diário

O ato de Borboletar

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Parece que foi ontem, mas o Borboletando completou 6 anos de existência. A maior parte dos leitores atuais não acompanharam toda a trajetória do blog, não tenho todo o passado dele registrado aqui porque apaguei os registros mais pessoais em momentos de fúria. Mas uma das coisas mais bacanas é quando alguém que viu o blog nascer vem falar que acompanha minhas postagens desde sempre. Ou que ficou feliz quando o blog voltou a ser pessoal. Ou que tem ainda como um dos seus blogs favoritos.

E nesses 6 anos, quantas mudanças! O blog, no começo, era extremamente pessoal mas depois comecei a me sentir mal por me expor tanto quando me dei conta de quantas pessoas liam meus desabafos diariamente. Passei por uma fase impessoal, quase não autoral, e com a ajuda dos colaboradores, mas sentia que aquele não era o meu blog, o meu espaço e decidi fazer o caminho de volta para casa. No meio do caminho, tive vontade de desistir, de jogar tudo pro alto, mas decidi que levaria o blog menos a ferro e fogo, com mais diversão e menos cobranças. E que bom que consegui encontrar um novo caminho, colocando na balança as coisas boas e ruins dos dois extremos e fazendo aquilo que eu posso oferecer de melhor ”“mesmo que eu fique um bom tempo sem dar nenhum sinal de vida. Aprendi a respeitar minhas crises criativas, meu cansaço mental e principalmente, em priorizar assuntos que sejam bacanas não só para mim, mas para os meus leitores afinal, o blog só existe até hoje por causa de vocês.

Nesses anos todos, não foi só o blog que mudou: eu também borboletei, e muito. Talvez nunca tenha dito aqui no blog sobre o quanto ele é responsável por um monte de coisas boas na minha vida. Primeiro conheci um monte de gente bacana por causa do blog e que acabaram virando meus melhores amigos da vida real (vide Thiago, Vitor e Bee, só para citar alguns dos mais antigos e presentes). Também descobri uma nova vocação graças a ele: eu, que quando abri o blog enquanto cursava Administração Hoteleira, acabei migrando para a área de mí­dias sociais, primeiro como redatora e agora com relacionamento e influência ”“e não consigo me imaginar fazendo outra coisa que não seja nesta área. Se não fosse pelo blog, a esta hora provavelmente estaria dentro de um escritório em algum hotel da cidade e infeliz com a minha profissão.

Mudei meu cabelo, meu estilo, meu modo de pensar, a forma de encarar e viver a vida. Hoje, 6 anos depois, vejo que o nome do blog não poderia fazer mais sentido para mim: sou essa transformação, essa necessidade de exteriorizar minhas mudanças.

í‰ como já diria Raul: “prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. E que bom que a gente muda, transforma e evolui né? :)

Moda, o “must have”, consumismo e nossa falta de estilo

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Sempre fui o tipo de pessoa apaixonada por moda, e isso é desde que eu me entendo por gente. Lembro que ainda pequena, preferia ganhar roupas e sapatos í  bonecas e brinquedos. Barbie? Só se fosse para ir nas feirinhas hippies e comprar roupas novas para vesti-las.

Na adolescência, não tinha Internet e meu único meio de me informar das “tendências” era pelas revistas mesmo. Aprendi com a minha tia, que também sempre gostou de moda e chegou até a ter uma confecção, a montar uma pasta com recortes para ter como referência das peças que eu gostaria de ter no meu guarda-roupa. E vou além: confesso que até cogitei fazer faculdade de moda, e se as coisas aqui no Brasil não fossem tão complicadas, talvez tivesse feito já que meu primeiro sonho dourado, o de fazer veterinária, deixei de lado por causa da minha zero vocação para qualquer coisa que envolva sangue e corpos.

Os anos passaram e o acesso í  informação de moda, bem como seu consumo, se tornou algo extremamente democrático e acessí­vel graças a Internet. Se antes demorávamos a próxima edição da revista após uma semana de moda para saber o que seria tendência na temporada seguinte, hoje essa informação é quase instantí¢nea: acaba o desfile e alguns minutos depois, já tem alguma resenha das apostas que veremos em vitrines e araras em alguns meses. Tão rápido quanto o acesso a informação, é a disponibilidade das tendências. Se até uns dois anos atrás demorávamos meses para ter uma peça que virou moda na gringa, hoje é coisa de semanas, quando não dias ”“tá aí­ a Zara que não me deixa mentir. E tem para todos os gostos, bolsos e (nem sempre para não dizer nunca) tamanhos.

