enaltecem a nossa adolescência. Aos 18, comemoramos o ápice da nossa juventude e o direito de dirigir, beber, entrar em certos lugares e outros pequenos prazeres até então proibidos para nós. Aos 21, idade que muitos se formam e começam a dar os primeiros passos da carreira, acreditamos por alguns instantes que somos maduros o suficiente a ponto de saber muito sobre a vida, quando na verdade colecionamos algumas dezenas de erros facilmente justificados com o lemas YOLO (na linguagem xóvem, “you only live for once”) ou “live fast, die young”.

Dos 22 aos 29, é como se a caminhada para os próximos anos de vida fosse a mesma de um condenado a caminho do seu leito de morte. É sensação de que a cada vela soprada nos parabéns também apagasse a leveza de viver, transformando sonhos e planos em cinzas enquanto o pavio é queimado pelo fogo. O que antes era sinônimo de comemoração, sorrisos e abraços, torna-se um fardo com na jornada até os 30.

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Eu já estive lá. Já fiz parte do time de jovens que acreditavam que aos 30 seriam adultos responsáveis e pais de família. Que respondiam no caderno de enquete do colégio que aos 30 estariam no auge de suas carreiras, casados, com alguns filhos e vivendo uma vida digna de comercial de margarina dos anos 90. Mas tudo isso sem antes, colecionar carimbos no passaporte, conhecer o Mickey antes dos 15, viver alguns meses ou anos em algum país distante, tirar carta e dirigir assim que completar a maioridade, frequentar o bar e as festas da faculdade. Situações que nem sempre condiziam com a nossa realidade, sonhos muitas vezes impostos por padrões sequer questionados, exemplos seguidos quase em piloto automático, sem que ao menos tivéssemos a chance de nos questionarmos sobre as reais necessidades e ouvir nossos próprios desejos.

Ao longo da caminhada aos 30, fui vendo alguns destes planos traçados em piloto automático e planejados folha após folha no caderno de enquete, estavam cada vez mais distantes da minha realidade. Cometi o erro inúmeras vezes de comparar a minha vida aos 25 com a dos meus pais na mesma idade, lá na década de 80, quando já estavam casados e planejando o primeiro filho. Me peguei pensando muitas vezes em como seria minha vida se ela tivesse saído exatamente como eu havia planejado aos 14 e não sabia sobre absolutamente nada da vida. Se tivesse ignorado meu coração e seguido carreira da minha primeira formação mesmo não me vendo trabalhando ali durante muitos meses. Ou ainda, se tivesse arrastado um daqueles relacionamentos meia bocas que eu colecionei ao longo destes anos todos em prol da construção da família ideal antes dos 30. Sempre saia deste círculo vicioso exausta e principalmente, frustrada por não atender às expectativas do que julgavam como o ideal, enquanto me diziam que eu não tinha foco o suficiente. Fazia um autoflagelamento mental, achando que eu não era boa, bonita, inteligente ou incrível suficiente para cumprir todos os requisitos, gerando uma ansiedade desnecessária por conta desses sentimentos de insatisfação e inadequação aos olhos alheios.

A virada de chave começou quando sai da bolha, expondo e confrontando meus próprios medos e principalmente, observando ao redor e percebendo que eu não estava sozinha. Notar que algumas das pessoas mais interessantes que eu conheço passaram pelas mesmas aflições e medos fez com que eu começasse a refletir e entendesse que estava ok em não seguir esse plano pré-definido de vida, em protelar alguns sonhos, em ter que abrir mão de outros no meio do caminho e que ainda assim, no final dele, estaria tudo bem. Perceber que não só o mundo, mas que eu também havia mudado, foi libertador.

DIÁLOGO ENTRE JUNE E CHLOË EM DON'T TRUST THE BITCH IN APARTAMENT 23, MAS QUE PODERIA SER ENTRE EU E UM AMIGO

Diálogo entre June e Chloê em Don’t Trust The Bitch In Apartament 23, mas que poderia ser entre eu e qualquer amigo(a) na crise dos 30

A chegada dos 30 me ajudou a desconstruir este padrão de perfeição e felicidade que é imposto desde o momento que a gente nasce, reconhecendo que existem outras mil maneiras de me sentir confortável com quem eu sou e com o que eu quero da minha vida. Devolveu a leveza de viver, de não seguir ou precisar me adequar a certos protocolos, de ser mais gentil comigo mesma e de ligar o modo “foda-se” para as coisas que não agregam. Me fez entender que a vida é dessas mesmo, cheia de surpresas, mudanças, falhas, tombos e conquistas, mesmo que a gente não as reconheça na correria do dia a dia. Mas a lição talvez mais importante de tudo foi entender, de uma vez por todas, que a vida não é só feita de escolhas, mas também de perdas e que nem sempre querer muito algo é o suficiente para poder e conseguir.

