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Mixtape #47 – Foco, força e fé!

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Depois de quase 2 meses, estou de volta ao blog e voltando, ao pouco, a minha rotina. Como eu contei no post de hiatus, eu me afastei do blog, tirei férias e fiquei 5 semanas praticamente enfurnada em casa para terminar minha monografia da pós-graduação que resultou nisso aqui:

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Escolhi fazer sobre blogs porque 1) eu trabalho com relacionamento entre blogueiros e marcas 2) sou blogueira praticamente desde a era pré-histórica das Internet, então nada mais justo do que falar dos paranauê que eu manjo né? Mas, apesar de eu tirar o tema de letra, foi super cansativo e fiquei praticamente 2 finais de semana dormindo para me recuperar do efeito rebote.

Durante a produção da monografia, vivi a base de 3 coisas: paçoquita (cremosa, em rolha, quadradinha, enfim, amo/sou paçoca e sim, liguei um foda-se pra dieta), red bull sugar free (para me manter acordada pq né) e música boa. Já disse inúmeras vezes aqui no blog que sou movida a música e preciso de uma trilha sonora para tudo que eu faço, inclusive estudar.

Essa Mixtape é inspirada em algumas das playlists que eu criei durante esse meu ~enclausuramento~ e que me ajudaram a me manter focada e motivada. Espero que gostem dessa Mixtape de comeback e que seja útil pra vocês também, seja para estudar ou no trabalho \o/.

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Gostou dessa mixtape? Para baixar, clica aqui. E para ouvir todas as outras que já passaram para o blog, vem pra cá. Tem alguma sugestão de mixtape? Deixa nos comentários ou compartilha no grupo do blog no Facebook.

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Então é isso, mores. Estou voltando, aos poucos, mas agora é pra ficar e encher essa blogosfera de amor! <3

Pela licença poética de pirar na batatinha

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Acho que nunca na minha vida clamei tanto pelo final do ano e pelas minhas férias. A verdade é que tenho trabalhado e estudado non stop há pelo menos uns 4 anos e mesmo fazendo o que a gente gosta, chega uma hora que nós precisamos nos dar ao luxo de não fazer absolutamente nada. Ou pelo menos quase isso.

PELO DIREITO DE PIRAR NA BATATINHA: ESTAMOS TRABALHANDO

Minha vida é corrida. Moro longe do trabalho, da pós graduação, dos lugares que eu freqí¼ento, dos meus amigos… volto para casa praticamente para dormir, ficar com meus pais e as cachorras. Desde quando comecei a ter uma rotina mais puxada por conta das minhas obrigaçíµes profissionais e estudantis, passei a abrir mão das minhas horas de folga e ócio para ficar em casa, ou escrevendo para o blog, ou conversando com meus amigos na web ou ainda lendo alguma coisa relacionada a Internet, mí­dias sociais ou artigos das aulas. Sair de casa era luxo, e exigia toda uma programação prévia, que geralmente já deixava preparada no começo da semana. Eu, que nunca fui a pessoa mais baladeira do universo mas procurava manter um certo compromisso de sair 1 ou 2 vezes por mês, deixei de sair. As poucas vezes que eu me dignifiquei a sair de casa geralmente emendava depois do trabalho, indo para a casa de um amigo ou para algum Happy Hour com horário cronometrado para voltar para ir embora. Fazia tudo isso com a ilusão de estar descansando, quando na verdade, só estava ficando mais cansada ainda. Há mais ou menos 4 meses, tenho me forçado a sair, a ver gente, conhecer pessoas, estar perto dos amigos e vou dizer que tudo isso tem me feito muito bem, obrigada. Tenho começado a semana com mais motivação, mais feliz e com a sensação de estar descansada.

Nós temos a maldita mania de achar que para estar cansado, é preciso fazer algum esforço fí­sico, como se pensar também não exigisse de nós energia e tempo. Eu trabalho com relacionamento e produção de conteúdo, passo a maior parte do tempo no trabalho criando e escrevendo textos. Nos últimos tempos, tenho percebido que não tenho rendido tanto e também uma sensação de bloqueio criativo. Sabe quando você escreve e acha que o texto ficou ruim? Ou ainda quando você tem todo o discurso formado na cabeça mas dá um bloqueio criativo que você não consegue jogar as idéias no Word? í‰ assim que eu tenho me sentido nos últimos tempos, não só no trabalho, mas principalmente aqui no blog. Acho que grande parte dessa minha sensação se deve ao fato de eu ser uma pessoa extremamente perfeccionista e auto-critica, daquelas que não consegue fazer nada mais ou menos e acha que nada é o suficiente. Já a outra parte é a tal auto-cobrança: perdi a conta de quantas vezes eu abri o painel do WordPress para escrever um post bacana sobre algum assunto que eu queria debater e não conseguia escrever. Saia para respirar, dar uma volta, abria o painel de novo. Um dia, dois dias, uma semana, duas semanas. E aquela sensação péssima de que você não consegue mais transcrever e expressar sentimentos e pensamentos, que se manifesta em forma de angústia e um certo calafrio.