MASSIFICAí‡íƒO DA MODA E A FALTA DE ESTILO: PQ DEIXAMOS DE SER Ní“S MESMOS?

A verdade é que ao mesmo tempo que eu comemoro essa democratização do acesso a “informação” de moda e o fácil acesso í  essas tendências, afinal, todo mundo tem direito de se vestir bem, tenho me sentido na contra-mão de tudo isso. Acho que nunca me senti tão bodiada de moda, não me importando qual é a tendência da vez ou qual é a peça must-have do momento. Sabe aquela sensação de quando você vai í s compras, olha todas as lojas e não encontra nada com a sua cara? í‰ assim que eu me sinto com a moda atual, mas o tempo todo. Dessas últimas “tendências”, confesso que as últimas identificaçíµes que rolaram foi essa coisa meio rockinho, meio glam com muita roupa preta, cinza, jeans, couro, ombreiras, xadrez, camisetas surradinhas e brilho, mesmo porque grande parte já fazia parte do meu estilo desde sempre -e são temas dos poucos posts de moda aqui do blog.

Não sei vocês, mas eu tenho a necessidade de tudo, quando possí­vel, ser do meu jeito, ter minha cara. E com meu guarda-roupa, não poderia ser diferente. Não é a toa que vira e mexe algum amigo fala “nossa, vi uma blusa x que era sua cara” ou “tem um sapato em tal loja que você iria amar”, e olha vou te falar que eu adoro isso. Digo isso porque tenho observado que cada vez mais as pessoas estão perdendo seu estilo, sua identidade fashion. Não basta gostar de uma peça, se identificar com ela: TEM QUE ser tendência, TEM QUE estar na moda, TEM QUE ter no guarda-roupa porque é must have. Mas cadê o estilo? Aquela brincadeira de se vestir de acordo com humor? Para ser alguém de fato preciso me vestir com o que a moda diz? Cadê o livre arbí­trio de poder me vestir da forma com que combina mais comigo? Para mim, o mundo fashion virou um grande depósito de vasos, com todos andando com as mesmas roupas, obedecendo um mesmo estilo.

Outro bode que eu ando da moda é essa onda de re-batismo das peças. Aquela calça boca-de-sino que nossas mães usaram na década de 70 virou flare -e não venham me dizer que ela é menos ampla do que a que sua antecessora porque não me convence de que é só uma versão revisitada para se adaptar facilmente a moda atual. Belt Purse para mim é puro e simples eufemismo da cafona pochete só para você não ser xoxado pelos amigos ”“e não, não tem Louis Vuitton que me faça usar essa coisa cafona. Rasteirinhas e sapatilhas viraram flats e o salto anabela, Wedge. Também tem as clutches, que na minha época eram chamadas de bolsas de mão ou carteira. Isso porque nem entrei nos méritos das coisas que a pouco tempo eram julgadas como cafonas e over e agora são hypadas, como os óculos com lentes espelhadas -não tem modismo que me faça achar aquilo bonito, sério.

PELO DESEJO DE ACORDAR TODOS OS DIAS E ESCOLHER UMA ROUPA PELO MOOD DO MOMENTO

Faço todas essas indagaçíµes e nem é só por essa onda fashion victims, mas principalmente para as lojas. Antes nós torcí­amos para que as “tendências” chegassem logo até nós a preços mais amigos. Já hoje, temos esse acesso quase que imediato como eu disse ali em cima, mas não encontramos nada além do que a “principal” tendência. Não existe a opção de estilos ou pelo básico, só os extremos: ou você vai encontrar o último grito da moda da última semana ou aquela roupa com cara de senhora, que ficaria ótima para sua bisavó. Não existe um meio termo. Desafio você, caro leitor, a ir em uma dessas lojas e voltar com um jeans com lavagem tradicional e corte reto e uma camiseta branca lisa, peças consideradas por anos como item básico para se ter no guarda-roupa. Se você achar, por favor, compartilhe comigo, porque para mim virou artigo em extinção.

