documentário

Don’t be a drag, just be a queen

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Eu já sofri algum tipo de discriminação. Aquele seu colega de trabalho também. E você provavelmente também. Todos nós já sofremos com algum tipo de discriminação em algum momento da nossa vida, em menor ou maior proporção, mas difí­cil encontrar uma pessoa que não tenha sido alvo de piadinhas maldosas dos colegas na infí¢ncia, adolescência e em alguns casos, até na vida adulta. Pode ser desde um simples xingamento, uma ofensa, um comentário que faça você sentir menor, uma brincadeira de mal gosto. Há quem até foi perseguido e humilhado, sofreu bullying. E o motivo não importa: quem pratica este ato no mí­nimo covarde, tem os respectivos apelidos na ponta da lingua e as armadilhas estrategicamente preparadas. Basta você ser um pouco diferente do que ele julga “normal” (veja bem, no olhar de quem pratica o ato) para se sentir no direito de apontar o dedo e julgar o outro. Se você é gordinha(o), é a baleia. Se você é magra(o) é o palito de dente. Se você tem o nariz avantajado, você é primo do tucano. Se você é alta(o), lançam aquelas piadinhas no ní­vel “tá frio aí­ em cima?” ou ainda, se você é prima(o) do Tropeço. Se você tem espinhas, Chokito. E se você é baixinho, é o famoso pintor de rodapé. Se você usa óculos, é o 4 olho. E ainda estou sendo leve, afinal, é daí­ pra pior. Isso sem citar o constrangimento, a humilhação, a dor de você se ver exposto e ao mesmo tempo indefeso. E a exclusão que o grupo faz com aquele que eles julgam “diferente”. Crescemos em uma sociedade em que é vivemos a base de rótulos, e qualquer rasgo que destoe seu rótulo dos demais é o suficiente para que você seja motivo de chacota. Mas não espere ler nos próximos parágrafos dicas de como melhorar sua auto-estima, não ligar para o que as pessoas dizem ao seu respeito ou ainda pagar de psicologia barata. Este post tem outro propósito -e você vai entender ali no final.

Nunca na história desse paí­s (e quiçá, do mundo) temos visto tais ofensas e o bullying sendo abordado de uma maneira tão massiva. Sempre quando eu me deparo com uma capa de uma dessas grandes revistas semanais ou ainda com a chamada de uma matéria especial em programas do porte de um Fantástico, fico me perguntando: será que só agora que se deram conta do quanto esses “apelidinhos” e a perseguição está longe de ser uma brincadeirinha de criança e pode deixar grandes cicatrizes para uma vida inteira?

Vejo casos como dos gays que são espancados na região da Paulista e da transexual espancada no banheiro do MC Donalds nos EUA e fico me perguntando se esses adultos não teriam se tornado mais tolerantes ao diferente se pais, professores e diretores das escolas não tivessem visto os atos de covardia praticados por eles nos colégios como “coisa tí­pica de criança” -quem, quando criança, nunca ouviu isso da boca de um adulto que atire a primeira pedra. Por outro lado, temos que engolir seco casos como do atirador de Realengo sendo justificado por parte da imprensa como “vingança porque sofreu bullying no colégio” e não como uma pessoa que tinha problemas mentais, afinal de contas, ser ofendido de alguma maneira ou sofrer bullying ainda não é licença para matar e muito menos te faz um assassino em potencial né?

Escrevi tudo isso porque talvez essa seja a primeira vez que você se identifique de fato com a Lady Gaga. í‰, porque por trás dos looks bizarros e dos body modifications existe uma pessoa como eu e você, que também já foi alvo de piadas do colégio e ainda sente os reflexos dessa perseguição. O depoimento, feito no backstage de um show da cantora para um documentário produzido pela HBO, mostra uma Lady Gaga triste e insegura, dizendo frases como “eu ainda me sinto uma adolescente perdedora do ensino médio” e falando sobre a cobrança que tem com si mesma de ser manter forte para servir como um exemplo de superação para seus fãs.

Convido você, amigo leitor, a se despir de qualquer pre-conceito ou opinião formada que você tenha sobre ela e assista este ví­deo:

Não importa se você acha a bizarra, extravagante ou fantástica: é impossí­vel não se comover ou se emocionar com o depoimento de Stefani Germanotta, a Lady Gaga sem maquiagem, próteses, botas de plataforma ou qualquer outro item marcante de seu figurino. E descobrir que apesar de diferente, ela tem tantas fraquezas como eu e você.

Bem vinda ao clube, Lady Gaga. Aqui todo mundo foi considerado loser uma vez na vida, mas o que importa é passar por cima de tudo isso e sambar na cara deles. Go girl!