Perdi a conta de quantas vezes chamei amigos para desabafar, conversar, ver se eu tirava daquela conversa uma inspiração, desencantar o bloqueio criativo que eu estava enfrentando. E sabe como eu consegui fazê-lo? Na hora que eu deixei de me cobrar. Desencanei dos prazos, das pressíµes, da necessidade do “ai meu Deus tenho que postar”, da maldita ~cagação~ de regra de “você precisa postar ao menos uma vez por dia”. Quem disse isso? Aonde tá escrito que isso é uma regra, é uma obrigação? Para mim, escrever é um prazer e tenho a sorte de poder trabalhar com isso. Mas como todo prazer, só tem sentido quando ele te faz bem, te faz sentir uma pessoa melhor. Para mim, não rola escrever qualquer coisa “por obrigação”: eu preciso olhar para ela e achar que ela está bem feita e que vai agregar alguma coisa para o leitor. E isso vale não só para o blog, mas também para meus trabalhos como webwritter, que é minha profissão e o que me sustenta.

Uma vez eu li um artigo, não vou me lembrar aonde agora, em que o autor falava que ás vezes precisamos perder o foco naquilo que estamos fazendo para que as coisas fluam, e é verdade: parece que quanto mais focado estamos em um objetivo, mais ele se distancia da gente. ís vezes precisamos nos dar ao luxo de não fazer nada para que a inspiração venha, ou ainda, observar o que está ao nosso redor, mesmo que não tenha ligação com aquilo que nós estamos buscando naquele momento. Precisamos na maioria delas, expandir nossos horizontes, deixar de ver só o que está debaixo dos nossos olhos.

Umas semanas atrás vi um ví­deo no blog da Lu Ferreira que mostra 29 maneiras de se manter criativo, e todas as dicas mostram justamente isso: saia do lugar comum e observe, permita-se sair do foco, errar.

E é essa minha meta para os 26 anos e para 2012: me cobrar menos, me permitir mais, exercitar e motivar minha criatividade todos os dias.

As mulheres de Nova, o pseudo-feminismo e o amelismo

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Lembro como se fosse hoje a primeira vez que eu comprei uma revista Nova. Tinha lá pelos meus 18 anos e com a minha assinatura da Capricho chegando ao fim, fui em busca de uma revista que tivesse mais a minha cara e que falasse mais a linha língua afinal, não dava para ler naquela altura dicas e dúvidas de relacionamento destinadas a meninas de 12 anos né? Naquela época, nem Lola nem Gloss existiam: ou era Capricho, ou era Nova, ou Claudia. A Capricho eu era muito velha, para a Claudia, muito nova. Me restava a Nova.

Até que um dia, voltando da faculdade, resolvi parar na banca e arriscar. Folha após folha, não conseguia encontrar sequer uma página que me deixasse a vontade ou no mí­nimo instigada para ler a matéria. Tudo se resumia a matérias no melhor estilo “como ser bem sucedida em 3 passos”, “seja sexy e arranque suspiros na rua”, “como entrar em um jeans 36, manter um popô digno de mulher fruta e segurar o gato” ou “como conciliar trabalho, família, filhos e não perder o sex appeal”. Isso sem contar o constrangimento de chegar em casa com uma revista com uma sessão denominada SEXO LACRADO e suas 299304405056596678 dicas de como enloquecer seu parceiro na hora H com técnicas surreais e posições dignas de artistas do Cirque du Soleil. Logo na primeira tentativa vi que não era uma revista para mim, tampouco para a minha vida. Naquela época, achei o discurso muito balzaquiano para uma adolescente com um pé na vida adulta. Resultado? Passei para a minha prima, 6 anos mais velha.