Tudo isso não me fez deixar de gostar de moda, mas acho que passei a encará-la de uma forma mais rí­gida e dura. Peguei bode das peças da moda, preguiça de acompanhar as tendências. Semanas de moda? Só acompanho por pura obrigação profissional afinal, mesmo que o blog não fale mais sobre moda de maneira direta, trabalho em um site que fala justamente sobre o assunto, mas deixei de acompanhar por curiosidade, paixão por moda. Por algum tempo tentei acompanhar lendo e consumindo este tipo de conteúdo de forma mais pessoal, mas confesso que não é para mim. Eu preciso escolher aquilo que combina comigo de verdade e por isso, voltei ao ponto inicial de sair colhendo referências, não mais em revistas ou sites, mas muito mais no que eu vejo em algumas lojas, nas ruas e do meu humor.

Enquanto admiradora da moda, acho triste ver que a democratização não despertou o interesse e a valorização da diversidade fashion, mas só um desespero pelo consumo e a zero preocupação pelo estilo e pela liberdade de ser você mesmo.

Fica aqui meu convite, nessas semanas aonde araras serão tomadas pelas “apostas” do outono/inverno que você pense duas vezes antes de comprar uma peça com a justificativa do “must have”, e invista naquilo que traduza o seu estilo e o que você é de verdade. Porque como já diria a Pitty: “o importante é ser você, mesmo que seja bizarro”.

PS: leitura recomendada dos dois posts da Lia sobre livros de estilo. Já li alguns deles, e acho bacana para abrir um pouco a mente e também conhecer mais sobre seu guarda-roupa e gostos em uma época que nós somos tão bombardeados de informaçíµes e tentaçíµes :)

A little less conversation, a little more action. Please!

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Este ano completo 10 anos que eu blogo, sendo 6 deles aqui no Borboletando. O que começou como uma brincadeira de adolescente influenciada pelas minhas duas melhores amigas da época e meu ex, foi ganhando forma e virando coisa séria ”“ou melhor, em partes. Quando me refiro a uma coisa séria, não estou falando que o blog é profissa ou que eu tenha algum objetivo puramente financeiro com ele, mas é porque ele virou parte da minha vida, quase tão importante e necessário como estudar, trabalhar e arrumar tempo pra me divertir. O blog definitivamente é minha extensão minha vida, do que eu sou e do que eu acredito. Minha paixão pela blogosfera é tão grande que é o objeto de estudo da minha pós graduação em Relaçíµes Públicas e foi tema do meu artigo do semestre passado. í‰ algo que eu não só gosto, mas de fato me interesso, me dedico, leio e estudo.

Nesses 10 anos blogando, passei por todas as fases que vocês podem imaginar. Do blog bobinho e cheio de gifs e imagens engraçadinhas mais ou menos como vocês fazem hoje no Feicetruque ao diário do que eu fazia da minha rotina na escola e como vestibulanda, seguido pela minha vida na faculdade, as primeiras baladas na cidade grande e minhas desilusíµes da vida. Com o tempo, além de achar que eu estava me expondo demais, comecei a entrar em crise porque eu achava que o blog não tinha um estilo, uma identidade, um assunto único e passei a deixá-lo cada vez mais impessoal e centralizado nos assuntos que eu sempre me interessei como moda e beleza. í“bvio que essa fase não durou muito porque a minha motivação é outra, sou filha da blogosfera old school e preciso olhar para meu blog e me enxergar, me identificar.