Se eu me trocaria pela Victoria dos 20? Não, mesmo com o metabolismo funcionando a passos cada dia mais lentos, com os primeiros fios de cabelo branco nascendo, disposição não sendo mais a mesma de anos atrás e a pele cada vez mais flácida. Que bom que erramos, aprendemos, amadurecemos e envelhecemos –e talvez esteja aí a magia da vida.

Mixtape #61 – Lipsync For Your Life

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Depois de quase dois meses sem dar as caras por aqui, estou tipo a Britney em “Pretty Girls”: ensaiando um comeback, mas ainda sem saber o que vai dar.

Sabe quando a gente entra naquele bloqueio criativo, que mesmo quando temos muitas coisas incríveis para contar, a gente não consegue colocar no papel, digo, no WordPress? É assim que eu tenho me sentido nessas últimas semanas. E perfeccionista do jeito que sou, prefiro ficar de longe esperando essa sensação passar mesmo morrendo de saudades de blogar e voltar com tudo do que ficar empurrando com a barriga e entregar um conteúdo ruim para vocês. Mas a boa notícia é que, aos poucos, essa sensação está passando (eeeeeee!) e espero que em breve eu possa voltar a ter uma frequência bacana por aqui. Até porque tenho coisas que eu preciso contar para vocês -tipo show dos Backstreet Boys, o meet & greet + minha foto com o Nick e a resenha do “The Desired Effect” do mozão-mor Brandon Flowers.

Enquanto isso, fiz uma Mixtape novinha em folha para começar a semana bem e quebrar esse hiatus com classe, elegância, glamour e muito lipsync.

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A Mixtape #61 reúne uma série de musicas para arrasar no carão e na dublagem das divas com uma seleção digna de RuPaul’s Drag Race. Mama Ru certamente aprovaria essa seleção divônica.

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Gostou e quer levar com você? Sincronize essa mixtape no Spotify. Para ouvir todas as Mixtapes que já passaram por aqui, clique aqui. Quer sugerir um tema? É só falar nos comentários ou contar para mim lá no grupo do blog no Facebook.

Que Deus te ouça, Mama.

Que Deus te ouça, Mama.

Aproveitando o post, queria agradecer muito todos os comentários no último post <3. Muito amor pelas histórias e pela identificação com a minha história como fangirl, hahaha! Prometo que, como recompensa, venho contar como foi o show com muitas fotos e um vídeo compilando os melhores momentos ainda esta semana!

22 razões porque ser fangirl nos anos 90 era sofrido, mas muito mais legal!

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Esperei quase 19 anos por esse momento, mas ele finalmente vai acontecer: vou a um show dos Backstreet Boys e terei a oportunidade de tirar uma foto com a banda (e abraçada com o Nick!) no Meet & Greet. Ou seja: como diria Roberta Miranda, apenas olho atordoada para o teclado neste momento, sem saber o que dizer, só sentir.

Claramente eu no show

Claramente eu no show

Faltando menos de 12 horas para que esses sonhos se realize, preciso confessar que a ficha ainda não caiu.  Sonho com esse momento desde 1997, quando conheci e me apaixonei pela banda. Também sou muito grata a eles por serem responsáveis pelos momentos mais legais e inesquecíveis da minha adolescência e por ter “me apresentado” a algumas das pessoas que foram/são importantes na minha vida até hoje. Nas passagens anteriores da banda pelo Brasil, não tive a oportunidade de ir ao show  -em 2001 meus pais acharam muito caro (e realmente era), em 2009 e 2011 eu era assistente, meu salário não era dos melhores e tive que tirar no palitinho quais shows eu poderia ver. Mas dessa vez, faltando poucos meses para completar 30 anos, consegui me organizar e tirar o atraso da realização desse sonho com juros.

