Comportamento

Pela licença poética de pirar na batatinha

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Acho que nunca na minha vida clamei tanto pelo final do ano e pelas minhas férias. A verdade é que tenho trabalhado e estudado non stop há pelo menos uns 4 anos e mesmo fazendo o que a gente gosta, chega uma hora que nós precisamos nos dar ao luxo de não fazer absolutamente nada. Ou pelo menos quase isso.

PELO DIREITO DE PIRAR NA BATATINHA: ESTAMOS TRABALHANDO

Minha vida é corrida. Moro longe do trabalho, da pós graduação, dos lugares que eu freqí¼ento, dos meus amigos… volto para casa praticamente para dormir, ficar com meus pais e as cachorras. Desde quando comecei a ter uma rotina mais puxada por conta das minhas obrigaçíµes profissionais e estudantis, passei a abrir mão das minhas horas de folga e ócio para ficar em casa, ou escrevendo para o blog, ou conversando com meus amigos na web ou ainda lendo alguma coisa relacionada a Internet, mí­dias sociais ou artigos das aulas. Sair de casa era luxo, e exigia toda uma programação prévia, que geralmente já deixava preparada no começo da semana. Eu, que nunca fui a pessoa mais baladeira do universo mas procurava manter um certo compromisso de sair 1 ou 2 vezes por mês, deixei de sair. As poucas vezes que eu me dignifiquei a sair de casa geralmente emendava depois do trabalho, indo para a casa de um amigo ou para algum Happy Hour com horário cronometrado para voltar para ir embora. Fazia tudo isso com a ilusão de estar descansando, quando na verdade, só estava ficando mais cansada ainda. Há mais ou menos 4 meses, tenho me forçado a sair, a ver gente, conhecer pessoas, estar perto dos amigos e vou dizer que tudo isso tem me feito muito bem, obrigada. Tenho começado a semana com mais motivação, mais feliz e com a sensação de estar descansada.

Nós temos a maldita mania de achar que para estar cansado, é preciso fazer algum esforço fí­sico, como se pensar também não exigisse de nós energia e tempo. Eu trabalho com relacionamento e produção de conteúdo, passo a maior parte do tempo no trabalho criando e escrevendo textos. Nos últimos tempos, tenho percebido que não tenho rendido tanto e também uma sensação de bloqueio criativo. Sabe quando você escreve e acha que o texto ficou ruim? Ou ainda quando você tem todo o discurso formado na cabeça mas dá um bloqueio criativo que você não consegue jogar as idéias no Word? í‰ assim que eu tenho me sentido nos últimos tempos, não só no trabalho, mas principalmente aqui no blog. Acho que grande parte dessa minha sensação se deve ao fato de eu ser uma pessoa extremamente perfeccionista e auto-critica, daquelas que não consegue fazer nada mais ou menos e acha que nada é o suficiente. Já a outra parte é a tal auto-cobrança: perdi a conta de quantas vezes eu abri o painel do WordPress para escrever um post bacana sobre algum assunto que eu queria debater e não conseguia escrever. Saia para respirar, dar uma volta, abria o painel de novo. Um dia, dois dias, uma semana, duas semanas. E aquela sensação péssima de que você não consegue mais transcrever e expressar sentimentos e pensamentos, que se manifesta em forma de angústia e um certo calafrio.

Perdi a conta de quantas vezes chamei amigos para desabafar, conversar, ver se eu tirava daquela conversa uma inspiração, desencantar o bloqueio criativo que eu estava enfrentando. E sabe como eu consegui fazê-lo? Na hora que eu deixei de me cobrar. Desencanei dos prazos, das pressíµes, da necessidade do “ai meu Deus tenho que postar”, da maldita ~cagação~ de regra de “você precisa postar ao menos uma vez por dia”. Quem disse isso? Aonde tá escrito que isso é uma regra, é uma obrigação? Para mim, escrever é um prazer e tenho a sorte de poder trabalhar com isso. Mas como todo prazer, só tem sentido quando ele te faz bem, te faz sentir uma pessoa melhor. Para mim, não rola escrever qualquer coisa “por obrigação”: eu preciso olhar para ela e achar que ela está bem feita e que vai agregar alguma coisa para o leitor. E isso vale não só para o blog, mas também para meus trabalhos como webwritter, que é minha profissão e o que me sustenta.