Na mesma fase que eu comecei a me auto-bodiar do meu próprio blog, comecei a pegar bode da blogosfera. Além de blogueira e leitora, trabalho com relacionamento e social media e dentre minhas inúmeras tarefas da minha rotina de trabalho, faz parte ler blogs e também analisar os vários pedidos que chegam todos os dias na caixa de entrada do e-mail da firma. Dentre eles, pouquí­ssimos estão interessados em conhecer a marca e o conceito dos produtos: a maioria mesmo, só está interessada no jabá. E aí­ eu me pergunto: oferecer uma resenha em troca de um produto é mesmo válido? Eu particularmente acredito que na grande maioria dos casos, a opinião fica sugestionada, porque infelizmente a maioria tem medo de se queimar com as empresas. Não, não estou criticando o envio de jabás e a publicidade, quero mais é que quem faça um trabalho bacana, digno e honesto se dê bem. Mas o que me preocupa é a venda de opinião desenfreada e sem critério em troca de um brinde, o publieditorial velado sem identificação. E antes que me apontem o dedo e me chamem de hipócrita, sim, vou em eventos, recebo jabás pelas assessorias e agências e faço publieditoriais, mas faço tudo com o mí­nimo de bom senso e consciência. Eventos raramente eu vou porque confesso ter preguicinha, deixo para ir das marcas que eu gosto ou lançamentos que me interessam; jabás recebo muitos e quase nenhum vira post no blog ”“a maioria das resenhas publicadas aqui são de produtos que eu pago com meu rico dinheirinho e as poucas vezes que eu falo sobre algo que eu ganho, deixo claro que o produto foi enviado por uma agência/assessoria e sim, só falo quando eu gosto muito, a ponto de continuar comprando/usando, como foi o caso do Fiberceutic. Já sobre os polêmicos publieditoriais, só faço com as marcas que eu acredito, gosto e uso ”“e sempre etiquetados com o selo da campanha do Papo de Homem da transparência on-line. Por que todas essas precauçíµes? Porque eu tenho o mí­nimo de respeito por vocês, leitores. Porque tenho plena noção que muitos de vocês compram coisas influenciados por algo que eu disse e indiquei.

COMO ESTAMOS BLOGANDO? POR UMA AUTO-ANíLISE E UMA BLOGOSFERA MELHOR

E o que dizer do conteúdo? Cada vez mais do mesmo, repetido a todo instante exaustivamente e muitas vezes, sem nenhum critério e responsabilidade. No desespero de fazer algo diferente, começaram a inventar moda: receita de escova progressiva em casa combinando formol e queratina, silicone e desodorante roll-on na cara como primer, lápis de cor 36 cores substituindo a famosa paleta de 192303048 cores são alguns dos absurdos que chegaram até nós há pouco tempo, mas que estão rolando a meses/anos na web. Mas cadê a responsabilidade com o leitor? Desodorante Roll On por exemplo, tem álcool. Aí­ você sai na rua nesse calor senegalês que anda fazendo no Brasil e corre o risco de queimar seu lindo rostinho porque não quis desembolsar alguns dinheiros para comprar um produto decente. Não entendo a necessidade que as pessoas insistem em criar para coisas que vivemos tanto tempo sem, como o primer. Não tem dinheiro pra comprar o da MAC? Tem o da Koloss, da Avon. Não tem dinheiro pra nenhum dos 2? Não use, não invente receitas caseiras irresponsáveis. Sua vó, sua mãe e até você viveu tanto tempo sem, qual o problema de continuar sem usar primer?

Mas enfim, cruzar os braços e reclamar não adianta nada né? Por isso, comecei a olhar meu próprio umbigo e cortar da minha própria carne afinal, eu também havia esquecido a essência do que era ser um blog de verdade, aquele que os livros de social media e web 2.0 dizem, aquele blog maroto que eu e muitos de vocês faziam alguns anos atrás. Eu havia esquecido que o blog antes de mais nada, era meu espaço e que eu deveria impor ali minha opinião. Ter o blog atualizado 2, 3 vezes por dia rendia audiência, rendia pageviews mas bobagem… eram só números. Eu sentia falta mesmo era de olhar o blog e ver que ele tinha a minha cara, o meu jeito, a minha essência. Sentia falta de mim. Cortar a própria carne e admitir que você errou e se precipitou por um medo de se expor é um processo dolorido mas ainda assim, quis fazer o caminho de volta para casa. Parei de me cobrar, de me auto-exigir, de respeitar meus momentos de crise e inspiração zero para escrever, como eu já disse aqui. Comecei a priorizar a qualidade e não a quantidade do conteúdo não por preguiça de escrever, mas por respeito aos meus leitores, que merecem ler posts bacanas, interessantes e de qualidade, seja de moda, beleza, música, cinema, fotografia, alguma experiência bacana minha ou até mesmo um desabafo meu como esse que vocês estão lendo. Estou satisfeita porque consegui enfim encontrar um meio termo: não preciso expor minha vida ou falar sobre a minha rotina diária para ser pessoal, mas também não preciso eximir minha opinião e deixá-lo imparcial. Um ano e pouco depois da minha decisão, acho que fiz a lição de casa e estou retomando o caminho que eu queria trilhar.