E para fazer um esquenta para esse final de semana dos sonhos pra qualquer fangirl, fiz esse post relembrando alguns os momentos que eu vivi como fã dos Backstreet Boys e Spice Girls, mas que certamente conta a história de fãs do Hanson, ‘N Sync, Westlife, 5ive e outras. Será que você gabarita essa? :)

#01- Montou ou fez parte de um fã-clube

Eu aos 11 anos: uma jovem empreendedora do ramo do fangirling

Eu aos 11 anos: uma jovem empreendedora do ramo do fangirling

Perfil de fã no Instagram? Fangirling no Twitter? Grupo no Facebook? Me respeita porque o negócio aqui era roots, de raiz e da vida real. Os fãs clubes uns 18 anos atrás eram um negócio físico, com direito a carteirinha e ficha dos participantes que incluíam dados pessoais e outras perguntas como “integrante favorito”, “música favorita” e “fã desde quando”. Ainda rolavam reuniões periódicas na casa de algum dos membros ou do presidente do FC para falar sobre os últimos acontecimentos da banda e treinar as coreografias novas. Real business, mores.

Eu tive 2 fã-clubes, um das Spice e outro dos Backstreet Boys. Em ambos, dei entrevistas para o encarte jovem do jornal local e revistas para fãs, o que me fez receber cartas do Brasil todo -cheguei a receber 30 cartas por semana, todas devidamente respondidas com selo de carta social (sdds).

#02- A MTV era sua fonte de informações

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Quão surreal parece lembrar que há cerca de 18 anos, Internet era artigo de luxo para a maioria dos brasileiros e que as informações eram ainda mais restritas sem redes sociais e Google? Pois essa era a vida dos fãs nos anos 90.

Nossa fonte de informação era a velha MTV, que costumava falar sobre os babados mais fortes das bandas enquanto as revistas gringas não chegavam ou as nacionais não faziam o apanhado das últimas 9dades.

#03- Seu nome estava na reserva de materiais

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Nas bancas de jornal, nas grandes livrarias ou nas lojas de CD que vendiam material importado: seu nome certamente figurava na lista de reservas semanais de coisas relacionadas ao seu artista favorito. E todo final de semana você pegava o dinheirinho economizado na cantina do colégio ou da sua mesada para completar sua coleção com um novo número da “Smash Hits”, “Superpop”, “Top Of The Pop” ou um single físico que normalmente vinha acompanhado de uma bside (e que custava o preço de um álbum completo).

#04- Você acumulava algumasvárias pastas com recortes de revista

Sim, essa é uma parte do que restou das minhas pastas do BSB! HAHAHA

Sim, essa é uma parte do que restou das minhas pastas do BSB! HAHAHA

Fotinhas no Tumblr? Instagram com fotos da banda? Sabe de nada, inocente!

De revistas importadas á recortes de notinhas de jornal, tudo relacionado ao seu artista favorito era “clippado” em uma pasta preta daquelas cheias de plástico. E não era uma pasta só: eram várias delas. Quanto mais, melhor. De preferencia, uma (ou várias delas) só com seu integrante favorito.

#05- Tamanho da coleção era documento, sim

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Obviamente não adiantava ter uma pasta ou várias fininhas: quanto mais grossa, mais imponente e mais cheia de revistas, principalmente importadas, melhor e mais fã você era. Ter materiais inéditos tipo singles, VHS, versão japonesa dos álbuns entre outros itens de colecionador era um diferencial e você era visto com respeito entre os outros integrantes do fandon.

E mais obviamente ainda, eu era a pessoa recalcada que só tinha, no máximo, algumas revistas importadas por motivos de: money que era good nois não have pq eu era uma adolescente que vivia de mesada e só consegui realizar alguns dos meus sonhos de consumo enquanto fangirling depois de velha (leia-se boneca da Geri, da Britney, do JC do ‘N Sync e a Polaroid das Spice HAHAHAHA!).

#06- Sentia ciúmes de outras meninas também gostarem do mesmo integrante que você

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Entre as amigas, a regra era clara: dentro do grupo, cada um tinha seu integrante favorito e ninguém podia “dar em cima” dele. Nos demais grupos, de duas uma: ou você praticava o “sisterwood” e dividia o boy favorito com a amiguinha ou tinha uma birra eterna e quase gratuita com ela por causa disso. No meu caso, ciúmes  era de uma famosa. Demorei um tempão pra gostar da Britney por causa dos boatos dela com o Nick, risos.

