reflexão

Sobre aquilo que eu não te perguntei

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Semana passada me deu uns 5 minutos e resolvi fazer algo que há muito tempo queria fazer, mas faltava coragem: cortei minha franja. Ao contrário do que você deve estar pensando, não era a primeira vez que eu cortava franja: ostentei uma até meus 11 anos de idade, depois fiquei alternando em ter e não até os 24. Tem uns 4 anos que eu fiquei sugestionada com a opinião das pessoas que diziam que o fato de estar com o rosto mais cheio por eu ter engordado não combinava com a minha franja e que eu não tinha mais idade para usar um cabelo de ~criança~. Naquela sexta, resolvi ouvir minha voz interior e realizei meu desejo. E quer saber? Curti mais do que das outras vezes.

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No dia seguinte, tirei uma ~selfie~ no carro e gostei tanto da foto que resolvi botar de perfil no Facebook. Não deu nem 5 minutos e eu recebi uma inbox de um conhecido, daqueles que a gente mal tem um conví­vio, falando que não tinha curtido tanto assim a franja. Em outros tempos eu ficaria um pouco chateada, mas dessa vez minha reação foi mais ou menos essa:

LEGAL CARA, MAS EU GOSTEI PRA CARAMBA VIU?

LEGAL CARA, MAS EU GOSTEI PRA CARAMBA VIU?

Eu não sei em qual momento da vida eu perdi que as pessoas começaram a se sentir no direito de opinar sobre suas decisões, seu corpo, sua vida. Sempre fico chocada quando olho no Instagram seguidoras comentando nas fotos de outras meninas coisas do nível “não gostei do seu cabelo novo”, “ai nossa como você engordou hein?”, “nossa não come isso porque você vai engordar!!!”. Sério, que direito essas pessoas tem de chegarem na gente e questionarem nossas escolhas? Por que essas pessoas não guardam pra si mesmas suas opiniões? Por que raios ninguém pode estar feliz consigo mesmo e sempre tem que estar apto a ouvir o que os outros tem a dizer sobre suas escolhas?

Depois de muitos anos, estou aprendendo que a vida é muito mais legal quando nós mesmos temos controle sob ela e fazemos aquilo que temos vontade, independente da opinião alheia. Afinal, quem acorda, se olha no espelho e vive na própria pele é você mesmo, então o que importa de verdade é você se sentir confortável com aquilo. E (me perdoem pela referência bagaceira) parafraseando a diva do axé e cinderela baiana Carla Perez, se nem Jesus agrada todo mundo PORQUE RAIOS A GENTE TEM ESSA NECESSIDADE DE QUERER AGRADAR A TODOS?

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Se eu pudesse te dar um conselho, certamente diria para fazer aquilo que você está com vontade. Quer cortar franja? Corte, se não gostar do resultado, cabelo cresce rapidinho. Quer pintar o cabelo de uma cor ousada? Pinte, se não gostar, é só passar outra cor por cima. Quer usar uma determinada roupa? Use e não se importe com os comentários alheios. Quer comer um negócio? Coma, sem culpa.

A vida é muito curta para você viver para os outros, não fazer aquilo que tem vontade e ficar se preocupando com o que vão achar sobre você.

PS: sobre esse assunto, recomendo demais o post chuta-bundas da Gigi sobre o dia em que ela saiu de turbante fora de casa :)

O ato de Borboletar

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Parece que foi ontem, mas o Borboletando completou 6 anos de existência. A maior parte dos leitores atuais não acompanharam toda a trajetória do blog, não tenho todo o passado dele registrado aqui porque apaguei os registros mais pessoais em momentos de fúria. Mas uma das coisas mais bacanas é quando alguém que viu o blog nascer vem falar que acompanha minhas postagens desde sempre. Ou que ficou feliz quando o blog voltou a ser pessoal. Ou que tem ainda como um dos seus blogs favoritos.

E nesses 6 anos, quantas mudanças! O blog, no começo, era extremamente pessoal mas depois comecei a me sentir mal por me expor tanto quando me dei conta de quantas pessoas liam meus desabafos diariamente. Passei por uma fase impessoal, quase não autoral, e com a ajuda dos colaboradores, mas sentia que aquele não era o meu blog, o meu espaço e decidi fazer o caminho de volta para casa. No meio do caminho, tive vontade de desistir, de jogar tudo pro alto, mas decidi que levaria o blog menos a ferro e fogo, com mais diversão e menos cobranças. E que bom que consegui encontrar um novo caminho, colocando na balança as coisas boas e ruins dos dois extremos e fazendo aquilo que eu posso oferecer de melhor ”“mesmo que eu fique um bom tempo sem dar nenhum sinal de vida. Aprendi a respeitar minhas crises criativas, meu cansaço mental e principalmente, em priorizar assuntos que sejam bacanas não só para mim, mas para os meus leitores afinal, o blog só existe até hoje por causa de vocês.

Nesses anos todos, não foi só o blog que mudou: eu também borboletei, e muito. Talvez nunca tenha dito aqui no blog sobre o quanto ele é responsável por um monte de coisas boas na minha vida. Primeiro conheci um monte de gente bacana por causa do blog e que acabaram virando meus melhores amigos da vida real (vide Thiago, Vitor e Bee, só para citar alguns dos mais antigos e presentes). Também descobri uma nova vocação graças a ele: eu, que quando abri o blog enquanto cursava Administração Hoteleira, acabei migrando para a área de mí­dias sociais, primeiro como redatora e agora com relacionamento e influência ”“e não consigo me imaginar fazendo outra coisa que não seja nesta área. Se não fosse pelo blog, a esta hora provavelmente estaria dentro de um escritório em algum hotel da cidade e infeliz com a minha profissão.

Mudei meu cabelo, meu estilo, meu modo de pensar, a forma de encarar e viver a vida. Hoje, 6 anos depois, vejo que o nome do blog não poderia fazer mais sentido para mim: sou essa transformação, essa necessidade de exteriorizar minhas mudanças.

í‰ como já diria Raul: “prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. E que bom que a gente muda, transforma e evolui né? :)