Contei um pouco da minha história e um pouco de como eu me sinto perante a blogosfera porque nos últimos tempos o que eu mais tenho lido e visto são blogueiras reclamando dos blogs, do conteúdo, da forma com que as empresas se relacionam e também sobre as crí­ticas pesadas e nada generosas dos jornalistas, que quase sempre são interpretadas como “recalque”. Ao mesmo tempo que eu vejo tudo isso, são poucos que eu vejo de fato colocarem a mão na massa, mudarem aquilo que as incomodam. Todo muito quer progredir, quer se reconhecido, mas não fazem por onde: preferem apontar o dedo para a colega ao olhar o próprio umbigo e fazerem uma auto-crí­tica para saberem o que podem contribuir para uma blogosfera melhor. Mas sabe como é, o comodismo é sempre a melhor escolha para a maioria das pessoas. Falar mal também. Aliás, falar mal de quem conseguiu se dar bem também é bem presente, mas poucos estão mexendo a bunda e os dedinhos no teclado para fazer por merecer. Pra mim isso sim é recalque, mesmo que muitas vezes velado.

Um blog só é blog quando ele tem, de alguma forma, o ponto de vista do autor, não é imparcial. Porém, todos querem ser formadores de opinião mas poucos se preocupam em de fato formar opinião. Falta critério e responsabilidade no que será publicado, medir as conseqí¼ências do impacto que aquela informação vai ter para o leitor. Querem ser tratados e respeitados como imprensa, mas não se comportam com o mí­nimo ética e comprometimento. Falta bom senso, falta boa vontade e falta principalmente amor, dedicação e respeito. E falta também se acreditarem menos, se levarem menos í  sério. A gente tem tantas obrigaçíµes, tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra se preocupar, pra que levar tudo tão a sério?

POR UMA BLOGOSFERA MAIS DIVERTIDA, LEVE E MENOS BITOLADA

A blogosfera mudou, cresceu, ganhou proporçíµes inimagináveis. Os blogs ganharam status, notoriedade e lugar de destaque dentro da web, mas precisa encontrar um ponto equilibrio. Nem tanto o céu, nem tanto o mar. Menos deslumbre com semanas de moda, eventos de marcas regados a champagnhe e cupcake e talifãs, mais pé em terra firme.

Como já diria Elvis: “menos conversa, um pouco mais de ação, por favor”. E um pouco de amor também não faz mal a ninguém.

OBS: Este post não é nenhuma indireta e nem tem o objetivo de ser. í‰ desabafo do que eu penso e sinto também conversando com outros amigos blogueiros, social medias e leitores, e também um convite para que todo mundo reflita, tome uma atitude e faça de verdade o que gosta, sem pensar nos benefí­cios e consequências do que isso trará.

Pela licença poética de pirar na batatinha

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Acho que nunca na minha vida clamei tanto pelo final do ano e pelas minhas férias. A verdade é que tenho trabalhado e estudado non stop há pelo menos uns 4 anos e mesmo fazendo o que a gente gosta, chega uma hora que nós precisamos nos dar ao luxo de não fazer absolutamente nada. Ou pelo menos quase isso.