#07- Esperava a estréia da música nova no rádio (e gravava na fita K7)

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Vazar música? Baixar MP3? Isso não te pertencia nem nos seus sonhos mais otimistas. A música nova de trabalho era divulgada nas rádios, com incansáveis anúncios na programação informando a data e hora da estréia, 1 mês e pouco antes do lançamento oficial do álbum completo e físico. Ou seja: até você ter o álbum na mão, a única alternativa que lhe restava era gravar a música na sua fitinha K7 no dia da estréia com vinhetas da rádio em questão, que divulgava a música com exclusividade -que normalmente acontecia na Jovem Pan.

#08- Morria de ansiedade até a premiere do novo clipe

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O segundo momento mais esperado por toda fangirl dos anos 90 era a estréia do clipe na MTV, que ou acontecia com data e hora marcada em algum dos programas principais do canal no caso das bandas grandes e para os menores, no TOP 10 EUA. Um momento de expectativa, que moldava toda a rotina do seu dia (faltei várias vezes na aula de vôlei por causa disso #prioridades) e que envolvia uma estratégia ninja para registrar o clipe para a posteridade, com play + REC + pause no vídeo-cassete.

#09- Votava incansavelmente no Disk MTV

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Clipe oficialmente na programação, era hora de juntar toda a fanbase para fazer o clipe do seu artista preferido estrear no TOP 10 na melhor posição possível. Depois, o desafio ficava ainda mais hard, com o objetivo de colocar a banda em #1 nas paradas ou entre as 3 primeiras posições pelo maior tempo possível.

Prova disso? “Show Me The Meaning Of Begin Lonely” foi um dos clipes da história da MTV Brasil a ficar mais tempo nas paradas do Disk, com quase 3 meses de permanência e persistência das fãs.
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DIY: 4 estampas dos Backstreet Boys para você fazer sua própria camiseta!

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Eu AMO camisetas e tenho duas gavetas cheinhas delas. O motivo é bem simples: camiseta é um dos meus itens de moda favoritos junto com jaquetas de couro -é prática, combina com qualquer coisa e em qualquer época do ano. Porém, boa parte das minhas camisetas são de bandas ou de caveirinhas e para dizer que não tinha nada mais pop, tenho 2 da Britney. E olha que não faltaram tentativas de encontrar algo bacana em sites como o eBay e afins.

Há tempos eu estava com uma ideia de criar minhas próprias estampas de camiseta e aproveitei a ocasião o show dos Backstreet Boys para me arriscar na ideia. E não é que deu mega certo? Minhas duas primeiras tentativas ficaram tão incríveis que eu pensei melhor e pensei: por que não disponibilizar as estampas no blog para que vocês possam fazer uma também? :D

Então, para esquentar os tambores para o tão esperado show dos BSB (e vai ter M&G com eles, sim!!!!!!!!!!11111), decidi compartilhar as estampas para quem também está procurando uma camiseta bacana para usar no show ou apenas para ter um modelo mais pop e divertido no guarda-roupa <3.

Vic, como faz?

Para começar, você vai escolher o modelo (ou todas!) que mais gosta, clicar na legenda da foto no modelo referente e salvar no seu PC. Com exceção do modelo 1, os demais tem versões com letra branca (para camisetas em tom escuro, como na simulação) e letra preta (para camisetas brancas, cinzas ou com tons mais claros).

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Modelo 1 | Modelo 2 (letra branca)Modelo 2 (letra preta) | Modelo 3 (letra branca)Modelo 3 (letra preta) | Modelo 4 (letra branca)Modelo 4 (letra preta)

Depois, você leva o arquivo no pendrive em algum lugar que faça estamparia de camisetas (para quem for de SP, na Galeria do Rock tem várias lojas que fazem esse serviço!) ou fazer online em alguns dos sites que oferecem essa opção. As minhas eu mandei fazer na Korova, lodjinha de camisetas do <3 e que oferece o Kustom, permitindo que você faça a camiseta do seu jeito. Apesar do preço não ser tão convidativo (paguei R$79, mas agora voltou para o preço normal de R$99), vale o investimento já que a malha deles é ótima, estamparia idem (tenho camisetas deles de 4 anos atrás e continua intacta!) e modelagem maravilhosa, mais compridinha e soltinha. Se alguém tiver indicação de outro lugar para mandar fazer camisetas, tanto online quanto físico em SP ou outras cidades, deixa aí nos comentários para ajudar os outros migs <3.

Gostou? Então bota esse arquivo no pendrive e corre para fazer sua camiseta que ainda dá tempo. E quem fizer, não esquece de me marcar no Instagram @borboletando que eu quero ver as fotos! :D