cantada

Hoje eu não quero só flores. Quero seu respeito!

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Este post faz parte da blogagem coletiva especial do “Dia Internacional da Mulher” promovido pelo Rotaroots, um grupo de blogueiros saudosistas que resgata a velha e verdadeira paixão por manter seus diários virtuais. Para ler todas as blogagens coletivas do Rotaroots, clique aqui. Quer participar? Então faça parte do nosso grupo no Facebook e inscreva-se no Rotation.

Vou começar este post contando uma história. Certa vez, uma menina estava passando pela rua acompanhada de sua prima, alguns anos mais velha, quando ouviu um homem falar “princesa”. Poucos meses depois, a mesma menina foi no mercadinho na rua de casa, usando um shorts jeans e uma camiseta, e voltou sob os olhares de um homem que parecia querer devora-la. A personagem desta história é real. A tal menina era eu, aos 11 anos, 1m70 e um corpo em desenvolvimento.

Ao longo dos anos tenho, infelizmente, colecionado outras situações desagradáveis que fizeram com que eu criasse um certo pavor de ser abordada enquanto estou na rua. Do cara que me encara no trem, o senhor com idade para ser meu avô tentar acariciar minhas costas, ao homem que me ficou me cercando quando saí para comprar um café na galeria ao lado da faculdade. “Você pediu, com certeza estava usando uma roupa provocante”, diriam os mais machistas. E eu respondo: não, uso na maior parte das vezes jeans e camiseta. Mas quer saber? Mesmo que estivesse com uma roupa sensual ou nua, ninguém (veja, eu disse ninguém) tem o direito de invadir meu espaço e nem de qualquer outra mulher. Nem de desrespeitá-la.

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Mais triste ainda, é saber que muitas outras mulheres, engrossam este coro. Já ouvi (e acho que você também) de outras mulheres que elas nunca foram abordadas na rua porque não usavam roupas decotadas ou se comportavam de uma maneira digna para uma mulher. A pergunta é: quem definiu o que é digno ou não? Digno para mim, é uma pessoa que é honesta, que honra com seus compromissos e principalmente, respeita o outro, independente não só do seu sexo, mas também sua religião, raça, orientação sexual entre outras peculiaridades que fazem as pessoas serem diferentes uma das outras (graças a Deus, né gente?). Isso sem falar nos pequenos preconceitos que as próprias mulheres plantam no dia-a-dia. De chamar uma mulher sensual de “piranha” í  frase “toda mulher se veste para outra mulher” ”“mentira, eu me visto para mim mesma, e só.

Se hoje eu falo sobre esse assunto no blog, devo confessar que nem sempre foi assim. Durante muitos anos, moldei minha reação à estas situações a partir do que a sociedade machista pregava. Embora tivesse toda a educação e orientação aqui em casa, era difí­cil manter este pensamento quando eu botava o pé na rua ”“começando pelas cantadas e abordagens no caminho da escola ou da faculdade, quando na verdade eu só queria chegar ao meu destino sem ser incomodada. Por anos, acreditei que o fato de me sentir mal com estas cantadas estava associado com a minha extrema timidez e não saber lidar com “elogios”, principalmente de estranhos. Hoje sei que o problema não sou eu e que essa abordagem está longe de ser um elogio.

Ní“S NíƒO ESTAMOS SOZINHAS (FONTE: THINKOLGA.COM/CHEGA-DE-FIU-FIU)

NÃO ESTAMOS SOZINHAS (FONTE: THINKOLGA.COM/CHEGA-DE-FIU-FIU)

Devo parte disso a Internet e os movimentos que me fizeram entender que eu tenho o direito de poder viver minha vida sem ser julgada ou incomodada. Por conta de depoimentos de outras mulheres em blogs e redes sociais, ou campanhas informativas independentes como a “Chega de Fiu Fiu”, percebi que não estava sozinha. Que apesar de viver em um mundo extremamente machista, eu tenho o direito de me impor, exigir respeito e fazer da minha vida o que eu bem entender.

Este post é para lembrar você, leitora e leitor, que toda mulher tem o direito de ser ela mesma quando, aonde, como e com quem ela quiser. Não só no dia 8 de Março, mas em todos os dias do ano. Você não é um objeto, você é um ser humano que merece respeito, dignidade e liberdade para fazer o que quiser da vida. Tem o direito de ir e vir sem ser incomodada. Usar a roupa que você quiser usar sem receio de ser julgada. De dizer NÃO e NÃO QUERO sem ter medo das consequências. De sair com quem você quiser e fazer o que bem entender da sua vida sem se importar com que as outras pessoas pensam.

Sei que, infelizmente, essa é apenas uma gota no oceano entre todos os problemas que as mulheres lutam todos os dias para superar. Junto com isso, tenho mais uma porção de desejos: a de que não só eu, mas como todas as mulheres e outras minorias do planeta, possam viver da maneira que eles bem entendem. E espero que meus filhos e herdeiros usufruir de um mundo mais justo, digno e que respeitem uns aos outros.

Hoje eu não quero só suas flores, chocolates, sua poesia, seu cartão, seus parabéns. Eu quero também seu respeito vitalí­cio.