d-tech

Rehab 2.0

postado em  •  24 comentários

Antes de começar este post, gostaria de lançar uma pergunta a você, caro leitor deste humilde blog. Você consegue se lembrar como era sua vida não só antes da Internet, mas principalmente antes dos comunicadores instantí¢neos (e eu não estou falando só do MSN, lembra do ICQ?) e principalmente das redes sociais?

CUTUCAí‡íƒO FRENí‰TICA OFFLINE: TRABALHAMOS (OU AO MENOS ESTAMOS TENTANDO)

Fazem pouco mais de 12 anos que eu tenho Internet em casa e mais ou menos 7 que eu aderi a onda das Redes Sociais como conhecemos hoje. Se hoje faço amizades pelo Twitter ou pelo blog, antigamente era pelo chat da UOL que evoluí­a para o ICQ. Ironicamente, pouco antes de fazer minha primeira conexão na Internet, achava bizarro ouvir por aí­ que duas pessoas poderiam se conhecer através de um bate papo, assim como aquela sua tia que não manja nada de web e acha que você é um viciado hoje.

Tão irí´nico quanto meu pensamento de quando eu tinha lá meus 11 anos é pensar em como seria de fato minha vida hoje se a Internet não tivesse de fato aparecido. Talvez teria seguido a carreira de veterinária que era meu sonho da infí¢ncia se não tivesse tanto pavor de sangue ou sensí­vel demais para conviver com animais sofrendo ou ainda ter seguido a carreira de administração, usando roupas coxinhas e resolvendo tarefas burocráticas. Certamente não teria descoberto minha vocação para a publicidade e muito menos, meu gosto por escrever. E talvez seria uma pessoa mais fechada e low profile do que eu sou hoje. Ou não.

Não posso negar o quanto a Internet me ajudou a superar a barreira da minha timidez em partes (sim, não sou antipática, sou tí­mida gente!) e me aproximou de pessoas maravilhosas. Hoje a maior parte dos meus amigos reais conheci blogando, twittando ou de alguma forma com que a Internet possibilitasse a aproximação, o famoso amigo do amigo que você conheceu no Twitter mas que vocês se conheceram pessoalmente em uma festa e a partir daí­ engataram uma amizade. Por outro lado, tamanha praticidade e comodismo talvez tenham me deixado mais individualista, egocêntrica e impaciente com pessoas que talvez não tenham a mesma compatibilidade com meus gostos musicais e até mesmo que não entendam minhas piadas infames ou memes, frutos da minha convivência praticamente diária dentro da Internet. Gente que te olha com cara de tacho quando você manda um “aham Claudia, senta lᔝ, corrige teu “TODOS CHORA” ou “bons drink”. Mas afinal, quem está certo nessa história?

Se a Internet possibilitou coisas maravilhosas nas nossas vidas, por outra está nos afetando na forma com que nos relacionamentos na vida real: estamos de fato cada vez mais intolerantes com pessoas que tem um gosto, um comportamento ou uma opinião diferente das nossas. Com profiles nas redes sociais e nossos gostos e dia-a-dia escancarados para quem quiser ver, passamos a priorizar aquelas pessoas que tem um estilo de vida mais compatí­vel com os nossos, deixando o mundo mais “ervilha” do que ele já é ”“talvez essa seja uma explicação para o fato de eu, você e mais um montão de gente com interesses semelhantes termos amigos, reais ou virtuais, em comum.

Ainda mais irí´nico do que tudo isso é perceber que a mesma ferramenta que nos possibilita desbravar o universo e conhecer gente de todos os lugares do planeta sem sair de casa é a mesma que nos prende dentro do nosso próprio mundinho. Basta dar uma volta por aí­ para ver que nós estamos sempre conectados com nossos smartphones checando e-mails, notificaçíµes dos amigos e atualizando nossos status. Açíµes que fazemos enquanto almoçamos, estamos em um bar ou balada com os amigos, vivendo de fato a nossa vida real, de carne e osso. Queremos mostrar o que fazemos, com quem andamos, para aonde vamos, tudo em troca de algumas mentions e likes no Facebook feitos na maioria das vezes por pessoas que sequer fazem parte da nossa vida de verdade.

O ví­deo “You Need To Get Off Facebook” mostra mais ou menos tudo que eu disse aqui em cima e nos convida a refletir e entender que nós somos muito mais do que rostinhos bonitos escondidos em avatares, status feitos a partir do que estamos fazendo ou de frases impactantes da Clarice Lispector e do Fernando Pessoa e talvez o mais importante: você não tem 5 mil amigos.

Sinceramente não acho que existe um certo ou errado. Não acho que hoje, em pleno 2011, temos que abolir nossas formas de comunicação online ou ignorar que elas existam como alguns conhecidos meus. Porém, também não acho que devemos concentrar toda nossa energia social nela. Em outras palavras, não acho que devemos abrir mão da nossa vida on-line, de conhecer pessoas ou compartilhar aquilo que estamos vivendo naquele momento, mas não podemos deixar que isso defina nossa personalidade ou nossa vida real. Tão importante quanto isso é lembrar que existem pessoas incrí­veis por aí­ no mundo offline esperando por um ”like” ou uma cutucada ao vivo, mesmo que elas não freqí¼entem os mesmos lugares ou escutem a mesma banda que você. Ou ainda, que não entendem o meme do dia do Twitter.

Precisamos reaprender a tolerar as pessoas com seus defeitos e gostos opostos mas principalmente, interagir de verdade, nos permitir a desbravar um território desconhecido e menos obvio do que o nosso mundinho, nos surpreender com as pessoas.

Eu estou me dando uma chance de reaprender a viver offline e você?