Uma vez eu li um artigo, não vou me lembrar aonde agora, em que o autor falava que ás vezes precisamos perder o foco naquilo que estamos fazendo para que as coisas fluam, e é verdade: parece que quanto mais focado estamos em um objetivo, mais ele se distancia da gente. ís vezes precisamos nos dar ao luxo de não fazer nada para que a inspiração venha, ou ainda, observar o que está ao nosso redor, mesmo que não tenha ligação com aquilo que nós estamos buscando naquele momento. Precisamos na maioria delas, expandir nossos horizontes, deixar de ver só o que está debaixo dos nossos olhos.

Umas semanas atrás vi um ví­deo no blog da Lu Ferreira que mostra 29 maneiras de se manter criativo, e todas as dicas mostram justamente isso: saia do lugar comum e observe, permita-se sair do foco, errar.

E é essa minha meta para os 26 anos e para 2012: me cobrar menos, me permitir mais, exercitar e motivar minha criatividade todos os dias.

Rehab 2.0

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Antes de começar este post, gostaria de lançar uma pergunta a você, caro leitor deste humilde blog. Você consegue se lembrar como era sua vida não só antes da Internet, mas principalmente antes dos comunicadores instantí¢neos (e eu não estou falando só do MSN, lembra do ICQ?) e principalmente das redes sociais?

CUTUCAí‡íƒO FRENí‰TICA OFFLINE: TRABALHAMOS (OU AO MENOS ESTAMOS TENTANDO)

Fazem pouco mais de 12 anos que eu tenho Internet em casa e mais ou menos 7 que eu aderi a onda das Redes Sociais como conhecemos hoje. Se hoje faço amizades pelo Twitter ou pelo blog, antigamente era pelo chat da UOL que evoluí­a para o ICQ. Ironicamente, pouco antes de fazer minha primeira conexão na Internet, achava bizarro ouvir por aí­ que duas pessoas poderiam se conhecer através de um bate papo, assim como aquela sua tia que não manja nada de web e acha que você é um viciado hoje.

Tão irí´nico quanto meu pensamento de quando eu tinha lá meus 11 anos é pensar em como seria de fato minha vida hoje se a Internet não tivesse de fato aparecido. Talvez teria seguido a carreira de veterinária que era meu sonho da infí¢ncia se não tivesse tanto pavor de sangue ou sensí­vel demais para conviver com animais sofrendo ou ainda ter seguido a carreira de administração, usando roupas coxinhas e resolvendo tarefas burocráticas. Certamente não teria descoberto minha vocação para a publicidade e muito menos, meu gosto por escrever. E talvez seria uma pessoa mais fechada e low profile do que eu sou hoje. Ou não.

Não posso negar o quanto a Internet me ajudou a superar a barreira da minha timidez em partes (sim, não sou antipática, sou tí­mida gente!) e me aproximou de pessoas maravilhosas. Hoje a maior parte dos meus amigos reais conheci blogando, twittando ou de alguma forma com que a Internet possibilitasse a aproximação, o famoso amigo do amigo que você conheceu no Twitter mas que vocês se conheceram pessoalmente em uma festa e a partir daí­ engataram uma amizade. Por outro lado, tamanha praticidade e comodismo talvez tenham me deixado mais individualista, egocêntrica e impaciente com pessoas que talvez não tenham a mesma compatibilidade com meus gostos musicais e até mesmo que não entendam minhas piadas infames ou memes, frutos da minha convivência praticamente diária dentro da Internet. Gente que te olha com cara de tacho quando você manda um “aham Claudia, senta lᔝ, corrige teu “TODOS CHORA” ou “bons drink”. Mas afinal, quem está certo nessa história?

Se a Internet possibilitou coisas maravilhosas nas nossas vidas, por outra está nos afetando na forma com que nos relacionamentos na vida real: estamos de fato cada vez mais intolerantes com pessoas que tem um gosto, um comportamento ou uma opinião diferente das nossas. Com profiles nas redes sociais e nossos gostos e dia-a-dia escancarados para quem quiser ver, passamos a priorizar aquelas pessoas que tem um estilo de vida mais compatí­vel com os nossos, deixando o mundo mais “ervilha” do que ele já é ”“talvez essa seja uma explicação para o fato de eu, você e mais um montão de gente com interesses semelhantes termos amigos, reais ou virtuais, em comum.