INSIRA AQUI QUALQUER NOME BIZARRO A LA NOVA PARA ESTA POSIí‡íƒO

Quase 7 anos depois e o lançamento de outras revistas no mercado destinadas ao público da minha faixa etária (Gloss, Lola e a repaginação da Criativa), continuo achando que a Nova não é o tipo de revista para mim, uma mulher como muitas por aí. Se aos 18 anos eu não tinha a malícia e um olhar mais crítico com relação as matérias, hoje aos 25 tenho uma opinião que pode ser representada em uma só palavra: bizarra.

Nova não é uma revista que me representa, e vou além: não representa 99,99% das mulheres brasileiras e quiçá, do mundo inteiro. A mulher que Nova apresenta é independente, linda, gostosa, sexy, bem sucedida, ótima mãe, excelente filha, realizada, bem resolvida, bem vestida, cheia de iniciativa e boa de cama, sempre em busca de uma novidade para apimentar a relação. É a mulher que é solteira mas não se incomoda de sair por ­ em busca de sexo casual mas que ao mesmo tempo, busca um homem para chamar de seu e que tenta a todo custo, prendê-lo, mesmo que seja por meio do sexo. É a mulher que precisa de um homem para se sentir completa ou ela será uma fracassada. É a turbinada da Mulher Maravilha, o esteriótipo da mulher perfeita das duas ultimas e quem sabe, do novo século. Ou não.

IMPRIMA, RECORTE, COLOQUE SUA CARA E SEJA TAMBí‰M UMA MULHER DE NOVA

Há quem diga que a Nova segue um discurso feminista, mas sinceramente, acho que esta mulher sugerida pela publicação nada mais é do que a uma versão atualizada da Amélia, aquela que diziam por aí que era a mulher de verdade. Aquela que lavava, passava, cozinhava, cuidava dos filhos, limpava a casa e ainda tinha que estar linda para o marido a noite. A mesma que lia Jornal das Moças e Cláudia e seguia os seguintes conselhos para segurar o marido e manter a famí­lia:

– “Não se deve irritar o homem com ciúmes e dúvidas.” (Jornal das Moças, 1957)

– “Se desconfiar da infidelidade do marido, a esposa deve redobrar seu carinho e provas de afeto.” (Revista Cláudia, 1962)

– “A desordem em um banheiro desperta no marido a vontade de ir tomar banho fora de casa.” (Jornal das Moças, 1945)

– “A mulher deve fazer o marido descansar nas horas vagas. Nada de incomodá-lo com serviços domésticos.” (Jornas das Moças, 1959)

– “A esposa deve vestir-se depois de casada com a mesma elegância de solteira, pois é preciso lembrar-se de que a caça foi feita, mas é preciso mantê-la bem presa.” (Jornal das Moças, 1955)

– “Se o seu marido fuma, não arrume brigas pelo simples fato de cair cinzas no tapete. Tenha cinzeiros espalhados por toda casa.” (Jornal das Moças, 1957)

– “A mulher deve estar ciente que dificilmente um homem pode perdoar uma mulher por não ter resistido ás experiências pré-nupciais, mostrando que era perfeita e única, exatamente como ele a idealizara.” (Revista Cláudia, 1962)

– “Mesmo que um homem consiga divertir-se com sua namorada ou noiva, na verdade ele não irá gostar de ver que ela cedeu.” (Revista Querida, 1954)

– “É fundamental manter sempre a aparência impecável diante do marido.’ (Jornal das Moças, 1957)

– “Lugar de mulher é no Lar. O trabalho fora de casa masculiniza” (Revista Querida, 1955)

Não sei para você, caro leitor deste humilde blog, mas leio as frases retiradas de revistas da década de 50 acima e não consigo diferenciar a intenção dessas publicações do tempo da nossa avó para as matérias e dicas publicadas pela Nova nos últimos tempos. Ok, a posição das mulheres dentro da sociedade mudou (ainda bem!) mas a intenção tanto das chamadas da capa deste mês quanto das frases retiradas das revistas das nossas vós acima é a mesma. O que muda é um discurso feminista-liberal para esconder um machismo embutido adaptado para os novos tempos, porque no final das contas, o que ambas pregam é no fundo, o papel de submissão ao homem e sua imagem perante a sociedade. Ou seja: se no tempo das nossas avós o negócio era ser uma mulher de “família”, cuidar do lar e estar sempre preparada para o marido, hoje as mulheres são massacradas pela imagem da mulher bem sucedida, super-m]ae, super-mulher dona de um corpo escultural e bem resolvida sexualmente, a ponto de sempre levar coisas novas para o companheiro ou o carinha que ela está saindo atualmente. Se voê tem alguma dúvida disso, basta ler alguma das chamadas das matérias publicadas na versão on-line de Nova:

6 tipos de sexo que o seu amor adoraLeia

“Se é como a gente pensa, que eles não vivem sem sexo, isso não significa que anseiam por um repeteco da noite anterior. Saber das preferêcias masculinas ajuda a variar o repertório e, mais ainda, a manter nos dois a chama da paixão bem acesa.”