PELO DIREITO DE PIRAR NA BATATINHA: ESTAMOS TRABALHANDO

Minha vida é corrida. Moro longe do trabalho, da pós graduação, dos lugares que eu freqí¼ento, dos meus amigos… volto para casa praticamente para dormir, ficar com meus pais e as cachorras. Desde quando comecei a ter uma rotina mais puxada por conta das minhas obrigaçíµes profissionais e estudantis, passei a abrir mão das minhas horas de folga e ócio para ficar em casa, ou escrevendo para o blog, ou conversando com meus amigos na web ou ainda lendo alguma coisa relacionada a Internet, mí­dias sociais ou artigos das aulas. Sair de casa era luxo, e exigia toda uma programação prévia, que geralmente já deixava preparada no começo da semana. Eu, que nunca fui a pessoa mais baladeira do universo mas procurava manter um certo compromisso de sair 1 ou 2 vezes por mês, deixei de sair. As poucas vezes que eu me dignifiquei a sair de casa geralmente emendava depois do trabalho, indo para a casa de um amigo ou para algum Happy Hour com horário cronometrado para voltar para ir embora. Fazia tudo isso com a ilusão de estar descansando, quando na verdade, só estava ficando mais cansada ainda. Há mais ou menos 4 meses, tenho me forçado a sair, a ver gente, conhecer pessoas, estar perto dos amigos e vou dizer que tudo isso tem me feito muito bem, obrigada. Tenho começado a semana com mais motivação, mais feliz e com a sensação de estar descansada.

Nós temos a maldita mania de achar que para estar cansado, é preciso fazer algum esforço fí­sico, como se pensar também não exigisse de nós energia e tempo. Eu trabalho com relacionamento e produção de conteúdo, passo a maior parte do tempo no trabalho criando e escrevendo textos. Nos últimos tempos, tenho percebido que não tenho rendido tanto e também uma sensação de bloqueio criativo. Sabe quando você escreve e acha que o texto ficou ruim? Ou ainda quando você tem todo o discurso formado na cabeça mas dá um bloqueio criativo que você não consegue jogar as idéias no Word? í‰ assim que eu tenho me sentido nos últimos tempos, não só no trabalho, mas principalmente aqui no blog. Acho que grande parte dessa minha sensação se deve ao fato de eu ser uma pessoa extremamente perfeccionista e auto-critica, daquelas que não consegue fazer nada mais ou menos e acha que nada é o suficiente. Já a outra parte é a tal auto-cobrança: perdi a conta de quantas vezes eu abri o painel do WordPress para escrever um post bacana sobre algum assunto que eu queria debater e não conseguia escrever. Saia para respirar, dar uma volta, abria o painel de novo. Um dia, dois dias, uma semana, duas semanas. E aquela sensação péssima de que você não consegue mais transcrever e expressar sentimentos e pensamentos, que se manifesta em forma de angústia e um certo calafrio.

Perdi a conta de quantas vezes chamei amigos para desabafar, conversar, ver se eu tirava daquela conversa uma inspiração, desencantar o bloqueio criativo que eu estava enfrentando. E sabe como eu consegui fazê-lo? Na hora que eu deixei de me cobrar. Desencanei dos prazos, das pressíµes, da necessidade do “ai meu Deus tenho que postar”, da maldita ~cagação~ de regra de “você precisa postar ao menos uma vez por dia”. Quem disse isso? Aonde tá escrito que isso é uma regra, é uma obrigação? Para mim, escrever é um prazer e tenho a sorte de poder trabalhar com isso. Mas como todo prazer, só tem sentido quando ele te faz bem, te faz sentir uma pessoa melhor. Para mim, não rola escrever qualquer coisa “por obrigação”: eu preciso olhar para ela e achar que ela está bem feita e que vai agregar alguma coisa para o leitor. E isso vale não só para o blog, mas também para meus trabalhos como webwritter, que é minha profissão e o que me sustenta.

Uma vez eu li um artigo, não vou me lembrar aonde agora, em que o autor falava que ás vezes precisamos perder o foco naquilo que estamos fazendo para que as coisas fluam, e é verdade: parece que quanto mais focado estamos em um objetivo, mais ele se distancia da gente. ís vezes precisamos nos dar ao luxo de não fazer nada para que a inspiração venha, ou ainda, observar o que está ao nosso redor, mesmo que não tenha ligação com aquilo que nós estamos buscando naquele momento. Precisamos na maioria delas, expandir nossos horizontes, deixar de ver só o que está debaixo dos nossos olhos.

Umas semanas atrás vi um ví­deo no blog da Lu Ferreira que mostra 29 maneiras de se manter criativo, e todas as dicas mostram justamente isso: saia do lugar comum e observe, permita-se sair do foco, errar.

E é essa minha meta para os 26 anos e para 2012: me cobrar menos, me permitir mais, exercitar e motivar minha criatividade todos os dias.