Ainda mais irí´nico do que tudo isso é perceber que a mesma ferramenta que nos possibilita desbravar o universo e conhecer gente de todos os lugares do planeta sem sair de casa é a mesma que nos prende dentro do nosso próprio mundinho. Basta dar uma volta por aí­ para ver que nós estamos sempre conectados com nossos smartphones checando e-mails, notificaçíµes dos amigos e atualizando nossos status. Açíµes que fazemos enquanto almoçamos, estamos em um bar ou balada com os amigos, vivendo de fato a nossa vida real, de carne e osso. Queremos mostrar o que fazemos, com quem andamos, para aonde vamos, tudo em troca de algumas mentions e likes no Facebook feitos na maioria das vezes por pessoas que sequer fazem parte da nossa vida de verdade.

O ví­deo “You Need To Get Off Facebook” mostra mais ou menos tudo que eu disse aqui em cima e nos convida a refletir e entender que nós somos muito mais do que rostinhos bonitos escondidos em avatares, status feitos a partir do que estamos fazendo ou de frases impactantes da Clarice Lispector e do Fernando Pessoa e talvez o mais importante: você não tem 5 mil amigos.

Sinceramente não acho que existe um certo ou errado. Não acho que hoje, em pleno 2011, temos que abolir nossas formas de comunicação online ou ignorar que elas existam como alguns conhecidos meus. Porém, também não acho que devemos concentrar toda nossa energia social nela. Em outras palavras, não acho que devemos abrir mão da nossa vida on-line, de conhecer pessoas ou compartilhar aquilo que estamos vivendo naquele momento, mas não podemos deixar que isso defina nossa personalidade ou nossa vida real. Tão importante quanto isso é lembrar que existem pessoas incrí­veis por aí­ no mundo offline esperando por um ”like” ou uma cutucada ao vivo, mesmo que elas não freqí¼entem os mesmos lugares ou escutem a mesma banda que você. Ou ainda, que não entendem o meme do dia do Twitter.

Precisamos reaprender a tolerar as pessoas com seus defeitos e gostos opostos mas principalmente, interagir de verdade, nos permitir a desbravar um território desconhecido e menos obvio do que o nosso mundinho, nos surpreender com as pessoas.

Eu estou me dando uma chance de reaprender a viver offline e você?

Sobre o BBB

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Eu assumo: gosto de BBB e acho que todo mundo deveria confessar que dá aquela “espiadinha” como já diria o mestre de cerimí´nias Pedro Bial. E fique tranquilo, não há mal nenhum em admitir. Foi-se o tempo em que aqueles que assistiam ao reallity global eram vistos como “pessoas com baixo ní­vel intelectual e cultural”. Goste você ou não, o BBB virou uma das únicas certezas da nossa vida junto com o especial do Roberto Carlos. E as pessoas sentem, torcem e vibram como se fosse uma Copa do Mundo.

Após 10 ediçíµes, é natural que a história e seus personagens da vida real se repitam: o bom moço que é o sonho de qualquer sogra, a menina de famí­lia que não vê maldade nos outros e vira chacota da turma do mal, o pobre coitado que não tinha o que comer mas arrumou uma filmadora e um dvd para gravar o ví­deo de inscrição, as gostosas que já entram na casa devidamente siliconadas já pensando nos milhares de reais que ganharão posando nua, o vilão que é eliminado com uma porcentagem altí­ssima de rejeição e claro, o jogador que nunca admite que está jogando.
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A Internet e os relacionamentos modernos em Sings

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Até uns 10 anos atrás, era muito estranho dizer que você havia conhecido seu namorado, peguete ou melhor amiga através da Internet. Mas hoje em dia, principalmente com o avanço das redes sociais, as distí¢ncias estão sendo cada vez mais encurtadas e aproximando pessoas que talvez, sem a ajuda da rede mundial de computadores, jamais se conheceriam. Mas por outro lado, temos ficado cada vez mais presos a esta ferramenta e esquecendo que o grande amor das nossas vidas ou o nosso possí­vel novo melhor amigo pode estar trabalhando no mesmo prédio que você, ou bem do seu lado aí­ no metrí´.

Signs é um curta australiano de 2008, dirigido por Patrick Hughes, que mostra o poder da comunicação, sentimentos, medos e outras “limitaçíµes” em tempos de Internet e o constante distanciamento das pessoas da realidade.

Hudghes fez essa analogia em forma de ví­deo de uma forma tão poética que soa como uma pequena obra prima em pouco mais de 12 minutos de ví­deo. Muito fofo!

Poderia produzir um texto enorme sobre minhas percepçíµes, mas vou resumir ao fato de que me identifiquei imensamente com este ví­deo -e tenho certeza de que muitos de vocês também.

Para assistir, se emocionar e refletir :)