30 manobras sexuais extra hot (sem usar as mãos!)Leia

“Seus dedos incendeiam qualquer cara, mas outras partes do seu corpo são capazes de derretê-lo ao menor toque. A seguir, uma lista de manobras que vão matar seu amor de prazer – e sem deixar digitais!”

O que os homens pensam durante o sexoLeia

“A Alinne Moraes, a celulite que flagrou – apesar de seus esforços para escondê-la -, o gol de um craque… será que isso passa pela cabeçaa deles no rala-e-rola? Sim, essas coisas e muitas outras. O nosso espião entrega tudo!”

Como fazer um strip-teaseLeia

“NOVA traz, passo a passo, um strip-tease que vai deixar o seu homem caidinho, louco para ter você nos braços dele. Confira, aprenda e arrase!”

Receitas sexy para esquentar sua relaçãoLeia

Anote as receitas explosivas que vão fazer qualquer um comer na sua mão (ou em outro lugar do seu corpo). Preaqueça o quarto, junte uma lingerie sexy, um homem lindo e sua fantasia mais apimentada. Misture bem e leve à cama (ou ao carro, à banheira, à  balada…).

Estilo rock and roll para seduzirLeia

“Deite e role com tachas, correntes, couro, microcomprimentos, paetês… O gato vai dançar conforme sua música!”

A saia mais provocante do verãoLeia

“A mega-hiperadesiva saia bondage foi eleita a peça mais sexy da estação. Numa destas, você vai convencer qualquer homem a confessar todos os pecados. E ainda cometer mais alguns!”

Vestida de forma provocante para arrasar no primeiro encontroLeia

“A temperatura vai subir já no primeiro encontro. Então, vista-se com segundas intenções, sem deixar de lado os tecidos fluidos, de cores intensas e formas sedutoras. Seu novo gato não vai resistir e o final desse encontro será… só o começo!”

50 coisas para fazer nuaLeia

“Atitudes ousadas para você curtir e exibir seu corpo – sozinha, com um gato e até com as amigas”

Para mim, Nova nutre a imaginação de mulheres normais que acabam se massacrando com todas as exigências da Mulher Maravilha do século XXI. Sou muito feliz com a minha profissão e meu emprego, sou feliz solteira e não estou desesperada para prender o peguete da vez, tá longe de ser gostosa, de ter um corpo perfeito, de querer sair por aí soltando olhares 43, mordiscadas nos lábios para seduzir ou aplicar alguma das milhares de dicas da revista até porque, tenho a impressão de que qualquer homem com o mí­nimo de bom senso deve olhar para as mulheres que aplicam isso entre 4 paredes e pensam: WTF?

TULE, PAPEL CREPOM, COLA BASTíO, TESOURA SEM PONTA, VENTILADOR E CARíO: VAMOS FAZER A CAPA DA NOVA

Nova definitivamente não me representa. Assim como todas as mulheres de verdade desta década, tenho minhas imperfeições mas isso não me impede de ser feliz de verdade, de viver meus momentos, de curtir a vida. Não quero dicas para segurar meu homem, não quero saber qual a roupa que faria atrair todos os olhares, não preciso de um guia de etiqueta sexual para conduzir meus novos relacionamentos. Gosto das coisas simplesmente por gostar, não para agradar ninguém. Quero me vestir da maneira que eu acho que é a minha cara e não porque uma pesquisa X disse que saia Y combinada com sapato Z atrai mais homens. Não preciso levantar qualquer bandeira, seja de mulher independente, de “feminista” ou qualquer outra coisa que as matérias levante para ser quem eu sou. Não preciso de um manual de instruções para conduzir minha vida, meus gostos, minhas escolhas.

Não dá para levar essa revista a sério. Mesmo. Para mim, ler as matérias da Nova virou sinônimo de piada, de humor, de troll, assunto de conversa no bar com as amigas.